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Bilhetagem eletrônica: sistema facilitador da vida moderna


Edição nº 101

14/03/2018

Por Tânia Mara

Com o rápido crescimento das cidades mundo afora, sistemas de transporte foram criados, aprimorados e passaram a se complementar, numa rede cada vez mais intrincada, face ao número de usuários e à extensão das áreas abrangidas.

O aumento do número de ­veículos individuais gerou grandes congestionamentos, e a necessidade de se priorizar o transporte público foi-se tornando cada vez mais evidente, principalmente nas metrópoles e megalópoles. Passou a ser fundamental a oferta de um transporte com opções de integração, com facilidade de acesso e de forma de pagamento, conforme exige a vida atual, onde o tempo é cada vez mais precioso. Isso levou à criação da bilhetagem eletrônica, que vai se espalhando pelo mundo pela sua praticidade.

Foto: Fetranspor

Pelo mundo

Em Londres, em que o Oyster Card, cartão pré-pago utilizável no metrô, nos ônibus, trens e DLR (­Docklands Light Rail) que, junto com o London Pass, oferece pacotes de 1, 2, 3, 6 e 10 dias, ou em Paris, onde o turista ou o cidadão comum podem optar pelo Navigo, o tíquete t +, o Mobilis, o Paris Visite, ou o Paris Pass, cada um com suas ofertas, ou, ainda, em Nova Iorque, onde o MetroCard permite baldeação entre os diversos meios de transporte e oferece versões semanal e mensal, o pagamento da condução via cartão eletrônico é solução prática e eficiente.Os números da bilhetagem nessas metrópoles são maiores do que aqueles que encontramos no Rio de Janeiro, já muito significativos. Enquanto aqui registramos 10 milhões de passageiros/dia que utilizam o RioCard, em Paris são 14 milhões, em Nova Iorque, 14,5 milhões e Londres já registra 16 milhões de passageiros/dia.

No Brasil, existem diferentes tipos de cartões e soluções de bilhetagem. Vamos focar, nesta matéria, em especial no caso do Rio de Janeiro, que tem características singulares, graças ao seu histórico.

Um pouco da históriado vale-transporte

Com o surgimento da lei que criou o vale-transporte, no final da década de 80, o Rio de Janeiro foi o primeiro estado brasileiro a pensar em criar um tíquete de papel a ser utilizado em todos os meios de transporte, e sob administração única. O modelo fluminense, por sua praticidade (pela legislação, cabia a cada operador criar o seu próprio vale), tornou-se rapidamente um referencial, servindo de exemplo para outras cidades, estados e até países.

A evolução natural do processo e a necessidade de atender cada vez melhor o passageiro, agilizando o pagamento e, consequentemente, o embarque, levou à produção do vale-transporte em cartão. A bilhetagem eletrônica foi criada em março de 2004 e a RioCard foi criada no mesmo ano, para cuidar da emissão dos cartões e oferecer soluções de pagamento eletrônico, com ênfase no transporte público. Para tal, a empresa utiliza, desde então, equipamentos robustos de alta tecnologia, tornando-se referência mundial pelo volume de transações e a segurança dos processos.

Assim foi que, ao criar o Bilhete Único, em 2009, o governo do Estado do Rio de Janeiro encontrou a tecnologia de produção e administração de cartões já em perfeito funcionamento, o que possibilitou a realização de parceria que viabilizou a concessão do benefício à população fluminense. Seguiu-se ao Bilhete Único intermunicipal a versão da capital (Bilhete Único Carioca, ou BUC) e o de Niterói. Esses BUs oferecem integrações com desconto (é feito o pagamento apenas do primeiro trecho), dentro de determinado período.

Papel social

Os ganhos sociais verificados, não só com o vale-transporte, mas com o advento do Bilhete Único, têm sido bastante significativos. No ano de sua implantação, o Ministério do Trabalho atribuiu ao Bilhete Único Intermunicipal do Rio de Janeiro 149 mil novos postos de trabalho no Estado. Estudos da Fundação Getúlio Vargas indicam uma contribuição do BU para o aumento da empregabilidade da população, uma vez que muitos dos candidatos a vagas eram rejeitados por morarem em locais distantes do emprego, o que aumentava os custos com o transporte, desestimulando as contratações (disponível em http://cps.fgv.br/bilheteunico).

Cassiano Rusycki, diretor da RioCard, vê nesse viés um fator de grande relevância: “o cartão RioCard é um importante parceiro para promover a mobilidade no Rio de Janeiro. Ele serviu de instrumento para o benefício que facilitou a inclusão social de pessoas que moram distantes dos locais de trabalho, aumentando a empregabilidade”, afirma. Essa importância foi reconhecida pela União Internacional de Transporte Público (UITP), em abril de 2011, quando a Secretaria de Transportes do Estado recebeu o prêmio de Melhor Programa de Transporte Público da América Latina.

