Busólogos mirins – O menino Miguel e sua paixão por ônibus e pela 1001

27/11/2020 |

Uma história que começou antes mesmo que ele viesse ao mundo
Ele tem apenas nove anos, mas já sabe bem o que pretende ser quando crescer. “Quero ser motorista de ônibus”, diz Miguel Silva de Almeida, que é ainda mais específico: “motorista da 1001 (Viação 1001)”. A paixão de Miguel por ônibus vem de longa data. Mais precisamente, segundo sua mãe, a cuidadora de idosos Jucyara Firmino da Silva, “desde quando ele ainda estava na minha barriga”. Jucy, como prefere ser chamada, conta que, na gravidez de Miguel, já no final da gestação, ele às vezes ficava muito agitado e a única solução para acalmá-lo era embarcar em um ônibus. Após o seu nascimento, a estratégia continuou funcionando. “Quando ele tinha de um a dois aninhos e ficava muito enjoado para dormir, eu pegava um ônibus com ele no colo e logo ele se acalmava e dormia”.

A paixão seguiu firme. O exemplo vindo de casa contribuiu para isso. Seu pai, William de Almeida, trabalhou durante 14 anos como cobrador, na Nossa Senhora da Glória e na Ponte Coberta (empresas da Baixada Fluminense), e, quando estava prestes a se tornar motorista, veio a crise e tudo mudou. Atualmente, William trabalha em supermercado, mas seu sonho de dirigir ônibus, assim como o do filho, permanece vivo. “Ele também tem fascinação por ônibus, igual ao Miguel”, revela Jucy. Como se não bastasse a inspiração paterna, o menino conta ainda com uma madrinha e alguns de seus tios, que são cobradores, para rodeá-lo com histórias sobre ônibus. Parece mesmo que seu destino já está traçado e, para não deixar dúvidas, o cercou de várias maneiras.

ÔNIBUS DE VIAGEM SÃO OS FAVORITOS
“Sabe qual é o passeio favorito do meu filho? Andar de ônibus. Ele não gosta de andar de carro, van ou uber. Sempre pergunta: ‘Por que a gente não vai de ônibus, mãe?’. E viajar, então… Ele adora viajar de ônibus”, diz Jucy. Ela lembra que, quando Miguel tinha em torno de dois anos e chegava na rodoviária para embarcar para a casa da avó, em Itaperuna, via os ônibus rodoviários e ficava encantado. “Ele queria encostar, tirar foto, colocar a mão na roda… E chorava quando eu tinha que tirar ele dali”. Foi a partir de então que surgiu a admiração pela 1001, justamente a empresa que o levava para a cidade da avó. “No começo, ele gostava de todos os ônibus. Mas, quando entendeu a diferença entre os municipais, intermunicipais e de viagem, na época que começou a viajar comigo, sua paixão se concentrou nesses maiores”, conta a mãe.

Aos dois anos, Miguel foi diagnosticado com um traço de anemia falciforme, doença causada por uma alteração no glóbulo vermelho e que pode, no futuro, causar complicações renais e vasculares, entre outras. A notícia fez com que Jucy buscasse tratamento para o menino, em Itaperuna, onde sua mãe morava. Ela e o filho se mudaram para a cidade e lá viveram durante um ano. “Minha mãe morava na roça, na beira da BR (estrada), por onde passavam muitos ônibus de viagem. Todos os dias, sem falhar, Miguel se sentava numa pedra para esperar o 1001 das 16h passar. Ficava olhando pra BR e, quando o ônibus passava, ele gritava: ‘Olha lá meu ônibus da 1001, vovó, vem ver”, lembra Jucy. “E quantas vezes minha mãe ficava ali, sentada com ele, por horas, esperando”.

DESENHOS E TUTORIAIS SOBRE ÔNIBUS
Por volta dos quatro anos, Miguel começou a desenhar. A primeira ilustração que fez, claro, foi de um ônibus da 1001. Jucy guarda uma pasta cheia desses desenhos e conta que vários deles ficam expostos na parede do quarto do menino, junto com fotos de ônibus, e até mesmo em sua geladeira. A fascinação de Miguel o motiva também a aprender sobre os veículos. “Crianças na idade dele, normalmente, gostam de jogar na internet. Ele prefere assistir a vídeos sobre ônibus”, revela a mãe. Jucy explica que, por ter dificuldade de leitura e ser hiperativo, quando o menino quer aprender alguma coisa, busca o conhecimento nos vídeos. A procura por informações se dá de várias formas. “Como montar um ônibus?” e “Como dirigir um ônibus?” são alguns exemplos de tutorial que costuma acessar no Youtube. Segundo Jucy, esse é sempre o assunto favorito de Miguel. “Ele fala do motor, do assento, da embreagem… Ele vive e respira isso”, diz.

