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Redução da jornada de trabalho pode custar R$ 11,88 bilhões ao setor de transporte

Setor precisaria contratar cerca de 240 mil novos trabalhadores para manter nível de serviço em operações que funcionam 24 horas.

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Por Redação Revista Ônibus • 16 de abril de 2026
  • Estudo aponta que redução de jornada semanal de 44 para 40 horas pode gerar impacto econômico de R$ 11,88 bilhões no setor de transporte.
  • Setor precisaria contratar cerca de 240 mil novos trabalhadores para manter nível de serviço em operações que funcionam 24 horas.
  • Pequenas empresas, que representam 90,5% do setor, seriam mais afetadas devido às margens operacionais reduzidas e dificuldade em absorver novos custos.

A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas pode gerar um impacto econômico de R$ 11,88 bilhões para o setor de transporte no longo prazo. O dado consta no estudo técnico “Redução de jornada, mudança de escalas e bem-estar social no setor de transportes”, coordenado pelo sociólogo e professor José Pastore e pelo economista Paulo Rabello de Castro a pedido da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

A análise aponta que a alteração, se feita sem ajuste salarial, elevaria em 10% o valor da hora trabalhada. Como 92,5% dos profissionais do setor cumprem o limite atual, os custos com pessoal subiriam 8,6%. Segundo o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, sem ganho de produtividade, a medida resulta em pressão sobre preços, aumento de custos e impacto no emprego.

Para manter o nível de serviço em operações que funcionam 24 horas, o setor precisaria contratar cerca de 240 mil novos trabalhadores. No entanto, o segmento já enfrenta escassez de profissionais qualificados. Dados da CNT mostram que, no transporte rodoviário de cargas, 44,6% das empresas têm vagas abertas e, no segmento de passageiros, 53,4% relatam dificuldades na contratação.

O impacto tende a ser mais severo para as pequenas empresas, que representam 90,5% do setor e possuem margens operacionais reduzidas. Atualmente, 47,3% do valor adicionado bruto das transportadoras já é destinado à folha de pagamento, o que limita a capacidade de absorver novos custos.

O estudo também alerta para o risco de avanço da informalidade, uma vez que o custo da contratação formal no Brasil atinge 102,43% do salário nominal. Diante da baixa produtividade média do trabalhador brasileiro, a CNT defende que mudanças na jornada sejam tratadas via acordos coletivos, respeitando as especificidades operacionais de cada modalidade de transporte e mantendo a preservação do trabalho formal.

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