Homenagem ao Dia do Rodoviário
Marcello Marques da Silva é um assistente administrativo de 52 anos que trabalha na Flores.
- Márcio Alves da Silva é um mecânico de 52 anos que trabalha no Grupo Ponte Coberta.
- Marcello Marques da Silva é um assistente administrativo de 52 anos que trabalha na Flores.
- Márcio Marcolino da Silva é um motorista de 47 anos que trabalha na Coesa Transportes.
Um mecânico, um assistente administrativo e um motorista e suas histórias profissionais e de vida
No próximo dia 25 de julho comemora-se o Dia do Rodoviário. A Revista Ônibus se antecipou e faz sua homenagem, nesta edição de junho, trazendo a história de três profissionais exemplares – Márcio Alves da Silva, mecânico do Grupo Ponte Coberta, Marcello Marques da Silva, assistente administrativo da Flores, e Márcio Marcolino da Silva, motorista da Coesa – representando os rodoviários do estado do Rio de Janeiro e os três setores que dão vida a uma empresa de ônibus – Manutenção, Administração e Operação.
Mecânico tem como premissa de vida a busca constante por conhecimento

Márcio Alves da Silva, 52 anos, mecânico do Grupo Ponte Coberta há dois anos, começou sua vida profissional em 1987, ainda adolescente, aos 15, quando se matriculou para fazer o curso de mecânica a diesel no então Senai de Deodoro, hoje Sest Senat. “Era algo semelhante ao Jovem Aprendiz de hoje. Foram dois anos de estudo com estágio. Eu comecei pela Viação São José, como ajudante de mecânico, em 1989”
Foi na Evanil Transportes e Turismo, onde entrou em 1991 e trabalhou durante 30 anos, que Márcio passou a atuar como mecânico profissional e depois supervisor. “Lá eu tive a oportunidade de fazer vários outros cursos… Fui passando de setor em setor, trabalhando, aprendendo, progredindo… Mas, em 2019, a empresa foi vendida e, em 2021, fui dispensado”, explica. No período entre o final do seu contrato com a Evanil e o novo emprego no Grupo Ponte Coberta, de cerca de dois anos, Márcio trabalhou em uma retífica e depois “por conta própria”. Porém, aquela velha máxima do meio rodoviário, de que quando se tem óleo diesel no sangue não há como fugir, falou mais alto para o experiente mecânico. “Se você é apaixonado por aquilo que faz, ama estar lá, não tem como…”.
“Eu amo o que eu faço”
Casado há 13 anos com a pedagoga e professora Rita de Cássia Lomar de Oliveira, pai ambos de Thaís, 24 anos, e Rafael, 17, de um relacionamento anterior, e da pequena Alícia, de 8, Márcio conta que sua jornada na empresa começa às 21h e vai até 4h20. “A garagem à noite tem o maior contingente de ônibus. A gente tem esse período para fazer toda a manutenção e colocar os carros na rua a partir das 2h30”, diz. “É gratificante ver que você recebeu o ônibus com determinado problema e encontrou a solução, utilizando seus conhecimentos… Aí você está na estrada, no dia seguinte, e passa aquele ônibus… As pessoas não sabem quem é o profissional por trás disso, que está somando para o ir e vir. Eu amo o que eu faço”.
Márcio se formou, no ano passado, no curso superior de Tecnólogo em Processos Gerenciais. Outro curso recente, de dois anos, que concluiu ao lado da esposa, foi o de Formação Teológica. Ele também é ator formado. Antes da pandemia, terminou o curso técnico de Teatro, também de dois anos. Sua paixão pela arte de Shakespeare vem desde os 20 anos, quando já participava de grupos e companhias de teatro e interpretava personagens nas mais variadas peças. Recentemente, tem atuado nos espetáculos da igreja que frequenta com a família.
Assistente administrativo, professor de dança, coreógrafo e DJ

