Livro conta a história do vale-transporte no Brasil

08/09/2021 |

Autor destaca principais aspectos da obra, indicada para profissionais de Recursos Humanos

Criado em 1985, pela Lei nº 7.418, como um benefício facultativo a ser concedido pelo empregador a seus funcionários, e tornado obrigatório em 1987, pela Lei n° 7.619, o vale-transporte virou personagem principal de livro. A obra “Vale-Transporte: Uma Conquista Nacional”, de Celso Campello Neto, pela editora Labrador, no entanto, vai além da história do VT e de sua importância social e econômica para o Brasil.

Na primeira parte do livro, o autor se debruça sobre a história dos transportes no mundo, destacando ideias precursoras, como o ônibus de Baudry e o trem de Trevithick, além dos primeiros veículos de motorização elétrica e a combustão. Campello Neto também faz uma breve análise sobre a expansão dos transportes no Brasil e o crescimento das cidades, seus desdobramentos sociais e econômicos, passando por questões como mobilidade, moradia, integração, a chegada da Light, políticas tarifárias e operacionais, e tendo a cidade de São Paulo como principal referência.

HABITAÇÃO X MOBILIDADE
“Durante a pesquisa, a descoberta que mais me surpreendeu está relacionada ao crescimento populacional e à questão da habitação e sua ligação com a mobilidade. Para conseguirem arcar com o custo de moradia, as pessoas começaram a viver em locais cada vez mais distantes dos centros urbanos, onde normalmente estão localizados em presas e empregos. E a mobilidade, que anda lado a lado com as questões habitacionais e o crescimento das cidades, teve que acompanhar. A engenharia de transportes traçou novas rotas e malhas, criou terminais, montou toda uma infraestrutura, que antigamente não era necessária, pra atender essa população mais longe dos centros. Esses adensamentos fizeram com que, por exemplo, a cidade de São Paulo tivesse mais de 50 quilômetros de raio, o que é um negócio absurdo. Num país pequeno, essa distância dará praticamente em outro estado, enquanto aqui está dentro da mesma cidade. No Rio acontece o mesmo”, afirma o escritor.

PROTEÇÃO DA RENDA
E foi justamente nesse cenário, visando beneficiar a população que vivia mais longe de seu trabalho e utilizava duas ou mais conduções para seu deslocamento casa-trabalho, comprometendo grande parte de sua renda com o transporte, que surgiu o vale-transporte. “Antigamente, não havia as tarifas temporais. Você precisava tomar três, quatro conduções pagando o valor cheio de cada passagem. O vale-transporte nasce nesse contexto, para tentar proteger a renda do trabalhador. Ele nasce numa época de crise do petróleo, de inflação galopante, com as pessoas cada vez mais se distanciando do centro e tendo até 30 a 35% dos seus salários comprometidos com o transporte diário”, diz Campello Neto.

Além de proporcionar proteção salarial ao trabalhador, o autor defende que o vale-transporte oferece também mais igualdade nas oportunidades de trabalho. “Antes, as empresas só contratavam quem morasse perto. Com o VT isso mudou um pouco, especialmente devido às integrações. As pessoas passaram a ter mais chances ao se candidatarem a uma vaga de emprego, mesmo morando mais distante”, diz. Outro aspecto está ligado à saúde financeira das próprias empresas de transporte público. “Algumas pesquisas da NTU mostram que o VT, dependendo da região, garante de 35 a 40% do movimento de receita para as empresas de transporte. Então, além de beneficiar o trabalhador, ele é muito importante para o sistema de mobilidade como um todo, porque oxigena as receitas das empresas de transporte”.

BILHETAGEM DIGITAL
É no capítulo quatro – “Valetransporte como conquista nacional” – que o autor explica todo o processo de criação do benefício, incluindo a política tarifária em vigor na época e os aspectos legais. O capítulo cinco é dedicado à bilhetagem eletrônica. São 27 páginas sobre o assunto, onde, de forma didática, Campello Neto esclarece desde o que é o conceito de bilhetagem eletrônica, como o sistema pode facilitar a vida da população, a implantação do bilhete único de São Paulo e sua importância, a comercialização de créditos e recargas, os mecanismos de venda e distribuição, até o futuro da bilhetagem eletrônica e a transição para a bilhetagem digital.

