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São Paulo substituirá 60 ônibus a diesel por elétricos


Edição nº 99

25/09/2017

Por Tânia Mara

A Prefeitura de São Paulo anunciou, em 14 de julho último, a substituição de 60 ônibus a diesel por modelos elétricos. Os veículos estão sendo adquiridos pela empresa Ambiental e deverão rodar entre a Zona Leste de São Paulo e o Centro.

A mudança é fruto de preocupação do governo da capital com a poluição gerada pela enorme frota que circula na grande São Paulo – só o número de ônibus chega a 14.800 –, e estuda possibilidades de utilização de motores mais limpos. Pesquisas recentes mostram que os ônibus são responsáveis por percentual entre 25% e 35% da emissão total de poluentes nas cidades brasileiras. O modelo movido a eletricidade tem emissão zero e também não produz ruídos.

Considerando-se o ciclo de vida total, desde a geração de energia, o ônibus elétrico reduz em 86% a emissão de CO2 (dióxido de Carbono), comparado aos modelos tradicionais; e em 50%, em relação aos trólebus, pois consome 50% a menos de energia. Trocando em miúdos, podemos dizer que, em 10 anos, cada ônibus deixa de emitir 9,47 toneladas de NOx (óxido de Nitrogênio); 1,8 t de CO (monóxido de Carbono); 0,2 t de HC (hidrocarbonetos) e 0,17 de MP (material particulado).


A experiência de Shenzhen

Recentemente, o prefeito da capital paulista, Jorge Dória, acompanhado pelo secretário de Mobilidade e Transportes do município, Sérgio Avelleda, visitou indústrias e operadoras de transporte público de cidades da Califórnia e da China. Shenzhen, na China, porém, foi talvez o exemplo mais impactante. Com 20 milhões de habitantes, a metrópole conseguiu reduzir significativamente os altos índices de poluição, com a utilização de ônibus elétricos – 85% da frota de 14 mil veículos em circulação são movidos a eletricidade.

A BYD, responsável pela fabricação de ônibus elétricos, carros e monotrilhos, que tem uma subsidiária em Campinas, no interior do Estado de São Paulo, foi uma das fábricas visitadas. A visita levou-os a acreditar que a adoção de ônibus elétricos na capital paulista é altamente viável. Segundo o secretário Sérgio Avelleda, a ideia é criar regras, na próxima licitação, para a redução paulatina de emissão de poluentes pelas operadoras de transporte público. Mas, embora a adoção dos veículos elétricos seja uma boa solução, a Prefeitura não pretende impor um tipo de tecnologia, pois existem várias boas opções, como ônibus híbridos, ônibus movidos a GNV, gás metano e outros. A questão é diminuir ao máximo a emissão, podendo cada operador adotar o modelo que lhe for mais interessante.

Foto: DIvulgação


Como são os novos ônibus

O primeiro ônibus elétrico foi entregue à cidade de São Paulo pela fábrica BYD de Campinas em agosto, esperando-se que todos possam ser entregues e entrar em circulação até o fim deste ano. Os ônibus têm autonomia de 300 quilômetros, o que atende a qualquer das linhas da cidade de São Paulo, segundo o secretário Avelleda, e serão abastecidos na própria garagem, onde um sistema de captação de energia fotovoltaica vai gerar toda a energia necessária para alimentar os 60 veículos. Os ônibus terão carroçarias Caio Millenium IV, com dois pacotes de baterias, instalados no teto e no piso, atrás do segundo eixo, o que evita desperdício de espaço interno. Sua capacidade é de 84 passageiros e os ônibus são
altamente silenciosos.

Segundo Adalbeto Maluf, diretor de Marketing, Sustentabilidade e Novos Negócios da BYD, a tecnologia vem sendo empregada a cada dia mais, em todo o planeta: “Los Angeles, Denver, Londres, Sidney, Kyoto, Kuala Lumpur e Amsterdã são algumas das cidades globais que já têm grandes frotas de ônibus elétricos fora da China. No Brasil, Campinas foi a pioneira em entregar a primeira frota. Em setembro, outras duas cidades no Brasil vão receber suas primeiras frotas, no Estado de São Paulo”, adianta.


Custos x benefícios

O custo do ônibus elétrico é de R$ 600 mil (R$ 350 mil do chassis e R$ 250 da carroceria) em comparação aos R$ 550 mil de um ônibus piso baixo similar, a diesel. O elétrico conta com um pacote de baterias que pode ser comprado por leasing ou alugado, por preço equivalente ao do combustível economizado (rodagem mínima de 200 km). As baterias têm 30 anos de vida útil e são reutilizadas para sistemas estacionários de energia, após 15 anos de uso nos ônibus.

Como a tarifa já prevê custos de combustível, esses poderiam ser substituídos pelos da eletricidade, segundo Adalberto Maluf, que lembra que os valores empregados em manutenção são baixíssimos, a vida útil dos veículos é maior, e que as vantagens não são apenas ecológicas, mas financeiras também.

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