Tecnologia de ponta

Nada disso seria possível sem um robusto suporte tecnológico. Para que sejam realizadas as mais de 6 milhões de compras de crédito de transporte por mês, com 10 milhões de transações por dia, referentes a 6 milhões de cartões ativos, funciona sistema 24 horas dia, 7 dias por semana, utilizando máquinas de última geração, além de equipe altamente capacitada.

Renata Faria, diretora de TI da RioCard, fala sobre oportunidades e desafios do gerenciamento de tantas transações e da responsabilidade de integrar 8 meios de transporte, com tudo o que está por trás em termos de tecnologia: “Estamos passando por momentos de desafios que nos trarão grandes oportunidades de melhorias do sistema, ampliando sua capacidade e atendendo a padrões internacionais. Por consequência, melhorando cada vez mais a experiência do cliente”.

Produtos

Apesar da grande importância dos bilhetes únicos, a RioCard tem outros produtos, cumprindo a missão que escolheu: “oferecer produtos e serviços de alta qualidade, assegurando eficiência operacional nos processos de emissão, distribuição, venda e atendimento dos cartões RioCard visando aumentar a penetração no transporte coletivo”. O RioCard Expresso, pré-pago de rápida aquisição, e que pode ser cadastrado como Bilhete Único, e o RioCard Duo, que, além do pagamento do meio de transporte tem a função de cartão de débito (créditos independentes, no mesmo cartão) estão entre eles.

Produtos especiais para ­ocasiões especiais

Como cidade de vocação turística, o Rio de Janeiro atrai constantemente eventos de caráter mundial, como a Jornada da Juventude, a Copa Fifa de Futebol, a Olimpíada e a Paralimpíada, só para citar alguns. E o Rock in Rio, claro. Para o sucesso de eventos desse porte, a mobilidade é um ponto de crucial importância, sendo fundamental a utilização do transporte público de forma maciça.

A RioCard está atenta a essa questão, e tem contribuído significativamente para diminuição de filas, demoras de embarque e incentivo à utilização do transporte público, criando pontos de venda extras, equipes de orientação a turistas em pontos-chave e até criando cartões diferenciados, com aquisição prévia, como foi o caso da Olimpíada de 2016 e do Rock in Rio.

A logística de transporte durante a Rio 2016, apontada muitas vezes como um ponto crítico pela imprensa mundial, na fase pré-evento, foi depois motivo de elogio dessa mesma mídia, e a tecnologia RioCard foi um dos principais fatores que asseguraram o sucesso da operação. Só para lembrar, durante a realização da Olimpíada e da Paralimpíada de 2016, os ônibus foram responsáveis pelo deslocamento de 94,7 milhões de passageiros, incluídas aí as famílias Olímpica e Paralímpica e a Força Nacional de Segurança, com média diária de 3,26 milhões de passageiros; o BRT transportou, durante os Jogos Olímpicos, 11,7 milhões de passageiros, e nos Paralímpicos, 8,13 milhões; no metrô, deslocaram-se 13,9 milhões nos 17 dias de Jogos e 8,2 milhões no período da Paralimpíada; no trem, foram 9,8 milhões transportados; 2,2 milhões nas barcas e 1,1 milhão no VLT. Esses números ajudam a dar uma dimensão da importância de se contar com um sistema integrado e funcional em eventos desse porte. E a tecnologia RioCard foi a responsável pela integração entre todos esses modais, tendo criado o RioCard Olímpico. Só este cartão foi responsável pelo pagamento de 4 milhões de viagens.

É a tecnologia de cartões contribuindo para o bom funcionamento da cidade em ocasiões de aumento temporário da população.

Gratuidades

As diversas isenções de pagamento de tarifa nos transportes públicos são exercidas mediante apresentação de cartões nos validadores instalados nos vários modais. A RioCard faz a emissão de todas essas modalidades de cartões. São eles: RioCard Escolar, para estudantes dos ensinos fundamental e médio; RioCard Especial, para portadores de necessidades especiais; RioCard Sênior, para pessoas com 65 anos ou mais; e também o Vale Social do Governo do Estado; o Estudante Seeduc (para alunos de ensino fundamental e médio da rede pública estadual); e o Passe Livre Universitário.

Cassiano Rusycki destaca que “a tecnologia oferecida pelo cartão RioCard possibilita que diversas secretarias concedam o beneficio de gratuidade para idosos, estudantes e portadores de deficiência, permitindo que utilizem o transporte público”.

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