Marcello Marques da Silva, 52 anos, é assistente administrativo da Flores há 26 anos. Iniciou sua jornada como rodoviário na Expresso Nossa Senhora da Glória, trabalhando no CPD (Centro de Processamento de Dados). Na Flores, começou como digitador, também no CPD, passando a assistente administrativo da Manutenção e, hoje, atua no Almoxarifado. “A Flores é uma empresa muito boa de se trabalhar, nos oferece uma boa estrutura e suporte. A responsabilidade de quem trabalha no Almoxarifado é grande, porque a gente está diretamente ligado à manutenção dos ônibus, à entrega do material, que vai garantir o conforto e a segurança dos passageiros”, afirma
O pai da Myllena, 28 anos, e avô do Miguel, 5, também é professor de dança, coreógrafo e DJ. Ele começou na dança aos 21 anos, quando se inscreveu na academia do bailarino Jaime Arôxa. “Fiquei 15 anos lá. Comecei como aluno, fui bolsista e depois monitor. Me formei lá e também pelo Sindicato da Dança. Me profissionalizei e nunca mais parei”.
Companhia e academia de dança
O assistente administrativo montou uma companhia e academia de dança, a Cia. Marcello Marques, que funciona no centro de Nilópolis, perto de onde moAssistente administrativo, professor de dança, coreógrafo e DJ ra com sua esposa Vanessa, que trabalha na administração do empreendimento. Além das aulas, as portas do estabelecimento costumam abrir para eventos, como bailes de forró e outras modalidades. Ele também realiza workshops, onde reúne professores de outras academias para aulas intensivas. Outro talento do rodoviário é como DJ. Além de comandar a mesa de som dos diversos bailes dentro da academia, Marcello faz bailes de charme no Shopping Nova Iguaçu e no Shopping Carioca. Como coreógrafo, ele tem atuado na criação de danças para festas de casamento e de 15 anos.
Para o assistente administrativo, o trabalho em empresa de ônibus e como professor de dança se complementam em sua vida. Ele sabe da importância do seu papel para os usuários do transporte público e para os funcionários dos demais setores da Flores. Esta, com certeza, é a sua melhor coreografia

“Quando eu sento no banco do motorista, parece que sentei na poltrona da paz”

Márcio Marcolino da Silva, 47 anos, é rodoviário desde 2016. Começou como manobrista, na Viação Pendotiba, de Niterói (RJ), sendo promovido a motorista com apenas dois meses de empresa. No ano seguinte, surgiu a oportunidade de ingressar na Coesa Transportes, mais perto de sua casa, em Itaúna, São Gonçalo (RJ), e ele abraçou a chance, mesmo tendo que voltar para a manobra, já que a operadora exigia dois anos de experiência como manobrista. Hoje, atua na linha intermunicipal São Gonçalo – Castelo, dirigindo ônibus modelo rodoviário, de uma porta, conhecido como “Tarifa”
Apesar de ter iniciado no setor de transporte por ônibus aos 39 anos, sua vida na labuta começou ainda aos 13, quando foi trabalhar com um tio que possuía uma kombi para frete. “Desde pequeno, eu tinha esse tio como foco, porque ele era motorista de caminhão… Foi ele quem me ensinou a dirigir”. Márcio trabalhou depois em uma farmácia de Niterói, como entregador de remédio, serviço que fazia a pé ou de bicicleta. Aos 24 anos, tirou sua carteira de habilitação enquanto trabalhava como atendente numa padaria. “Como minha patroa sabia que eu dirigia, passei a fazer entrega e buscar mercadorias também”. Depois, conseguiu seu primeiro emprego oficial como motorista, fazendo entrega para uma empresa de ferramentas. “Fiquei seis anos e passei a fazer o estado do Rio inteiro. Foi ali que pensei: não vou largar esse negócio de motorista nunca”
Márcio trabalhou, em seguida, com reboque, numa seguradora de veículos, como motorista de caminhão, como motorista operador de caminhão cesto aéreo e como motorista eletricista, após fazer um curso.
“Amor à primeira vista”
Em 2016, iniciou em empresa de ônibus e conta que se encontrou profissionalmente. “Foi amor à primeira vista. Muita gente falava que eu era maluco de querer trabalhar em ônibus porque era muita perturbação. Mas, eu vi que não era nada daquilo e que, sendo quem você é, passando sua simpatia para as pessoas, você recebe simpatia de volta. Tendo empatia com as pessoas, também recebe empatia. Quando eu entro no ônibus, desfoco dos meus problemas. Aquilo ali, para mim, é o melhor lugar do mundo, onde eu tenho a chance de conhecer pessoas… Para mim é uma alegria trabalhar como motorista, poder transportar essas pessoas e seus sonhos”. Márcio trabalha como TU – motorista que atua de segunda a sexta-feira, primeiro no turno da manhã, com um período de descanso em seguida, e retornando ao trabalho no final do dia, encerrando o expediente por volta das 21h. Nos finais de semana, eventualmente, faz viagens de turismo para destinos no estado do Rio. “Eu trabalho por amor, não é trabalhar por trabalhar. Ser rodoviário para mim é uma alegria muito grande, é um amor que não tenho nem palavras. Eu, quando sento no banco do motorista, parece que sentei na poltrona da paz”.
Casado há 10 anos com a manicure Ana Paula, Márcio tem dois filhos – Richard, 26 anos, de seu primeiro relacionamento, e Murilo, 8 anos, que parece querer seguir os passos do pai. “Quando ele está comigo no ônibus, quer sentar no meu banco e pede para dirigir. Quando paro perto da minha casa para pegar um lanche com minha esposa, ele sai correndo para entrar no ônibus”. O rodoviário tem bons conselhos: “é preciso entender que essa profissão não é algo tão simples assim, porque você transporta vidas humanas e lida com pessoas no dia a dia. Além disso, é preciso ter muita atenção, porque você trabalha com trânsito e tem que tentar evitar o estresse”.