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CãoBusão: a revolução do transporte “escãolar”

O serviço de transporte de cachorros em ônibus, carinhosamente apelidado de “Dog Bus”, “CãoBusão” ou…

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Por Redação Revista Ônibus • 22 de dezembro de 2025
  • Analisando os pontos principais da matéria...

O serviço de transporte de cachorros em ônibus, carinhosamente apelidado de “Dog Bus”, “CãoBusão” ou “Escãolar”, transformou a rotina de muitos tutores e seus pets na região Sul de Santa Catarina. Idealizado pelo empresário e educador de cães André Bressan, de 38 anos, esse projeto pioneiro no Brasil não só oferece comodidade porta a porta para os “aulunos” da creche canina, mas se baseia em uma trajetória de dedicação, visão de mercado e um profundo amor pelos animais.

A história do Dog Bus começa com a mudança radical na carreira de André Bressan, que, de químico em uma multinacional altamente concorrida, decidiu seguir sua verdadeira paixão: cuidar de animais.

André iniciou com um ou dois clientes de treinamento. Por volta de 2012, os clientes que confiavam em seu trabalho começaram a pedir que ele cuidasse dos cães durante viagens. Sem nenhuma estrutura formal, André e Ana já cuidavam de dez cachorros em casa. Com isso, eles identificaram um nicho de mercado e decidiram focar na hotelaria e creche. Começaram com um espaço acanhado, de 300 m², para apenas três hóspedes e hoje operam em uma área de 14.000 m², em uma chácara com área de mata, piscina, rio e dormitórios, podendo acomodar até 80 hóspedes.

 

Motivos e evolução do transporte

O serviço de transporte canino surgiu de uma demanda prática dos clientes que levou André a iniciar a busca e entrega dos cães, com custo adicional, utilizando um Fiat Uno 1992, sem ar-condicionado. O grande ponto de virada foi quando um cliente fixo, ao notar a dificuldade, patrocinou a compra de um carro com ar-condicionado.

A partir daí, a frota evoluiu rapidamente: de vans menores, ele passou para uma Ducato maior em 2016, duas vans grandes em 2018, além de uma Sprinter e uma Ducato, e duas vans zero km em 2021.

O sonho de ter um ônibus, no entanto, acompanhava o casal desde o início da creche, em 2011/2012. Há cerca de um ano, vídeos de ônibus de transporte para cães nos Estados Unidos e Canadá começaram a circular, o que intensificou o desejo de André. Em 2023, o projeto foi concretizado com a compra dos dois primeiros “Dog Bus”.

Para viabilizar o investimento de R$ 120 mil, André criou um sistema inovador de cotas de apoio. Os clientes compravam cotas e o valor era revertido em serviços pré-pagos, como se estivessem garantindo a mensalidade de um ano.

 

Pilares do negócio

André enfatiza que é crucial trabalhar com o que se ama e se colocar no lugar do cliente. O mercado pet tem pouca volatilidade e clientes muito fiéis, que buscam cuidado, carinho, zelo e atenção, valorizando o contato humano e não o serviço automatizado.
A inovação, neste contexto, não se limitou à tecnologia, mas à criação de um serviço inédito e altamente especializado, como o Dog Bus. A repercussão dos vídeos nas redes sociais e na imprensa internacional é vista como uma conse­quência do trabalho feito com verdade, carinho e amor.

André Bressan, de químico a educador de cães 

 

Funcionamento do serviço

Atualmente, a creche atende cerca de 400 alunos, utilizando dois ônibus (Dog Bus), que podem transportar até 50 cães, e uma van adaptada para essa carga. A van é usada em locais de difícil acesso, complementando a rota dos ônibus, e o serviço é realizado às segundas, quartas e sextas-feiras, começando por volta das 4h30 da manhã, e percorre mais de 200 km nesses dias na região de Içara e Criciúma.
O transporte é meticulosamente planejado e adaptado para a segurança dos cães:

1. Estrutura e adaptação: o ônibus é totalmente adaptado. Possui assentos bem cuidados e espaço para mochilas e pertences. O veículo também tem música ambiente.

2. Segurança e fixação: cada ­banco possui um cinto de segurança. Os cães são presos através de guias fixadas às coleiras ou peitorais. Fixações adicionais foram colocadas nas costas dos assentos para garantir que, no caso de uma freada, o animal não consiga se mover nem frontalmente nem lateralmente, prevenindo que vá para frente ou para cima.

3. Conforto comportamental: os cães que preferem um local mais tranquilo ou não gostam de andar no banco são acomodados em caixas de transporte reservadas no ônibus.

4. Monitoramento: o transporte canino é como um transporte escolar humano: uma monitora acompanha o motorista em todos os trajetos. O monitoramento é essencial para garantir a disciplina, manejar a ansiedade dos cães e identificar desentendimento entre os animais, já que o motorista não pode parar o ônibus em qualquer lugar.

5. Rotina dos alunos: alguns cães demonstram euforia e alegria ao avistar o Dog Bus. Eles já sabem em quais dias devem ir e esperam na porta de casa. A “turma”, apesar de ser agitada, com a “galera do fundão” sendo a promotora da bagunça, assim como nos ônibus escolares humanos, geralmente se comporta bem durante o percurso. E há uma rigidez de horário: se o aluno não estiver na porta, perde o dia de aula.

6. Protocolos sanitários e comportamentais: para se matricular e permanecer na creche, todos os alunos devem seguir regras estritas:
Passar por uma avaliação comportamental.

• Ser castrado, seja macho ou fêmea, o que diminui drasticamente a incidência de brigas e disputa por território.
• Possuir um protocolo vacinal rígido.
• Ter proteção contra pulgas, carrapatos e vermes.
• Levar sua própria ração na mochila da escolinha, devido a paladares específicos ou alergias.

O trabalho é árduo, exigindo dedicação e amor, mas resulta em histórias de sucesso e na alegria incontestável dos pets, que veem no Dog Bus não apenas um transporte, mas o início de um dia de socialização e diversão.

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