Grupo Águia Branca mantém reserva ambiental no Espírito Santo
São mais de 800 espécies de plantas e animais protegidos e mais de 2.200 hectares…
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São mais de 800 espécies de plantas e animais protegidos e mais de 2.200 hectares de área
Oque uma reserva ambiental, com muita fauna, flora, água e biodiversidade, numa área de preservação da Mata Atlântica, no município de Vargem Alta, na região de montanhas do Espírito Santo, pode ter a ver com o setor de transportes por ônibus? Criada em 2017, a Reserva Águia Branca é mantida pelo Grupo Águia Branca, que reúne empresa de logística, de venda de carros e caminhões e a Viação Águia Branca, de transportes rodoviários de passageiros.
A Reserva ocupa mais de 2.200 hectares, protege mais de 800 espécies de plantas e animais, alguns deles raros e ameaçados de extinção e, junto aos parques estaduais de Forno Grande e de Pedra Azul, forma um corredor ecológico, constituindo importante bloco florestal no estado do Espírito Santo. Além de toda a importância para a conservação da biodiversidade, o local protege 14 cursos d’água, que contribuem para a disponibilidade hídrica da bacia do Rio Itapemirim, a principal bacia hidrográfica do sul capixaba.
Estratégia e sustentabilidade
Segundo a head de Sustentabilidade do Grupo Águia Branca, Adriana Denadai, a criação da Reserva é resultado de uma visão estratégica associada à sustentabilidade do Grupo. “A preocupação com o meio ambiente sempre guiou a gestão dos negócios, com atenção especial para o uso responsável dos recursos naturais e para o impacto das nossas operações. Entretanto, a instituição da Reserva vislumbra uma contribuição maior, ao direcionar os esforços para o desenvolvimento local das comunidades vizinhas e buscando ser referência em boas práticas sociais e ambientais”, diz.
A propriedade foi adquirida pelo Grupo Águia Branca em 2007. “Era uma fazenda com algumas atividades agrícolas, mas grande parte (mais de 85%) já estava em regeneração florestal há mais de 30 anos. Ao ser reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), em 2017, as áreas cultivadas também passaram a ser restauradas”, explica Denadai. Isso significa que sua cobertura vegetal está amplamente preservada: 91% dela são compostos por florestas primárias ou em estágios avançados de regeneração e 76,3% de sua área estão classificados como RPPN.
Isso significa que a unidade de conservação é mantida pela iniciativa privada com o objetivo de preservar a diversidade biológica da região. Segundo Denadai, “a Reserva foi criada com o objetivo de proteger um dos maiores remanescentes florestais de Mata Atlântica da região montanhosa do estado do Espírito Santo e a biodiversidade associada, garantindo a conectividade com outras unidades de conservação e outros fragmentos remanescentes, a proteção dos recursos hídricos e contribuindo para o desenvolvimento territorial em bases sustentáveis”. Sua criação, portanto, conforme esclarece Adriana, está baseada no fato de que essa área florestal abriga uma quantidade significativa de espécies ameaçadas de extinção, endêmicas e/ou com distribuição restrita.
Fauna e flora preservadas
Na fauna, 29 espécies ameaçadas de extinção são protegidas pela Reserva Águia Branca, com destaque para a ave saíra-apunhalada (Nemosia rourei), que permaneceu mais de 50 anos sem registros, chegando mesmo a ser considerada extinta, até ser redescoberta em 1998. “Atualmente, ela está categorizada como criticamente ameaçada de extinção, tanto em âmbito nacional quanto mundial, e pode ser considerada uma das aves mais raras do mundo. Toda população conhecida da espécie está restrita às regiões montanhosas do Espírito Santo”, revela Denadai. A abelha uruçu-capixaba (Melipona capixaba) é outra espécie ameaçada de extinção, presente somente em florestas nas montanhas capixabas, que pode ser encontrada na Reserva. O local é refúgio ainda para a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus), o sagui-da-serra-claro (Callithrix flaviceps), a onça-parda (Puma concolor), a jaguatirica (Leopardus pardalis), a pererequinha (Dendropsophus ruschii) e as pererecas endêmicas do Espírito Santo, Scinax kautsky e Scinax heyeri.
Na flora, a Reserva abriga 18 espécies ameaçadas, com destaque para a palmeira-juçara (Euterpe edulis), espécie de grande importância para a fauna e de enorme potencial agroeconômico regional, conforme explicou Denadai, e para o jequitibá-rosa (Cariniana legalis), considerada a árvore símbolo do Espírito Santo.
O presidente do Grupo Águia Branca, Renan Chieppe, defende que a Reserva é um importante legado a ser deixado para as futuras gerações. “Por meio da Reserva, firmamos um compromisso com o futuro e estamos extremamente felizes pela oportunidade de compartilhar essa área belíssima, que temos orgulho de cuidar enquanto promovemos a reconexão das pessoas com a natureza”, afirma.
Hotel, visitas, eventos e educação
Toda a gestão da Reserva é realizada por equipe técnica especializada, com parceria de diversas instituições locais, como prefeituras, órgãos ambientais e instituições de ensino, pesquisa e extensão. Além dos programas de manejo e da proteção de diversas espécies, o local foi aberto à visitação pública em 2019, permanecendo um período fechado, devido à pandemia da Covid-19, e reabrindo em julho de 2022. Dentro da Reserva Águia Branca, funciona o Eco Lodge Natureza, hotel que complementa a infraestrutura para visitação e eventos realizados no local. Este ano, já foram investidos mais de R$ 15 milhões em sua reforma.
As visitas demandam agendamento prévio, para que as pessoas possam participar de atividades junto à natureza, como trilhas e observação de pássaros. Há ainda o Programa Ser Mata Atlântica, de caráter permanente, realizado em parceria com instituições locais, e cujos pilares são a formação continuada de educadores ambientais, a criação e inclusão de uma disciplina voltada ao estudo do ecossistema regional e local e ações em escolas municipais e comunidades do município. “Já recebemos 1.316 visitantes. Com a inauguração do Eco Lodge Natureza e a retomada dos programas educativos, estimamos ampliar consideravelmente esse número em 2023”, afirma Adriana Denadai.
Responsabilidade socioambiental
Além da criação e manutenção da Reserva Águia Branca, a head de Sustentabilidade do Grupo Águia Branca, Adriana Denadai, destaca dois importantes programas desenvolvidos pela organização na área de responsabilidade socioambiental – o Amigab e o AB Energias Renováveis.
O primeiro está “alinhado ao propósito de respeitar e cuidar das pessoas. Nasceu em 1998, como programa de voluntariado do Grupo e, mais recentemente, foi transformado em uma plataforma de engajamento social, que integra projetos nas temáticas de educação, saúde, esporte e cultura, realizados nas comunidades vizinhas”, explica Denadai. O segundo foi lançado em 2021, com o “objetivo de gerar energia elétrica limpa para atender às necessidades do próprio Grupo. Seus primeiros projetos contemplam usinas fotovoltaicas no Espirito Santo e em Minas Gerais, além de painéis solares em outras localidades do País. Foram realizados investimentos de mais de R$ 10 milhões para a construção das usinas”, informa a head.