“O futuro do pagamento dos transportes é digital. É você ter seus dados na nuvem e poder usar qualquer tipo de aplicativo – pode ser biométrico (dedo, íris ou face) ou pode ser por um celular, tablete, pulseira, relógio – para pagamento da passagem e liberação da catraca. Você tem o seu cadastro e seus créditos previamente comprados e aprovados e as catracas eletrônicas vão buscar seus dados na nuvem, fazem o reconhecimento pelo aplicativo e liberam sua passagem, além de atualizar as contas digitais. O futuro é poder ter essa conta digital na nuvem”, explica Campello Neto.

O do Rio de Janeiro é um modelo a ser seguido, pela inovação, com a introdução da biometria e de novos aplicativos, com possibilidade de pagamento por QR code e celular. O Rio está encabeçando esses avanços no Brasil”
Celso Campello Neto, Autor do livro Vale-Transporte, uma conquista nacional

O BRASIL E O MUNDO
Sobre a bilhetagem eletrônica, o autor destaca as cidades de Seul (Coreia do Sul), Paris (França) e Londres (Inglaterra) como os primeiros locais com maior volume de transações, onde foi implantada a tecnologia, e o bilhete único em São Paulo, a partir de 2004. “Claro que outras cidades já adotavam, mas numa esfera menor. O sistema de bilhetagem de São Paulo, com 12 mil ônibus, passou a ser o maior do mundo. O do Rio de Janeiro é um modelo a ser seguido, pela inovação, com a introdução da biometria e de novos aplicativos, com possibilidade de pagamento por QR code e celular. O Rio está encabeçando esses avanços no Brasil”.

Quanto ao sistema de transporte, Campello Neto afirma que, “do ponto de vista da integração temporal, do controle de frota, do planejamento de itinerários e do uso do viário público, a Europa dá um banho nas nossas condições”. E acrescenta: “lá, hoje, você sabe exatamente, com tecnologia, a que horas o ônibus, o trem, a barca ou o VLT vão passar. Você não precisa ficar muito tempo nos pontos, nos terminais. Você sabe, de maneira antecipada, como está a lotação, se é melhor sair um pouco mais cedo ou mais tarde. Tudo isso devido às integrações tecnológicas e não só tarifárias. Todas as informações técnicas e operacionais dos meios de transporte vão para a nuvem, através de aplicativo. Os usuários podem consultar os melhores horários, melhores rotas e até os melhores meios para se locomover. E na questão da remuneração, do pagamento de tarifas, lá também está muito mais avançado do que aqui”.

PÚBLICO-ALVO: RH
Na segunda parte do livro, o autor se ocupa em desdobrar, de forma mais técnica, mas também didática, as metodologias e os players envolvidos na emissão, aquisição e distribuição do vale-transporte no cenário atual, propondo caminhos alternativos de avaliação e otimização dos resultados, bem como planos de gestão mais eficazes. São dois capítulos dedicados a esses temas: “Vale-transporte no contexto empresarial” e “O vale-transporte na composição da moderna gestão de pessoal”.

O livro, segundo o autor, tem como principal público-alvo os gestores das áreas de Recursos Humanos das empresas. “Muitas vezes, o profissional de RH não entende como se comporta a mobilidade. Então, tentei consolidar informações técnicas, legais, de mobilidade e de benefícios. Talvez seja o primeiro livro nessa linha. O trabalho de pesquisa foi muito árduo, justamente porque eu não achava referências bibliográficas. Como professor universitário, oriento várias monografias e trabalhos de conclusão de curso e vejo como o material sobre VT é escasso, e não há nada que consolide todos os aspectos ligados ao benefício. Até mesmo o material produzido pelas federações e autarquias dedica-se mais à infraestrutura, trânsito e tarifas. O que eu procurei fazer no meu livro foi oferecer um conteúdo amplo e didático, aliando todos os assuntos, desde os técnicos, aos de engenharia, legais e de gestão, para as áreas de Recursos Humanos”.

SOBRE O AUTOR
Celso Campello Neto é administrador de empresa, engenheiro, professor universitário e palestrante na área de gestão de projetos e operações. Também é CEO da Benefício Certo, empresa de soluções de gerenciamento de benefícios, em especial VT.

SOBRE O LIVRO
Publicado pela Editora Labrador, contém 240 páginas, está a venda a R$ 45,00, nos formatos impresso e digital, em mais de 50 livrarias e sites, como Amazon, Travessa, Martins Fontes, Estante Digital e Submarino.

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