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Revista Ônibus: 100 edições em defesa da mobilidade


Edição nº 100

12/12/2017

Por Tânia Mara

Corria o ano de 2000, quando a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro lançou a Revista Ônibus número zero. Na verdade, ainda não foi chamada assim, pois os leitores foram convidados a escolherem um nome para a nova publicação, que saiu em janeiro com o título “Revista Fetranspor”. A votação poderia ser feita por telefone, fax ou e-mail. Venceu o nome “Ônibus”, provavelmente porque muitos já estavam acostumados ao veículo que a antecedeu, o “Jornal Ônibus”, então publicado em papel off-set, em duas cores. O Jornal fora criado no final da década de 80 e era distribuído principalmente aos sindicatos filiados e empresas a eles associadas.

 

Arte: Arquimedes

 

Sonho de comunicação
 
A Revista era um sonho antigo da equipe de Comunicação da Federação, que queria um veículo mais abrangente, em cores, com visual e textos que levassem seus leitores a compartilhá-la e até a colecionar os exemplares. A ideia era conquistar anunciantes que garantissem o custeio de uma publicação de maior qualidade, com maior tiragem e enviada gratuitamente, como o era o Jornal Ônibus (até então, não era permitida, pela direção da entidade, a publicação de anúncios em qualquer de seus veículos).
 
Existia uma necessidade de mostrar o que estava por trás do transporte público, em especial do modal ônibus: dificuldades, limitações, o que cabia às empresas, o que era atribuição do poder público e outras informações, que esclarecessem pontos que geravam dúvidas nos usuários. Normalmente, apenas as notícias de acidentes ou falhas no serviço eram divulgadas na mídia e o setor era, em termos de comunicação, apenas reativo.
 
Tempos difíceis
 
As negociações internas demoraram muito tempo e, aceita a ideia, vieram meses de estudos, projetos, avaliações de propostas, até que foi enfim aprovada a publicação de uma revista ainda modesta, com 20 páginas, sendo quatro cadernos em duas cores (dois em laranja e preto e dois em azul e preto) e um em quatro cores.
Era uma época em que algumas publicações sobre transporte foram descontinuadas por escassez de anunciantes. As vans faziam concorrência desleal e as empresas de ônibus passavam por dificuldades. Muitos foram os prognósticos de que a Revista Ônibus não conseguiria se manter por muito tempo. Veículos corporativos são normalmente pouco atraentes para os anunciantes e o setor, por tradição, não se abria para a mídia, ainda que esta fosse do próprio segmento e, portanto, não enxergava com clareza o papel da publicação.
Mas havia muito empenho da equipe e uma real necessidade de um canal onde se pudesse divulgar os temas da mobilidade de uma forma aprofundada, mostrando o que a grande mídia não mostrava. Com o apoio do então superintendente Luiz Carlos de Urquiza Nóbrega, homem de grande visão e sensibilidade, a Revista foi conquistando seus públicos. Aos poucos, entidades de ensino, jornalistas e profissionais das mais diversas áreas começaram a se inscrever para recebê-la, e o mailing foi aumentando. Dos 2,5 mil exemplares iniciais, chegou-se a uma tiragem de 5 mil, em 2004, com aumento dessa tiragem em ­ocasiões especiais, como o Etransport (Congresso de Transportes de Passageiros) ou o Congresso da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), quando era distribuída aos congressistas. Apesar de ser normalmente incluída no material recebido no ato da inscrição, havia grande procura de exemplares no estande da Federação ou, quando era o caso, no da própria Revista. No Etransport de 2012, a Ônibus atingiu sua maior tiragem até agora – 14 mil exemplares.
 
Novo projeto
 
Em 2013, buscando manter-se em dia com as tendências de apresentação gráfica, a Revista passou por transformações. Um novo projeto mudava sua aparência, trazendo um visual mais clean e diagramação mais moderna, o que agradou em cheio aos leitores. Temas abordados na Ônibus muitas vezes despertaram o interesse da mídia, levando os repórteres a buscarem mais informações sobre o assunto e criando assim a oportunidade de divulgação de dados como, por exemplo, os prejuízos causados por incêndios criminosos nos ônibus. A publicação cumpria seu objetivo de chamar a atenção da sociedade para as diversas faces desconhecidas do transporte público – desde os esforços para diminuir emissões de poluentes até os voltados para o aprimoramento profissional da categoria rodoviária.
 
