Combustíveis alternativos: Há espaço para todas as soluções

20/04/2020 | Edição nº 109

As discussões em torno do uso de combustíveis alternativos e outras soluções sustentáveis frente ao diesel de petróleo não saem e não devem sair da pauta do nosso dia a dia. Mais do que nunca, devem es- tar em evidência na mídia, nas indústrias de veículos, combustíveis e componentes, nas universidades, nas entidades especializadas, nas garagens das empresas de ônibus e caminhões e em diversos outros fóruns.

Foto: Divulgação

Todas as ideias, projetos e iniciativas são bem-vindos, mas é pre- ciso equacionar compatibilidade ambiental com custos operacionais. As cidades pedem e a população necessita de um meio ambiente saudável, com qualidade do ar e com mobilidade. É preciso, então, viabilizar as soluções.

A Mercedes-Benz acredita que o melhor para o Brasil é a combinação de soluções com motores a diesel, combustíveis alternativos e tração elétrica, sempre em sintonia com a realidade atual, sem deixar de se preparar para o futuro.

Pioneira e líder de vendas e de inovação tecnológica no segmento de veículos comerciais no Brasil, a empresa é referência quando se trata de desenvolvimento e produção de motores para ônibus e caminhões no País. Sua fábrica de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, é o Centro Mundial de Competência do Grupo Daimler, da Alemanha, para desenvolvimento de chassis de ônibus da mar- ca Mercedes-Benz. É também um player global de desenvolvimento e produção de caminhões.

Com base nessa expertise e numa experiência de mais de 60 anos no Brasil, a Mercedes-Benz sempre esteve à frente de iniciativas pioneiras no que se refere ao uso de combustíveis alternativos, como, por exemplo, o uso de bio- diesel em frotas de ônibus, um case de sucesso.

Sempre atenta às demandas dos clientes, às tendências de mer- cado e à realidade da infraestrutura de abastecimento de combustível no País, a Mercedes-Benz aposta no uso do HVO (Hydrotreated Vegetable Oil ou Óleo Vegetal Hidro- tratado) como solução imediata pa- ra reduzir a emissão de gás carbônico no Brasil.

Por sua tradição histórica e as grandes reservas existentes, o diesel é o combustível mais usado no Brasil e no mundo. Mas temos que investir em outras alternativas, e o biocombustível de segunda geração, como o HVO, é uma solução muito interessante, que pode ser implementada já. Para que isso aconteça, é necessário torná-lo economicamente viável.

O Brasil é rico na oferta de pro- dutos de origem vegetal e gordura animal, criando possibilidades pa- ra a produção de biocombustíveis como o HVO, que se mistura perfeitamente ao diesel sem restrição nenhuma, podendo ser utiliza- do em qualquer veículo (ônibus, caminhões e vans) de motores Euro 0 a Euro 5 e legislações futuras, sem necessidade de modificações no motor e no veículo.

Levando em conta a legislação ambiental de São Paulo, por exemplo, o HVO reduz em 100% a emissão de CO2, se aplicado puro no veículo. Além disso, o HVO reduz as emissões de Material Particulado (MP) e Óxidos de Nitrogênio (NOx) entre 10% e 15% nos motores Euro 5, mantendo as emissões regulamentadas no Euro 6. No ciclo completo de seu uso, estima-se uma redução de até 85% de CO2, dependendo da fonte utilizada na produção.

Outra grande vantagem do HVO é que não é necessária nenhuma alteração na infraestrutura de logística de distribuição ou na garagem das em- presas de transporte, o que viabiliza ainda mais o uso imediato. Portanto, não onera a tarifa para a população e nem exige mais subsídios retirando investimento público de outras áreas importantes da cidade.

O Grupo Daimler, mundialmente, detém várias tecnologias alter- nativas ao uso do diesel fóssil, co- mo o biodiesel HVO, o motor híbrido, células de combustível em modo experimental e os elétricos, que já estão em operação regular em vários mercados. Com infraestrutura adequada e custos operacionais compatíveis para o mercado brasileiro, essas soluções podem ser trazidas para operação no País por meio da marca Mercedes-Benz.

Em relação à alternativa dos veículos elétricos – tema bastante associado à mobilidade urbana – a Mercedes-Benz do Brasil já participa de algumas iniciativas no País, em parceria com a Eletra. Mas a utilização dessa alternativa ao diesel também terá que passar por infra- estrutura adequada, ser economicamente viável para as empresas de transporte e os usuários, além de uma política de planejamento no País, a fim de garantir essa opção muito importante no futuro.

Paralelamente às discussões em torno de combustíveis alter- nativos, é preciso olhar com muita atenção para o diesel, que, fora de um contexto mais amplo, está sem- pre nas manchetes de jornais e TVs como o vilão da poluição e de seus efeitos na saúde da população. O desenvolvimento dos motores diesel é permanente. Afinal, a oferta desse derivado de petróleo ainda é grande no mundo e esta solução é a mais viável economicamente, além de contar com uma estrutura de produção e abastecimento já consolidada por muitas décadas.

O desenvolvimento dos moto- res diesel tem produzido resulta- dos muito positivos em termos de redução de emissões de poluentes, como Óxidos de Nitrogênio e Material Particulado. Com a legislação atual, o Proconve P7 (Euro 5), o País avançou muito nesse campo. Além disso, há potencial para mais reduções, que virão com a chegada da norma Proconve P8, equivalente ao Euro 6, ao Brasil, prevista pa- ra 2023, que é ainda mais rigorosa.

Surge aqui, portanto, um gran- de desafio, que é renovar e atualizar a frota nacional para o Euro 5. A cidade de São Paulo, por exemplo, tem quase 70% dos cerca de 14.500 ônibus urbanos já operando com tecnologia Euro 5. Quando chegar- mos ao Euro 6, os ganhos ambientais serão mais evidentes e a qualidade do ar nas grandes cidades dará um grande salto.

Como destacado no início deste artigo, no futuro, o caminho ideal sugere a convivência harmônica de todas as alternativas de combustível, tração e motorização. O foco será a mobilidade urbana com compatibilidade ambiental, extraindo de cada uma delas o seu potencial e a sua aplicação adequada e economicamente viável. Porque não importa o momento, hoje ou no futuro, será sempre preciso compatibilizar sustentabilidade com custos operacionais.

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