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Demanda e produção de ônibus voltam a crescer


Edição nº 101

16/04/2018

 

O mercado interno de ônibus foi atingido de forma particularmente dura pela crise econômica brasileira dos últimos anos. Comparado com o pico de 34.547 veículos licenciados em 2011, os 11.765 ônibus emplacados em 2017 parecem um desastre. Representam um terço do auge deste mercado e são comparáveis às médias de vendas de 40 anos atrás (11.603 veículos licenciados por ano, entre 1975 e 1979, por exemplo). Porém, tudo indica que o pior já passou. Com índices que, de 2016 para 2017, variam de -2,6% a +13,2%, segundo o indicador analisado, e com claros sinais de que 2018 será melhor que 2017, o mercado está otimista e, sobretudo, aliviado.


2017, fim da crise?

Em 2017, as montadoras filiadas à Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) – Agrale, Iveco, Man, Mercedes-Benz, Scania e Volvo – tiveram uma produção total de 25.280 chassis de ônibus, um aumento de 7,3% em comparação aos 23.550 veículos produzidos 2016. Esses números incluem os chassis montados no Brasil e os exportados, que seguem desmontados para finalização nos países onde serão vendidos (CKD). Se for verificada apenas a produção de chassis montados no Brasil, excluindo aqueles exportados em partes, houve aumento de 10,5% entre 2016 (18.705) e 2017 (20.643).

O licenciamento no País (gráfico abaixo) também aumentou, mas em proporção menor. Foram 11.765 veículos licenciados em 2017 e 11.161 em 2016, significando um aumento de 5,4%. Como as exportações de chassis diminuíram de 14.742 em 2016 para 13.967 em 2017 (-5,4%), foram produzidos mais chassis que comercializados e, portanto, houve uma recomposição de estoque nas montadoras. Esses estoques aumentados, após vários anos de crise no setor, indicam que as empresas acreditam em um bom desempenho de vendas internas e externas durante 2018.

A produção de carrocerias também tomou novo impulso em 2017, porém menos significativo que o crescimento da indústria de chassis. Com um total de 14.607 ônibus finalizados no ano passado, os associados da Fabus (Associação Nacional de Fabricantes de Ônibus) – Caio, Comil, Irizar, Mascarello, Marcopolo e Neobus – registraram um crescimento de 3,5% de produção no ano, sobre os 14.111 veículos produzidos em 2016. O mercado interno diminuiu, foram apenas 9.800 veículos comercializados em 2017, 2,6% menos que os 10.069 vendidos em 2016, porém as exportações de ônibus tiveram um desempenho excepcional, com entregas externas de 4.803 veículos em 2017 e crescimento de 13,2% sobre os 4.242 exportados em 2016.


Participação no mercado interno por montadora (2017)

Arte: Fetranspor

 

Perspectivas para 2018

Segundo Antonio Megale, diretor de Assuntos Governamentais da Volkswagen do Brasil e presidente da Anfavea, “o reaquecimento da economia traz aumento de demanda por transporte de mercadorias e pessoas. Tal fator, somado ao envelhecimento da frota, em razão do adiamento de compra nos últimos anos, e das licitações, no caso dos ônibus, gera expectativa positiva também; e projetamos crescimento na faixa dos dois dígitos. A base de comparação é baixa e, na média, as empresas produtoras ainda operam com grande ociosidade. Contudo, acreditamos que o crescimento ocorrerá de forma sustentável e duradoura pelos próximos anos”.

Esta tendência de crescimento se confirmou nos primeiros dias do ano. Os números de janeiro de 2018 são impressionantes. No primeiro mês deste ano, 848 ônibus foram licenciados, expansão de 68,3%, em comparação às 504 unidades vendidas em janeiro de 2017. As exportações no início deste ano ficaram em 539 unidades, representando aumento de 38,9% contra as 388 negociadas em janeiro de 2017. A produção de chassis para ônibus subiu 70,1% no balanço do setor; foram 1,8 mil unidades em janeiro deste ano e 1,1 mil no mesmo mês de 2017. “O resultado de janeiro é muito bom e está dentro da nossa expectativa. Crescemos com maior intensidade no segundo semestre de 2017 e essa tendência permaneceu em 2018, com um ritmo de média diária de vendas 23% superior ao do ano passado. Com a aprovação das reformas, aumento da confiança e um cenário macroeconômico estável, vamos manter a rota do crescimento”, afirma Megale.

Sobre o mercado de carrocerias, o presidente da Fabus, José Antônio Fernandes Martins, em entrevista exclusiva para a Revista Ônibus, traçou um painel completo das boas expectativas para 2018 (abaixo). “Achamos, em uma perspectiva conservadora, que teremos um crescimento de 10% a 15% no conjunto deste mercado no ano, mas podemos ter um aumento bem maior que 20%, se confirmadas as políticas já em execução para os diversos segmentos: urbano, rodoviário, escolar e exportador”, diz Martins.


Produção por encarroçadora em 2017

Arte: Fetranspor

 
Oportunidades em 2018 por segmento do mercado

Urbano: aceleração do Refrota

Foram produzidas apenas 6.200 unidades de urbanos em 2017, sendo que existia e ainda existe verba de 3 bilhões para financiar este segmento, com juros baixos (9,5% ao ano), no programa Refrota, criado governo federal, que utiliza recursos do FGTS e é administrado pela Caixa Econômica Federal. Este valor é suficiente para um total de 8.000 veículos, porém apenas 650 ônibus foram financiados até agora pelo programa. O Ministério das Cidades, ao qual o programa está subordinado, está determinado a acelerar os procedimentos do Refrota em 2018.


Rodoviário: autorização das linhas interestaduais

Com o cancelamento do processo de licitação que estava planejado para as linhas interestaduais e internacionais (mais de 2.500 linhas) e a conversão para o novo processo de autorização, as empresas subordinados à Abrati, que já operam no novo sistema de autorização, se comprometeram a diminuir a idade média da frota para 5 anos (atualmente é de 9,8 anos), e a idade máxima dos veículos para 10 anos. Com isso, essas empresas terão que comprar 10.000 ônibus novos nos próximos 5 anos (2.000 por ano). Como ano passado foram vendidos apenas 1.715 ônibus rodoviários, este segmento deve apresentar um ótimo crescimento, pois ainda abrange vários outros usuários como, intermunicipal, fretamento e turismo, setores também em crescimento devido ao aumento do emprego e renda da população. E isso deve começar a aparecer com o retorno do crescimento do PIB, com previsão de 2,8% a 3% para este ano.


Escolar: retomada do Caminho da Escola

As associadas da Fabus estão trabalhando dia e noite para entregar, até julho de 2018, 6.000 unidades já licitadas pelo programa Caminho da Escola, com recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar), do MEC. Além disso, está em curso mais uma licitação de 2.800 ônibus, somando um total de 8.800 veículos no programa neste ano, sendo que em 2017 nada foi licitado pelo Caminho da Escola. Para complementar, o estado de Minas Gerais lançou recentemente um programa de compra de 1.600 ônibus escolares.


Exportação: manutenção da taxa de câmbio

O mercado externo tem sido um grande fator de equilíbrio da indústria carroceira de ônibus, pois vem se mantendo com uma tendência de melhoria constante, que deve continuar este ano, desde de que o dólar não baixe do patamar atual, de R$ 3,10 a R$ 3,30. A Fabus não acredita que o dólar vá cair, pois os indícios de melhoria da economia americana devem levar ao aumento da taxa de juros naquele país e consequentemente à maior escassez internacional da moeda.

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