Home » Matérias » Violência é a principal preocupação de motoristas e cobradores do Grupo JAL

Violência é a principal preocupação de motoristas e cobradores do Grupo JAL


Edição nº 105

10/06/2019

A violência urbana é a principal preocupação de 71% dos motoristas e cobradores de ônibus que atuam nas empresas do Grupo JAL, responsáveis pelo transporte de 10 milhões de passageiros por mês na Baixada Fluminense e em algumas regiões da cidade do Rio de Janeiro. A constatação é de uma pesquisa feita pela UP (Ulrich Pesquisa e Marketing), a pedido do Grupo JAL, entre agosto e setembro passados, com o objetivo de identificar os principais problemas nos trajetos das linhas das empresas.

De acordo com o levantamento, 50% dos profissionais têm medo de assalto, 32% de tiroteios e 14% temem desvios de rotas forçados por criminosos ou que o veículo seja incendiado. Para 51% dos entrevistados, sua vida e a dos passageiros estão frequentemente em risco, sobretudo em vias, cruzamentos e bairros mais perigosos. Com base nos relatos, os locais considerados de maior risco são: Vila Pauline (Belford Roxo), Praça Santa Marta (Belford Roxo), Mangueirinha (Duque de Caxias), ponto final da Pavuna, Morro da Pedreira, Avenida Brasil e Avenida Presidente Dutra.

 

Foto: Divulgação / JAL

 

Os entrevistados também apontaram as maiores causas de engarrafamentos, como estacionamento ilegal de carros de passeio, excesso de veículos, obras inacabadas, chuvas e enchentes, vans e kombis (que fazem o transporte alternativo de passageiros), e destacaram as condições precárias das vias e a infraestrutura de trânsito, relatando problemas na sinalização, pavimentação, calçamento e acostamento das vias públicas.

A pesquisa foi realizada em duas etapas. Na primeira, 40 colaboradores foram divididos em grupos de foco para abordagem dos temas do seu cotidiano e das dificuldades enfrentadas. Os assuntos foram utilizados na construção do questionário quantitativo, aplicado na segunda fase, com a participação de 316 motoristas. “Pelo olhar dos nossos colaboradores, é possível termos um diagnóstico de mobilidade e segurança urbana bem próximo da realidade. Isso ajuda não apenas a ajustar nossa operação diária, para dar mais segurança aos nossos colaboradores e clientes, mas também abre uma oportunidade de ampliar o diálogo construtivo com o poder público”, afirma Cristina Gullo, responsável pela Comunicação do Grupo JAL.


Infraestrutura precária afeta qualidade do transporte

Chuvas e inundações lideram a lista de problemas das vias públicas, de acordo com 47% dos entrevistados. Em seguida, com 29% das citações, aparecem as obras, interrupções e desvios no trânsito. A pavimentação e o calçamento de ruas e avenidas também foram apontados por 29% dos profissionais.

 

Transporte alternativo desafia fiscalização

O transporte alternativo de passageiros é outro ponto de destaque na pesquisa. Além do alto volume de vans, kombis e mototáxis circulando nas vias públicas, geralmente em condições precárias, a categoria se queixa que esses veículos costumam ocupar o lugar dos ônibus nas pistas, baias e pontos de embarque de passageiros, causando congestionamentos.

Também são frequentes as reclamações sobre desrespeito às leis de trânsito, imprudência e direção perigosa. E um em cada cinco motoristas relatou já ter sofrido ameaças verbais ou físicas por parte de condutores de veículos do transporte alternativo.

 

Carros demais e estacionamento fora da lei

As principais causas de engarrafamentos, segundo os participantes da pesquisa, são o estacionamento ilegal de carros de passeio, apontado por 42% dos entrevistados, e o excesso de veículos nas vias, apontado por 35%.

 

Pontos de ônibus e segurança são reprovados

A infraestrutura dos pontos de ônibus é criticada por 71% dos entrevistados. Em geral, os pontos negativos são iluminação, conservação, limpeza e cobertura contra sol e chuva. Mas é o policiamento que mais chama a atenção, considerado insuficiente por 91% dos entrevistados.

 

Relacionamento com passageiros

Embora os clientes sejam o segundo ponto que mais agrada motoristas e cobradores, com 24% das citações (atrás apenas do itinerário, destacado por 25%), o relacionamento com clientes é também fonte de incômodo. De acordo com os entrevistados, os principais motivos de atrito com passageiros são: tentativa de gratuidade para crianças acima de 5 anos (29%); pedidos para embarcar e desembarcar fora dos pontos (27%), e estudantes sem o cartão RioCard (25%). Também merece destaque a tentativa de gratuidade antes dos 65 anos, citada por 22% dos pesquisados.

©Copyright Fetranspor 2017 | Todos os direitos reservados.