Dos vídeos para a vida real: O menino Ryan se apaixonou por ônibus aos três anos assistindo a vídeos na internet

07/12/2021 |

Ele tinha apenas três anos quando descobriu um canal no Youtube, chamado “Little Baby Bum”, com vídeos de músicas infantis dubladas para o português. Entre esses vídeos, alguns traziam canções sobre ônibus, como “As rodas do ônibus” e “Ônibus festeiro”. Foi assim que nasceu a paixão do pequeno Ryan Cruz de Andrade Silveira, agora com seis anos, por esse veículo de transporte público que circula pelas cidades levando as pessoas aos destinos desejados.

“Ele ficava cantando ‘as rodas do ônibus giram, giram, pela cidade…’ e começou a se apaixonar. Passava por um fiscal de ônibus e a gente tinha que parar para tirar foto”, conta a mãe de Ryan, Gleice Cruz de Andrade da Silveira, 36 anos, dona de casa. “Tem um ônibus de um supermercado aqui em São Gonçalo, com uma linha grátis, que leva os clientes para fazerem compras. O motorista adorou o Ryan e, no Natal, deu uma miniatura de presente para ele”, lembra Gleice. Numa outra ocasião, conta a mãe, em um ônibus da Viação Pendotiba, o menino começou a conversar com o motorista e pediu para tirar uma foto sentado em sua cadeira, na direção do veículo. Pouco tempo depois, esse motorista mandou fazer uma réplica de um ônibus da empresa para o Ryan.

MOMENTOS MARCANTES
Essa paixão do pequeno já lhe rendeu momentos marcantes na vida, como uma visita à empresa Nossa Senhora do Amparo, de Maricá – RJ, e uma festa de aniversário sobre o tema. Além disso, Ryan foi responsável por conseguir um emprego para o pai, Luzinaldo da Silveira, 50 anos, como servente, na empresa Rio do Ouro, do mesmo grupo da Amparo.

“Quando ele visitou a empresa (em junho de 2019), as pessoas de lá se apaixonaram por ele. Aí, perguntaram o que o pai fazia e ele disse que tinha trabalhado como gerente de uma loja, mas estava desempregado, e que queria muito que o pai trabalhasse ali na empresa. Depois, eu levei o currículo e ele foi chamado. Trabalhou lá durante quase dois anos. Só saiu porque o serviço era de noite, ele chegava de madrugada em casa e era muito perigoso”, lembra Gleice. Atualmente, Luzinaldo trabalha em construção civil.

Foi aos quatro anos que Ryan conheceu a garagem da Nossa Senhora do Amparo. “Ele estava muito obcecado com coisas de ônibus. A gente tinha que ficar parando nos lugares pra ele tirar foto, entrar nos ônibus para falar com o motorista… Então, um motorista me deu a ideia de ligar para a Amparo e pedir para agendar uma visita. Como eles já faziam visitas de escolas, a assistente social colocou o nome dele para o dia em que iriam alunos de uma escola de Maricá”, conta a mãe.

“Ele ficava cantando ‘as rodas do ônibus giram, giram, pela cidade…’ e começou a se apaixonar. Passava por um fiscal de ônibus e a gente tinha que parar para tirar foto”
Gleice Cruz de Andrade da Silveira, mãe de Ryan

VISITA À NOSSA SENHORA DO AMPARO
Durante o passeio à empresa, um ônibus percorreu toda a garagem com as crianças a bordo, passando inclusive pelo lava-jato. Outro veículo, que ainda não havia entrado em operação, foi mais uma atração para a garotada. Segundo Gleice, o Ryan entrou no ônibus e mexeu em tudo que podia. No final, as crianças receberam vários brindes e o pequeno apaixonado ganhou uma miniatura exclusiva de um ônibus da empresa. “Lá, na Amparo, tem uma sala com miniaturas de ferro, réplicas dos ônibus, que mostram a evolução da empresa, mas que não podem sair dali. Depois do passeio, chamaram o Ryan num canto e um moça deu uma miniatura pra ele. Até os motoristas ficaram olhando, porque ninguém tem”, disse a mãe.

De acordo com Gleice, Ryan não esquece o dia dessa visita. “Quando chegamos em casa, ele parecia não estar acreditando. Ficava com a mão no rosto, boquiaberto e não conseguia dormir. Ele só me beijava e dizia: ‘mãe, obrigado. Eu amei esse passeio’. Era o sonho dele. E ele diz que quer voltar lá, mas, devido à pandemia, parece que as visitas estão suspensas, por enquanto”.

“Na Amparo, chamaram o Ryan num canto e uma moça deu uma miniatura pra ele. Até os motoristas ficaram olhando, porque ninguém tem”
Gleice Cruz de Andrade da Silveira, mãe de Ryan

FESTA DE ANIVERSÁRIO E ÔNIBUS DE BRINQUEDO
A festa de aniversário de quatro anos do Ryan só poderia ser sobre ônibus. Não havia outra opção possível. “Ele me pediu um bolo que tivesse um ônibus de açúcar em cima, um semáforo que acendesse e apagasse, um ponto de ônibus e uma pista. Foi muito engraçado, porque ele ia falando tudo que gostaria que tivesse na festa e eu ia anotando”, lembra Gleice, que saiu à procura de itens para fazer a decoração, mas não encontrou nada sobre o tema nas lojas. “O Ryan é filho único e foi muito esperado. Então, eu tento fazer o máximo que posso por ele. Como não encontrei nada pronto com o motivo da festa, eu mesma tive que fazer tudo”, afirma. “A mamãe pegou uma caixa de guardar brinquedo que eu tenho, no formato de um ônibus, furou o farol e colocou luzinhas”, lembra orgulhoso o menino. Para Gleice, a felicidade de Ryan, que ficou estampada no olhar e no sorriso, valeu todo o esforço.

O quarto do pequeno tem ônibus para todo lado e de todas as cores e modelos. Tem alguns que cantam, outros que acendem luzes, outros feitos de papel. Tem para todos os gostos. Sobre quantos ônibus de brinquedo possui, ele diz: “Ihhhh, perdi a conta. São tantos…”. Nos seus aniversários, todos os convidados o presenteiam com ônibus. “Ninguém dá roupa ou outro tipo de brinquedo”, explica Gleice. Ela contou também que uma funcionária da Amparo mandou pelo pai do Ryan, quando ele ainda trabalhava na Rio do Ouro, uma cartela com vários ônibus de papelão para montar, que ela havia ganhado em um seminário. “Ele adora brincar com eles. Faz aquela carreira de ônibus, a gente olha e parece que ele está em outro mundo, imaginando um monte de coisas”, completa a mãe.

Questionado sobre o que quer ser quando crescer, Ryan não pensa duas vezes: “quero ser motorista de ônibus. Mas, não acho muito fácil porque tem que trocar as marchas. Tem que segurar o volante com uma mão e usar a outra pra passar a marcha. É… pode ser fácil, sim. Mas, tem que ter cuidado na pista”, disse. E quando perguntado sobre o motivo de gostar tanto de ônibus, Ryan finaliza a conversa dizendo simplesmente: “é grande”.

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