A Revista por quem a criou
 
Tratando-se de época difícil para o segmento de transporte por ônibus, cuja cultura era a do silêncio, a atuação do superintendente Urquiza Nóbrega foi muito importante para que a Revista saísse da esfera do sonho para a realidade. Sob sua gestão, a publicação firmou-se e passou a se tornar fonte de informação para empresários, autoridades, técnicos, trabalhadores do setor, além de estudantes, professores e outras pessoas que se interessam pela mobilidade.
Segundo Urquiza “a Revista testemunha o compromisso das empresas de ônibus do Estado do Rio de Janeiro no sentido de atender às necessidades de deslocamento da população, e vem mostrando as dificuldades encontradas, causadas por fatores internos ou externos, para a prestação de serviços diuturnos, com qualidade, aos cidadãos do nosso Estado”. E complementou: “Parabéns à Revista Ônibus e à equipe que vem trabalhando nela por esses 17 anos.”
 
A Revista por quem a faz
 
Uma das coisas mais interessantes na trajetória da Revista é que a equipe que a produz está, em sua quase totalidade, fazendo parte de sua produção desde o início, o que agiliza o trabalho e cria uma atmosfera positiva. São profissionais afinados com os objetivos da publicação, sua linha editorial e que se tornaram uma equipe coesa, com um bom conhecimento sobre os temas da mobilidade urbana.
 
É o caso de Arquimedes Martins Celestino, da Arquimedes Edições, que diz: “a Revista Ônibus é, com certeza, um dos trabalhos mais importante da minha carreira. Eu fazia o “Jornal Ônibus” desde o final da década de oitenta e edições especiais, que se chamavam “Revista Fetranspor”, com a cobertura dos Etransport e Fetransrio. A partir de 1994, passamos a propor à Federação das Empresas de Transportes comercializar anúncios e viabilizar uma revista periódica e, no ano 2000, começamos a Ônibus. Acredito que, nessas 100 edições, realizamos, em conjunto com a entidade, um trabalho comercial, editorial, artístico e de distribuição de altíssima qualidade. E que a publicação teve um impacto relevante na forma que os diversos setores do público-alvo avaliam o segmento de transporte de passageiros”.
 
Para a redatora Roselene Alves, a revista cumpre um papel importante: “Ao longo dos quase 20 anos como redatora da Revista Ônibus e também editando seu conteúdo, em parceria com a jornalista Tânia Mara Leite, posso destacar a relevância da publicação no cenário do transporte nacional e, claro, mais especificamente do Estado do Rio de Janeiro. Sempre pontuando os projetos e ações defendidos pela Federação para a melhoria do transporte público no Estado, apresentando opiniões de especialistas, estudos, e trazendo também as conquistas já alcançadas pelo setor, na gestão das empresas, no desenvolvimento e qualificação dos rodoviários, na infraestrutura viária, na bilhetagem eletrônica, na acessibilidade, e em vários outros aspectos fundamentais para a qualidade de vida da população. A Revista Ônibus cumpre com louvor seu papel de publicação institucional, levando aos leitores informação e transparência acerca de temas importantes para a mobilidade urbana, para os cidadãos e trabalhadores, para as empresas de transporte e poder público, buscando, através de suas matérias, disseminar o conhecimento sobre o setor de transporte por ônibus. Orgulho-me de fazer parte da equipe da Ônibus, desde as edições iniciais e, ao chegar na edição 100, me sinto honrada em ainda integrar essa equipe e poder falar da trajetória da Revista. Na minha vida profissional, foi, além de um grande aprendizado, uma história marcada por desafios e pelo compromisso de fazer uma publicação de primeira linha”.
 
