Diretora e gerente de Mobilidade da Fetranspor participam de eventos internacionais

08/06/2022 |

Adiretora de Mobilidade Urbana da Fetranspor, Richele Cabral, participou, como palestrante, do 13º Congresso Internacional de Transporte (13º CIT), realizado virtualmente pela Associação Mexicana de Transporte e Mobilidade (AMTM), nos dias 27 e 28 de abril de 2022, cujo tema central foi “Redefinir e Inovar a Mobilidade”. Já a gerente de Mobilidade Urbana, Eunice Horácio, ministrou palestra no II Congresso On-line de Mobilidade Sustentável (Comus 2022), realizado entre os dias 25 e 29 de abril, pelo Instituto de Mobilidade da Espanha.

Richele Cabral falou sobre a nova realidade do transporte e os desafios a serem superados para transformar o círculo vicioso em círculo virtuoso. A diretora destacou cinco desafios: definição clara das regras do jogo, como diretrizes, objetivos e responsabilidades; oferta de serviços inovadores e com mais qualidade; melhoria da infraestrutura, já deficiente; financiamento; e o entendimento de que as pessoas e o transporte público são protagonistas da nova mobilidade urbana. “Com a alteração das regras do jogo, busca-se garantir principalmente duas coisas – qualidade do serviço para o usuário e sustentabilidade para o negócio”, disse. E defendeu que, para isso, é necessária a criação de um novo marco legal, cuja proposta já está sendo encaminhada pelo Congresso Nacional, baseado em três pilares – qualidade e produtividade, financiamento e regulação e contratos.
Inovação e alianças

Richele afirmou que a inovação depende da criação de alianças com startups, universidades, ecossistemas, empresas, investidores e a sociedade em geral, entre outros atores, e que é preciso criar programas, processos e projetos para encontrar, desenvolver e propor produtos e soluções inovadoras. A diretora da Fetranspor destacou os aspectos que envolvem a nova mobilidade, como: serviços compartilhados, tecnologia veicular, mobilidade individual, novos negócios, big data, novos meios de pagamento, fidelização do cliente e inovação. Sobre as tendências dessa nova mobilidade, Richele ressaltou os aplicativos, os veículos autônomos, o efeito Uber, o aumento dos carros elétricos, a exclusão dos carros a diesel, a facilidade de pagamento e carros e caronas compartilhados.

O tema “nova realidade do transporte” também foi defendido pelo CEO do Corredor Insurgentes S.A. de C. V. CISA, Jesús Padilla Zenteno, e pelo gerente corporativo de Relações Técnicas Institucionais da Metropol, da Argentina, Luciano Fusaro. A moderação coube ao diretor de Advocacia e Divulgação da Associação Internacional de Transporte Público (UITP), Dionisio González. A abertura do Congresso ficou a cargo da chefe do Governo da Cidade do México, Claudia Sheinbaum Pardo; de Jesús Padilla Zenteno, que também é presidente honorário da Associação Mexicana de Transportes e Mobilidade (AMTM), e do presidente efetivo da entidade, Nicolás Rosales Pallares.

 

Números na pandemia

O tema da palestra ministrada por Eunice Horácio no Comus 22 foi a crise do transporte público por ônibus no Brasil, agravada pela pandemia da Covid-19. Eunice falou sobre a evolução da demanda no Rio de Janeiro durante a pandemia e também sobre o círculo vicioso do transporte público. Segundo a gerente, entre março de 2020 e junho de 2021, a perda do setor, no Brasil, chegou a R$ 16,709 bilhões. Nas primeiras semanas da pandemia, o segmento perdeu, em média, 80% dos passageiros e, em junho de 2021, a perda foi de 43,7%. Além disso, cerca de 60 mil postos de trabalho foram extintos, num setor que gera 1,8 milhão de empregos. No Rio de Janeiro, a demanda das linhas intermunicipais caiu 76% e a das linhas municipais da capital, 71,5%. “As projeções da demanda mostram que o número de passageiros não retornará aos níveis registrados antes da crise, nos próximos anos”, afirmou Eunice.

Entre as soluções propostas, destacou: novos modelos de contratação de serviços para garantir a segurança jurídica; investimento em infraestrutura, com a criação de corredores e faixas exclusivas para ônibus e sua manutenção contínua; sistema de informação de mobilidade urbana; novas fontes para cobrir os custos da operação e garantir a chamada tarifa de remuneração; e investimento em qualidade e produtividade, incluindo transparência, gestão da demanda, protocolos sanitários, comunicação com a sociedade, capacitação de pessoal, racionalização, inovação e normas de eficiência. Segundo Eunice, é preciso trabalhar por uma mobilidade estruturada em sistemas de transporte coletivo bem projetados e complementados pelos serviços que surgiram nos últimos anos e que não competem entre si. E também definir uma agenda sustentável e uma melhor governança.

 

A nova mobilidade

Outros assuntos discutidos no Congresso foram as mudanças causadas pela pandemia, como aumento do consumo digital e de atividades em home office, pessoas saindo das cidades para viver no campo e um novo conceito de mobilidade e cidade, a partir de agora. O evento também tratou do crescimento da população, com habitantes cada vez mais individualizados; da necessidade de distanciamento de segurança e de um transporte mais eficiente; da possibilidade da existência de cidades sem carros, transporte a domicílio, entre outros temas.

O evento contou com mais de 100 palestras, em 10 salas de debates, e reuniu profissionais e especialistas de cerca de 20 países, para trocarem ideias sobre a revolução nos sistemas de transporte, o planejamento urbano e as tendências de mobilidade sustentável.

Comente aqui

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *