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O sol: fonte inesgotável de energia barata e limpa


Edição nº 97

13/03/2017

Por Tânia Mara

Em tempos em que a questão ambiental é discutida em todo o planeta e problemas como o aquecimento solar preocupam não só os cientistas, mas as pessoas das mais variadas origens e ocupações, as alternativas energéticas limpas são cada vez mais procuradas.

Combustíveis não fósseis, motores híbridos, veículos elétricos são algumas das soluções testadas em várias cidades do mundo. Os combustíveis derivados de petróleo, principal fonte de energia utilizada atualmente, geram, quando a queima é completa, gás carbônico e água. O acúmulo desse gás na atmosfera vem aumentando desde o século XIX, com consequências como o agravamento do efeito estufa.

Foto: Elena Thewise / Depositphotos.com

Se a queima é incompleta, há liberação de monóxido de carbono para a atmosfera. Este gás é muito venenoso e prejudicial à saúde humana e à qualidade do ar. Além disso, as fontes de energia fóssil, como o petróleo, o carvão mineral e o gás natural veicular não são renováveis e vão se extinguindo à proporção que são retirados da natureza.

O progresso tecnológico e a expansão das indústrias, assim como o aumento do número de veículos provoca o crescimento da demanda de energia, num processo contínuo e irreversível. Adotar alternativas energéticas menos agressivas ao ambiente, evitando que o progresso se torne causa de prejuízos e destruição é uma necessidade do mundo de hoje.

A revista Ônibus vai enfocar, nesta e nas próximas edições, as principais novidades e tendências do panorama energético do Brasil e do mundo. Nesta matéria, falaremos da energia solar, sua utilização no mundo e as perspectivas de uso no Brasil.

 

Uma fonte ilimitada

Uma fonte que produz, a cada ano, 4 milhões de vezes mais energia do que consumimos e cuja energia pode ser transformada em eletricidade e calor, com baixa poluição gerada pela fabricação dos equipamentos de captação e armazenamento. Essas são algumas das características da energia solar ou fotovoltaica.

Por ser uma fonte de potencial ilimitado, e, sendo o Brasil um país tropical, onde a incidência de raios solares é muito grande, a utilização entre nós torna-se altamente recomendável. Para se ter uma ideia, o nosso pior potencial de captação é 20% maior do que o melhor da Alemanha – país que utiliza bastante esse tipo de energia.

 

Evolução para energia limpa

Para Rodolfo Pinto, presidente da Engie, produtora independente de energia presente em 70 países, existe uma evolução natural das fontes de energia “sujas”, ou poluentes, para as mais limpas, como a energia elétrica, a biomassa e a energia solar. “Estamos em um momento de transformação de matriz”, avalia. Ele lembra que não existem grandes projetos de usinas hidrelétricas, assim como não há previsão de novas plantas de usinas nucleares, mas o Brasil tem grandes perspectivas de expansão da energia fotovoltaica e o país tem demostrado interesse. Rodolfo explica que já existe uma regulamentação desde 2012, através da Resolução Aneel 482, que permite ao consumidor brasileiro gerar sua própria energia elétrica a partir de fontes renováveis, fornecendo o excedente à rede distribuidora local.

Rodolfo revela que estudos apontam para uma expansão significativa, até 2024: dos 7 mil sistemas instalados atualmente, para 1,2 milhão. Países como a Austrália, os EUA e a China, já alcançaram – ou até ultrapassaram – esse patamar. O crescimento, de 2014 a 2015, de utilização de energia renovável no planeta foi de 25%, sendo o de energia solar correspondente a 50 GW.

Arte: Arquimedes Edições

Possibilidades de implantação em garagens

Os sistemas fotovoltaicos podem ser implantados em residências e empresas, inclusive em garagens de ônibus. A implantação não é complicada. O fornecedor faz um estudo prévio e, uma vez aprovado o projeto, a instalação pode levar de uma semana a um mês, dependendo de sua complexidade. Não há necessidade de grandes espaços disponíveis, apenas os telhados (onde serão fixados os painéis, voltados para o norte) e uma pequena área para os componentes elétricos.

O investimento pode se pagar em um tempo médio de 6 anos, sendo que os equipamentos podem chegar a durar 40 anos, sobrando, portanto, muito tempo sem gastos com energia elétrica.

Para Adalberto Maluf, diretor de Marketing, Sustentabilidade e Novos Negócios da BYD, maior fabricante de baterias recarregáveis do mundo, esta é a primeira grande vantagem da implantação de um sistema fotovoltaico: “No pior dos cenários, o investimento é pago em 8 anos. O período de recuperação do investimento é de 5 a 8 anos. Mas o sistema dura de 30 a 40 anos, assegurando muito tempo de energia limpa”, explica. Adalberto chama a atenção para o fato de já existirem ônibus elétricos munidos de painéis solares rodando em várias cidades do mundo, e diz que o interesse, no Brasil, é crescente: já há estudos em cidades como São Paulo, Goiânia, Brasília e Palmas, só para citar algumas.

 

Experiência do BRT do Rio

O BRT do Rio instalou, experimentalmente, na estação Bosque da Barra, captadores e conversores que passaram a ser responsáveis pela alimentação da iluminação da estação. A economia de custo gerada foi de 30%, e a experiência foi considerada bem-sucedida. No entanto, segundo o gerente de Infraestrutura do Consórcio BRT, Alexandre Castro, apesar de haver interesse na expansão da iniciativa para outras estações, os gastos de instalação foram considerados pesados para o momento atual, em que a crise do país afeta o setor, e o retorno do investimento é de longo prazo.

Alexandre diz que o Consórcio busca caminhos de baratear a implantação, como fontes de financiamento, parcerias e verificação, com a distribuidora de energia elétrica, quanto à possibilidade de bonificação na conta, uma vez que há horários em que a geração de energia é superior ao consumo. Castro avalia que, neste caso, há necessidade de instalação de mais um equipamento, o que aumenta o investimento. Para ele, a energia solar é um benefício que vai se tornar mais acessível quanto mais for conhecida e utilizada.

 

Geração de empregos

Outra vantagem da utilização de energia solar é que, entre as fontes renováveis, esta é a que gera mais empregos por MW instalado. Hoje o setor é responsável por 8,1 milhões de empregos ao redor do mundo. Os custos de manutenção são baixos e o excedente de energia gerada pode ser transformado em créditos, válidos por 60 meses. Levando-se em consideração tantas vantagens, seria a energia solar a solução energética ideal para a mobilidade do futuro? Adalberto Maluf acha que não. Não porque o sistema apresente alguma falha, mas porque as soluções hoje, no seu entender, combinam várias tecnologias.

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