Home » Matérias » Produção de chassis e carrocerias de ônibus cresce em 2018 em relação a 2016 e 2017

Produção de chassis e carrocerias de ônibus cresce em 2018 em relação a 2016 e 2017


Edição nº 105

11/04/2019

Em 2018, o mercado nacional de ônibus se recuperou de forma acentuada em relação aos anos imediatamente anteriores (2016 e 2017). Com índices de crescimento que, em alguns segmentos, chegaram a mais de 50% em relação a 2017, o ano passado trouxe aos mercados de chassis e carrocerias de ônibus a esperança de atingir patamares de produção comparáveis com seu auge.

As montadoras fi liadas à Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) – Agrale, Iveco, Man, Mercedes-Benz, Scania e Volvo –, relatam uma produção total de 31.889 chassis de ônibus em 2018, um aumento de 26,1% em comparação aos 25.280 veículos produzidos em 2017. Esses números incluem os chassis montados no Brasil e os exportados, que seguem desmontados para finalização nos países onde serão vendidos (CKD). Se for verificada apenas a produção de chassis montados no Brasil, excluindo aqueles exportados em partes, houve aumento de 38,2% entre 2017 (20.643) e 2018 (28.536). O licenciamento no País (gráfi co abaixo) também aumentou significativamente (28,1%), com 15.081 veículos licenciados em 2018 e 11.765 em 2017. “Num ano de fortes tensões políticas, eleições polarizadas, longa greve de caminhoneiros e outros entraves, a indústria automobilística em geral reagiu muito bem. À exceção das exportações (dificultadas pela crise na Argentina), todos os indicadores melhoraram, inclusive o nível de emprego”, afirma Antonio Megale, presidente da Anfavea.

 

Mercado de carrocerias cresce 50,9%

Segundo a Fabus (Associação Nacional de Fabricantes de Ônibus), que congrega as empresas Caio, Comil, Irizar, Mascarello, Marcopolo e Neobus, o mercado interno de carrocerias atendido por suas associadas deu um salto, com um aumento de 50,9% de 2017 para 2018, passando de 9.804 (2017) para 14.797 (2018). O mercado externo também esteve aquecido, mas em uma proporção menor, com um crescimento de 17,1% (5.627, em 2018, e 4.803, em 2017). Na soma dos mercados externos e internos, as encarroçadoras apontam aumento de 39,8% em um ano.

José Antônio Fernandes Martins, presidente da Fabus, ressalta algumas características importantes desta recuperação, como o fato de que o grande impulsionador da demanda interna, em 2018, foi o programa Caminho da Escola, que utiliza recursos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento Escolar), do MEC. O programa viabilizou a aquisição de 6.000 ônibus em 2018, número superior ao total da diferença de produção entre 2017, quando não houve licitação, e 2018. Além disso, o mercado de ônibus rodoviários cresceu em 42,5%, comparando-se 2018 com 2017.

 

O Programa Caminho da Escola foi o grande impulsionador da demanda interna de carrocerias em 2018 | Foto: Wilson Dias / ABr

 

Frota urbana está envelhecendo

O ótimo desempenho de 2018, após um 2017 de relativa estabilização do mercado, não chega perto de recuperar o grande declínio ocorrido entre 2011 e 2016. Por exemplo: o licenciamento de ônibus no Brasil já atingiu, em seu auge, em 2011, a marca de 34.547 veículos, número 129% maior do que o de veículos licenciados no ano passado. O que evidencia ainda existir grande capacidade ociosa nas fábricas.

Martins também alertou para o fato de que no segmento urbano a frota está envelhecendo, e que o programa Refrota, do governo federal, que utiliza recursos do FGTS e é administrado pela Caixa Econômica Federal, ainda tem uma liberação muito lenta. No ano passado, não mais que 1.000 ônibus foram financiados, quando existia verba prevista de 3 bilhões de reais, o que possibilitaria a compra, com juros mais baixos, de cerca de 8.000 veículos. Sobre o Estado do Rio de Janeiro, Martins disse: “Nos últimos anos, caiu muitíssimo o mercado do Rio de Janeiro. Vamos ver se, com os novos governos e novas medidas, teremos uma tendência do Rio voltar a se recuperar, devagarinho”.

 

2019 começou, mas não terminará aquecido

A produção de carrocerias, nos meses de janeiro e fevereiro deste ano, apresenta crescimento de 52,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Porém, o presidente da Fabus alerta: “esses números extraordinários não irão se manter”. Ele acredita que a situação poderá ser o inverso do que ocorreu no ano passado, quando o início do ano foi muito fraco e o crescimento se deu nos segundo e terceiro trimestres. A Fabus prevê aumento de 15% a 20%, para este ano, o que ainda deixará o mercado bem abaixo dos níveis do começo da década. “Desde 2014, o mercado estava parado”, afirma Martins.

De acordo com o executivo, a moderação no ritmo do crescimento se dará devido a vários fatores: “em 2019, não temos ainda o programa Caminho da Escola. Também precisamos de mais agilidade na liberação dos recursos do Refrota e de um Finame (recursos do BNDES para a aquisição de máquinas e equipamentos novos de fabricação nacional) mais adequado, pois hoje o Finame é muito caro. Soma a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) de 7%, com mais 2,5% cobrados pelo BNDES das empresas grandes, mais o spread do banco intermediário, que fi ca entre 3,5% e 4%, totalizando 12,5% a 13% ao ano. Isso é muito para o transportador, considerando que a taxa Selic está 6,5%”, destaca.

 

Mercado de turismo deve crescer

Para o setor de turismo e fretamento, Martins aposta no crescimento por interferência da taxa do dólar. “A indústria nacional, devagarinho, está aumentando o nível de emprego e, consequentemente, temos, muito lentamente, progresso no mercado de ônibus de fretamento. Como o dólar se mantém alto, entre R$ 3,70 e R$ 3,80, fica muito caro o turismo de brasileiros para o exterior, o que está gerando boas expectativas de crescimento no segmento de ônibus de turismo”, declara.

Já para Antônio Megale, Presidente da Anfavea, 2019 é muito promissor, pois a consolidação do Rota 2030 (programa de incentivo à inovação tecnológica), aprovado no fim de 2018, representa a ponte que levará a indústria automobilística brasileira para novos tempos, pois traz um mínimo de previsibilidade a um setor que envolve grandes investimentos a longo prazo, e que passa por um momento disruptivo sem precedentes, por conta de tendências como eletrificação, automação, conectividade e compartilhamento.

©Copyright Fetranspor 2017 | Todos os direitos reservados.