A Revista por quem lê
 
Otávio Cunha, presidente executivo da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que muitas vezes atendeu nossos jornalistas para conceder entrevistas ou atuar como fonte, fez questão de cumprimentar a publicação: “No momento em que a Revista Ônibus chega à histórica edição de número 100, faço questão de cumprimentar a equipe que há 17 anos se empenha em trazer informação qualificada sobre o transporte público por ônibus no Brasil.”
 
Flávio de Assumpção Pereira, 38 anos, trabalhando há sete no setor de transportes, e inspetor na Transportes e Turismo Rosana há seis, não entrou para o segmento por acaso. Era aficionado por ônibus desde muito jovem e colecionador de fotografias de veículos antigos e modernos. Ele explica: “Conheço a Revista desde 2002 (no mínimo), quando comecei a ficar mais atuante no hobby e quando eu já havia tido uma pequena experiência profissional no ramo de transporte por ônibus. As matérias e colunas são interessantes, com boas abordagens de questões relevantes sobre o setor. Entrevistas com bom conteúdo, fotos de qualidade”. Mostrando sua intimidade com o assunto, sugere outros leitores fiéis para serem ouvidos. Infelizmente, não há espaço para usar tantos depoimentos.
 
Mas um dos nomes lembrados por Flávio já havia sido contactado pela Revista. Edegar Rios Lopes, leitor de primeira hora, figura conhecida por seu conhecimento sobre as empresas de ônibus e suas histórias, já atuou como fonte e foi personagem de matéria na edição nº 75, com outros busólogos. Em conversa com a repórter, afirmou: “A Revista é ótima. Sempre mostra o que gostaríamos que acontecesse em nosso transporte público. Tem boas reportagens, que eu acompanho desde o começo. Tenho todas as edições guardadas até hoje”.
 
Outro leitor, o premiado Jorge Andrade, da Jorge Andrade Soluções Criativas, autor de vários projetos de pinturas de frota, dá seu testemunho: “Transporte inteligente e informação relevante são as ferramentas que fazem a mobilidade urbana funcionar, levando ao dia a dia das pessoas conforto e qualidade de vida. A Revista Ônibus é, sem dúvida, um dos principais veículos de desenvolvimento do setor de transportes do estado do Rio de Janeiro. E, ao longo de sua trajetória, tem sido de suma importância para a formação de opinião sobre diversos aspectos, seja para os empresários, colaboradores ou desenvolvedores do setor. Espero poder contar com essa generosa fonte de informação por muitos anos ainda. Parabéns a toda a equipe da Revista, que ama o que faz, e faz porque ama!”
 
Temas principais
 
Os principais temas da mobilidade urbana não só do estado do Rio de Janeiro, como de todo o País sempre estiveram nas páginas da Revista Ônibus, que ouviu, ao longo de sua trajetória, técnicos, autoridades, formadores de opinião e cidadãos comuns sobre assuntos como o transporte ilegal, os incêndios de ônibus, fontes mais limpas de energia, grandes eventos, problemas de congestionamento e possíveis soluções, produtos e serviços disponíveis para o setor que podem melhorar a experiência de viagem dos usuários e muito mais.
 
Motivo de orgulho
 
Há 17 anos na estrada, esta revista tem se aprimorado. E a Federação se orgulha de manter um veículo corporativo por tanto tempo. É uma grande alegria receber tantas avaliações positivas, saber que a Revista anunciou fatos como a criação da Universidade Corporativa do Transporte, a implantação dos centros de serviço (núcleos que prestam serviços de consultoria gratuita a empresas e sindicatos do segmento em áreas como meio ambiente, recursos humanos e comunicação) e do Programa Ambiental Fetranspor. Registrou fatos como premiações nacionais e internacionais de alguns dos programas da Federação, os eventos comemorativos dos 100 anos do ônibus no Brasil, o lançamento do programa Selo Verde, o transporte dos atletas olímpicos em ônibus modernos e movidos a energia limpa e muitos outros fatos da história da nossa mobilidade. Que esse veículo possa continuar a cumprir o papel de estreitar os laços com seus públicos, levando a todos os fatos do transporte e da mobilidade em nosso País.

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