Balanço da indústria de ônibus no Brasil: um 2025 de recuperação e os desafios para 2026
A indústria brasileira de ônibus encerrou 2025 com modesto crescimento. De acordo com dados da…
- Analisando os pontos principais da matéria...

A indústria brasileira de ônibus encerrou 2025 com modesto crescimento. De acordo com dados da Fabus (Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus), a produção de 27.516 carroçarias representa crescimento de 1,7%, em comparação a 2024. O segmento urbano cresceu 0,8%, com 10.083 unidades, e o rodoviário, 0,1%. O destaque ficou para a venda de micro-ônibus, muito em função do Programa Caminho da Escola, que garante o transporte para estudantes residentes em áreas rurais e ribeirinhas. “Tivemos crescimento positivo sobre 2024, mas, ao compararmos 2024 com 2023, já havíamos crescido 19,2%. Isso significa que ainda estamos expandindo, apesar de outros setores de bens de capital estarem em fase de decréscimo”, afirmou Ruben Bisi, presidente da Fabus.
A Neobus/Ciferal, especializada em ônibus escolares, apresentou o maior crescimento — 32,67%. A Marcopolo, Caio Induscar e Volare tiveram redução na fabricação em 2025, em comparação ao ano anterior. Porém, mesmo com a baixa na produção, as maiores fabricantes ficaram no topo da lista.
As exportações fecharam o ano com 3.767 carrocerias para ônibus, representando aumento de 28,2%, quando comparadas aos 2.938 veículos exportados em 2024. O aumento mais expressivo foi no mercado de rodoviários, que cresceu 30,7%, principalmente com exportações para a Argentina.
Chassis e exportação
Segundo dados da Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), a produção de chassis registrou um crescimento de 1,6% em 2025. Ao todo, foram fabricadas 28.191 unidades, superando as 27.749 produzidas em 2024. As exportações foram o grande destaque: com 6.452 unidades embarcadas, o setor registrou crescimento de 33,8% em comparação a 2024.
De acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), em 2025 foram emplacados 28.844 ônibus e licenciados 2.543 veículos, representando um aumento de 4,2% em emplacamentos e uma queda de 1,9% nos licenciamentos, em comparação a 2024. O desempenho indica a continuidade dos projetos de renovação de frotas ligados às políticas públicas, como foi o Programa Caminho da Escola, que teve maior volume no primeiro semestre do ano.
A expansão dos ônibus elétricos
Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), 663 ônibus foram vendidos em 2025, um aumento de 119,54% em comparação com o mesmo período do ano anterior. São Paulo é a cidade que possui a maior frota de elétricos, chegando a mais de mil. A Eletra, empresa brasileira voltada para esse mercado, foi a líder no Brasil, com 63% de ônibus emplacados no País.
O emplacamento de ônibus elétricos cresceu 170% em 2025 em relação a 2024, registrando 849 veículos emplacados. Entre os fabricantes, a Caio Induscar teve 33,8% de participação, com 287 emplacamentos, seguida pela Mercedes-Benz, com 26,15% e 222 unidades, e pela BYD, com 22,97% e 195 unidades. A Volkswagen Caminhões e Ônibus comercializou 55 unidades elétricas, seguida pela Higer (29 unidades), Volvo (19 unidades), Marcopolo (10), Ankai (9) e Scania (1).
2026: entre o otimismo e a cautela
Se 2025 foi de tímida expansão, 2026 inicia com um cenário de incertezas. As fabricantes e entidades setoriais apontam que o ritmo de crescimento pode encontrar obstáculos macroeconômicos.
A Fenabrave projeta aumento de 3% para os emplacamentos. Segundo a Federação, existe uma expectativa para a possível renovação da frota de ônibus para transporte urbano neste ano, porém ainda não há previsões para novos volumes relacionados ao Programa Caminho da Escola, já que a nova licitação foi suspensa em dezembro de 2025. Se o projeto for retomado em 2026, existe a possibilidade de compra de quase 7.500 ônibus escolares pelo governo federal.
A manutenção de taxas de juros elevadas continua sendo um “freio” para os frotistas. O custo do financiamento é uma preocupação constante para quem precisa renovar veículos, cujos valores superam os R$ 800 mil (urbanos) ou R$ 1,5 milhão (rodoviários de luxo). Somado a isso, 2026 é ano de eleições, o que gera um movimento ambivalente: por um lado, há uma pressão para entregas de obras e renovação de transporte público; por outro, a legislação eleitoral impõe travas a novos contratos públicos no segundo semestre, o que pode esfriar os pedidos no final do ano.
Investimento federal
A ajuda financeira possivelmente virá do reforço do Novo PAC Mobilidade (PAC 3), Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal, que investirá R$ 31 bilhões em mobilidade urbana, sendo mais da metade (R$ 16,4 milhões) para o Refrota, programa de renovação de frotas do Ministério das Cidades, que tem como objetivo a modernização dos ônibus urbanos no Brasil, focando em veículos mais novos, confortáveis, acessíveis e menos poluentes (como elétricos e Euro 6), incentivando o uso do transporte coletivo e a descarbonização, com recursos do FGTS e do PAC para setores público e privado.
“O setor de ônibus rodoviário está consolidado e, cada vez mais, tirando passageiro do aeroviário, mas a instabilidade política e a taxa de juros trazem incertezas. Se for mantido o recurso do PAC 3 para a compra de ônibus urbanos e definida a nova licitação do programa Caminho da Escola, o mercado de ônibus poderá ter, em 2026, um volume igual ao de 2025 e, se isso acontecer, já será um grande feito. Caso contrário, terá uma queda de até 5%, atingindo cerca de 22 mil unidades”, destaca Ruben Bisi.
Sobre as exportações, a expectativa é que em 2026 o Brasil mantenha o mercado argentino e aumente as vendas para o Chile. A Venezuela também está na meta brasileira a longo prazo. “Nós éramos grandes fornecedores de produtos, mas depois que o país se fechou, praticamente paramos de exportar”, lembrou Ruben Bisi, presidente da Fabus.