E-commerce de passagens: crescimento à vista

27/11/2020 |

Somente em 2020 surgem três plataformas para venda de passagens de ônibus

No Brasil, apenas 10% das passagens de ônibus rodo viários são vendidas de forma digital. A previsão, porém, é que esse índice possa chegar a 29% em 2023, de acordo com o estudo E-Rodoviário, desenvolvido pela ClickBus, plataforma de venda de passagens on-line criada em 2013. Não por acaso, cada vez mais empresas estão sendo criadas para atuarem nessa área. Somente este ano, três novos negócios foram abertos para realizar o e-commerce de passagens de ônibus.

A Rappi, plataforma de delivery de comidas, bebidas, farmácia e mercado, criou em outubro a Rappi Travel, uma nova funcionalidade do aplicativo de entregas para a venda de passagens de ônibus. E, para oferecer mais opções aos clientes, a Rappi Travel se juntou à ClickBus, que já conta com cerca de 140 empresas e mais de 4 mil destinos em seu portfólio e oferece a opção bilhete eletrônico, pelo celular, através de QR Code. Com a união, as passagens disponibilizadas no site e no aplicativo da ClickBus também podem ser compradas no aplicativo da Rappi. De acordo com o head de Parcerias da ClickBus, Marcel Bianchi, esta é uma maneira de oferecer mais vantagens aos usuários e facilitar a compra de todos os produtos de turismo, por intermédio de apenas um app. “Com essa parceria, damos mais um passo rumo à democratização e capilaridade de venda de passagens de ônibus pela internet”, explica. Para Guido Becher, head da Rappi Travel “a Clickbus é um aliado inovador, líder no segmento rodoviário no Brasil, que nos permite oferecer uma grande variedade de produtos de ônibus a todos os nossos clientes”.

A Mobifácil foi mais uma plataforma lançada no mês de outubro, a partir da parceria entre três grupos do setor de transporte – Grupo Comporte, CMP e Itamarati –, para realizar vendas de passagens on-line. São mais de 700 destinos pelo Brasil, operados por 11 empresas de ônibus. Entre as vantagens da nova concorrente estão o não pagamento da taxa de conveniência e o fato de não precisar retirar a passagem no guichê. O cliente recebe o tíquete no celular e embarca direto no ônibus com um QR Code, evitando fi las e otimizando o tempo de viagem. “É preciso reconhecer que as empresas de transporte precisavam simplifi car a vida dos seus passageiros, a exemplo dos aplicativos para pedir comida ou de compras pela internet. Vamos oferecer uma tecnologia simples e gratuita para a compra de passagem de ônibus e embarque sem bilhetes de papel”, afi rma Carlos Andrade, diretor de Tecnologia e Inovação do Grupo Comporte.

RECONHECIMENTO FACIAL
Criada pela JCA, holding que reúne as viações 1001, Cometa, Catarinense e Expresso do Sul, entre outras, a startup Wemobi, chegou ao mercado em julho passado, como uma nova transportadora, mas com o objetivo de oferecer aos clientes das demais operadoras da holding uma experiência totalmente digital e de baixo custo na compra de passagens rodoviárias. A proposta é similar à adotada por companhias aéreas: quanto antes o consumidor comprar, mais baixo será o preço. Todo o processo é feito on-line, desde a compra do bilhete até o embarque, quando é possível utilizar o reconhecimento facial ou QR Code para entrar no veículo. A empresa também permite a escolha de diferentes pontos de embarques nas cidades de origem e destino, com o objetivo de facilitar o deslocamento do cliente.

A primeira rota lançada pela Wemobi foi o trecho Rio de Janeiro x São Paulo, com passagens de horários noturnos, vendidas cerca de 20 dias antes da viagem, a R$ 19,90 para veículos executivos, e R$ 39,90 para os semileitos – uma passagem convencional, pela 1001 ou Cometa, para o mesmo trajeto está custando aproximadamente R$ 110. Já em agosto, a plataforma ampliou sua operação incluindo os trechos Rio x São Paulo x Rio e São Paulo x Belo Horizonte e passou a oferecer também partidas diurnas, às 10h, quatro vezes na semana. Segundo o diretor executivo, Ricardo Trevizan, a chave do modelo é o maior número de pessoas por trecho e, por isso, as viagens são feitas em ônibus de dois andares, com 68 lugares cada. O objetivo é operar parte das rotas do Grupo JCA em 2021.

 

É possível utilizar o reconhecimento facial ou QR Code para entrar no veículo

 

GESTÃO INTUITIVA
Outra importante empresa do segmento de vendas de passagem de ônibus on-line, a Guichê Virtual, lançou uma novidade no mercado há dois anos: o Guichê Pass, de vendas e gestão intuitiva para empresas de ônibus, que pagam apenas pelo que utilizam, de acordo com o plano escolhido. A plataforma não exige instalações nem atualizações manuais e conta com relatórios e dashboards. Entre os destaques do Guichê Pass está a integração com o BP- -e (Bilhete de Passagem Eletrônico). As empresas também podem utilizar o aplicativo Venda Embarcada, criado para melhorar o controle de vendas realizadas dentro do ônibus. A Guichê Virtual foi fundada em 2013 e conta atualmente com a parceria de mais de 150 empresas de ônibus, com rotas para aproximadamente 5 mil destinos dentro do Brasil e para a América do Sul (Buenos Aires, na Argentina, e Santiago, no Chile, por exemplo).

No e-commerce de passagens de ônibus, a Rodoviária Online foi pioneira. Fundada em 2006, conta com mais de 5 mil destinos, através de parceria com cerca de 130 empresas de ônibus. Já a Quero Passagem foi criada em 2013 e hoje também atende 5 mil destinos, operados por mais de 150 empresas. Também disponibiliza os portais Quiero Autobus (em espanhol) e o Brazil Bus Travel (em inglês), para estrangeiros que moram ou visitam o Brasil. Neles, é possível pagar com cartões internacionais e não é necessário ter CPF para realizar uma compra. Outra opção de vendas on-line de passagem de ônibus é a Vou de Bus, parceira de mais de 95 empresas no Brasil. Vale lembrar que várias transportadoras, através de seus portais, fazem a própria gestão de venda de passagens on-line.

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