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Engenheira da Semove defende estudo de simulação viária para município de Belford Roxo

Um estudo que utilizou a simulação de tráfego no município de Belford Roxo, na Região…

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Por Redação Revista Ônibus • 18 de dezembro de 2025
  • Analisando os pontos principais da matéria...

Um estudo que utilizou a simulação de tráfego no município de Belford Roxo, na Região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro, para testar soluções de mobilidade urbana, foi o tema do artigo técnico apresentado, dia 28 de outubro, pela engenheira de Transportes da Semove, Nanny Caroline Ribeiro, no Arena ANTP 2025, realizado no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

O trabalho, desenvolvido pela própria engenheira, em parceria com a diretora e a gerente de Mobilidade Urbana da Federação, respectivamente Richele Cabral e Eunice Horácio, utiliza o software Aimsun, que permite reproduzir em ambiente virtual o comportamento real de ruas e avenidas de cidades diversas. “A simulação de tráfego e seus cenários de teste possibilitam elaborar propostas de mobilidade urbana eficazes, fundamentadas para solucionar os maiores pontos críticos de uma cidade”, explica Nanny.

 

Transporte e infraestrutura

Belford Roxo possui uma das maiores populações da Baixada — cerca de 483 mil habitantes, segundo o último Censo do IBGE, realizado em 2022 — e um perfil de cidade-dormitório, com grande parte dos moradores trabalhando em municípios adjacentes ou no Rio de Janeiro e voltando para casa apenas para dormir. O estudo apurou que o sistema de transporte público do Município é composto pelos modos ferroviário e rodoviário, com o ônibus sendo predominante na vida dos cidadãos. O transporte intermunicipal se destaca, com 92 ­linhas em circulação. Por outro lado, são apenas duas linhas municipais operando.

Quando o assunto é infraestrutura, o trabalho mostrou que Belford Roxo conta com três terminais de ônibus e nenhuma via com tratamento preferen­cial para a circulação do transporte coletivo, impactando no tempo de viagem de seus passageiros. Também não há integração física e operacional entre os sistemas intermunicipal e municipal. Já a integração tarifária consiste apenas no Bilhete Único Intermunicipal, que permite ao passageiro utilizar até dois modos de transporte, um deles obrigatoriamente intermunicipal, no período de três horas, pagando o valor máximo de R$ 9,40.

 

Pesquisas e levantamento de dados

Segundo Nanny, durante meses, foram realizadas pesquisas de campo, de origem-destino, contagens de veículos e levantamentos fotográficos nas principais vias do centro de Belford Roxo. O diagnóstico revelou uma série de problemas, como estacionamento irregular, falta de sinalização adequada, transporte clandestino e pontos de embarque sem acessibilidade. Também foram analisados os dados do transporte público da cidade. “Observamos locais de embarque e desembarque em áreas inadequadas, ausência de segurança viária e gargalos que comprometem a fluidez do tráfego”, relata a engenheira.

Nanny revelou que, a partir das pesquisas e dados coletados, foram criados quatro cenários de simulação de tráfego para testar diferentes propostas para a reorganização viária. “As soluções iam desde ajustes pontuais na sinalização até reestruturações completas de circulação nas vias centrais. Essas simulações permitiram prever o impacto de cada intervenção antes da execução, o que garante mais precisão e eficiência no planejamento”, explicou.

Abrangência das linhas de ônibus municipais e intermunicipais | Modos de transporte na área de estudo

 

Cenários analisados e resultados

A engenheira contou que, entre os cenários analisados, dois se destacaram: um que propõe uma reestruturação completa da circulação viária em toda a área de estudo, revisando os fluxos viá­rios, reorganizando a dinâmica do tráfego e melhorando a integração entre os diferentes modos de transporte, e outro que adotou uma metodologia focada em readequações pontuais, dirigidas às áreas mais críticas. “A proposta mais pontual apresenta indicadores superiores ao desempenho do cenário atual. É uma solução menos complexa do que uma restruturação completa e com boa relação entre esforço de implantação e ganhos operacionais”, defendeu Nanny.

Segundo a engenheira, encontrar soluções que sejam viáveis operacional e economicamente é o que separa a boa ideia da implementação e define a escolha final para otimizar e aprimorar o sistema de mobilidade urbana da região central do município de Belford Roxo. Essa escolha deve estar alinhada aos objetivos do projeto, à capacidade de execução e à aceitação das mudanças por parte dos usuários e demais públicos, considerando sempre a relação custo-benefício e os impactos a longo prazo.

De acordo com as autoras do artigo, os benefícios vão além da melhoria do trânsito: “a reorganização da circulação viária pode estimular o comércio local, reduzir o consumo de combustível e diminuir a emissão de poluentes, contribuindo para uma mobilidade mais sustentável”. Nanny, Eunice e Richele acreditam que o caso de Belford Roxo pode servir de exemplo para outras cidades da Região Metropolitana e do País.

Rede elaborada no Aimsun | Análise comparativa gráfica - cenário atual x cenário 04
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