Em seu aniversário de seis anos, Miguel pediu “uma festa do ônibus da 1001”. Na época, porém, a família atravessava um período de dificuldades e não pôde realizar o evento. Este ano, ao completar nove anos, o menino foi surpreendido e viu seu sonho tornar-se real. “Ele não sabia de nada. Quando estávamos arrumando, montando a mesa e os enfeites, ele chegou. Na hora em que viu, começou a chorar e falar pra mim: “Mãe, mãe, muito obrigado, muito obrigado. A senhora fez a festa do meu ônibus!”.

A FESTA DE NOVE ANOS E A VISITA À 1001
Foi por causa dessa festa que a história de Miguel veio a público. Jucy publicou fotos do evento em um grupo do Facebook, de amigos da 1001, do qual ela faz parte. A página reúne pessoas que viajam pela empresa. Ali, elas falam tanto das melhorias, fazendo elogios ao serviço, como dos problemas que, eventualmente, enfrentam em suas viagens. “O pessoal do grupo começou a compartilhar e comentar e uma pessoa da 1001 (o colaborador Alexandre Souza) ficou sabendo, conseguiu meu contato e me ligou. Na hora eu nem acreditei. A empresa estava convidando o Miguel e a gente (a família) para uma visita à garagem”. Assim, no dia 24 de agosto, o menino realizou outro de seus maiores sonhos. Ele, o irmão Daniel, de 13 anos, a mãe e o pai foram conhecer uma das garagens da 1001, no Caju, no Rio de Janeiro. “Na noite anterior à visita, ele nem dormiu direito, porque estava com medo de perder a hora”, lembra Jucy.

Miguel ficou encantado com tudo que viu e viveu no passeio dentro da empresa que tanto admira. “Andamos naquele ônibus de dois andares (double-decker) e ele ficou maravilhado. Por onde passava fazia um monte de perguntas”, disse a mãe. Jucy contou que teve um momento em que Miguel quis saber o preço de um ônibus e se os que estavam à venda seriam substituídos. “Vocês vendem o ônibus velho para comprar um novo? Então, vocês estão trocando para ficar melhor pras pessoas andarem? Ah, isso é bom”, dizia o menino.

O passeio lhe rendeu muitas lembranças inesquecíveis e alguns presentes dos quais não desgruda mais. Ganhou uma bolsa de motorista, uma nécessaire, um boné da JCA (holding da qual a 1001 faz parte) e uma miniatura de ônibus. Segundo a mãe, Miguel já possuía duas outras miniaturas e acrescentou mais uma para a coleção. “Quando vai criança lá em casa, não pode nem colocar a mão. Os carrinhos dele não duram uma semana, mas os ônibus estão intactos”, revela. O amor que Miguel dedica aos ônibus de viagem, especialmente aos da 1001, pode provocar surpresa, admiração e até estranhamento por parte de muitas pessoas. Mas, é justamente esse sentimento que leva a uma certeza: esse menino vai realizar seu sonho e será um grande motorista de ônibus. Pode apostar.

 

Conhece algum busólogo?
Explicar a paixão já é difícil, imagina uma tão peculiar como a de Miguel. Mas ele não está sozinho nessa. Há milhares de outras pessoas que, como ele, se dedicam a estudar o veículo nos detalhes e a colecionar fotografias, miniaturas e histórias sobre esse meio de transporte. O termo para designar os apaixonados por ônibus é busólogo.
A Revista Ônibus, para homenagear os busólogos, inicia, nesta edição, com esta matéria, uma série para contar outras tantas histórias como a de Miguel. Se você conhece algum busólogo mirim ou cuja paixão por ônibus tenha se iniciado na infância, nos informe pelo e-mail comunicacao@fetranspor.com.br.

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