Marcopolo Next: Em busca do futuro da mobilidade

13/01/2020 | Edição nº 108

Criada em setembro deste ano, a divisão de inovação da Marcopolo, uma das maiores fabricantes de carrocerias do mundo, será um dos vetores de transformação da companhia e desenvolverá soluções que facilitem o deslocamento e a conexão das pessoas.

A divisão está focada nos vetores futuros de crescimento da organização, que incluem novos sistemas e serviços de mobilidade. A iniciativa nasceu com o conceito de company builder, ou seja, de construir startups e lançar novos negócios. Também atua na gestão da inovação do grupo e de seus desdobramentos na cultura organizacional, além de fazer a conexão do negócio atual com o futuro da companhia.

“A criação da Marcopolo Next está intimamente ligada ao nosso propósito de melhorar a qualidade de vida nas cidades, por meio de soluções de mobilidade que conectem e aproximem facilmente as pessoas”, diz James Eduardo Bellini, CEO da Marcopolo.

Foto: Divulgação / Marcopolo

Com 70 anos de atuação, a empresa é líder do mercado brasileiro no segmento ônibus, atua nos cinco continentes e seus veículos rodam em mais de 100 países. A Marcopolo Next terá foco global e deverá lançar um olhar para novos modais e negócios além do core business. Entretanto, muitos sistemas poderão estar embarcados nos ônibus, como, por exemplo, serviços envolvendo inteligência artificial e sensoriamento.

Para acelerar as soluções desenvolvidas pela Marcopolo Next, a companhia criou também a Marcopolo Ventures e Capital, que destina recursos à nova divisão e investe em startups e negócios aderentes à estratégia de transformação do grupo.

A Marcopolo Next tem equipes dedicadas e multidisciplinares, além de contar com parceiras tecnológicas para o desenvolvimento de projetos de impacto e potencial disruptivo. As equipes deverão atuar em hubs em São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Caxias do Sul (RS), onde fica a sede da empresa. Também contará com postos avançados no exterior, localizados nos principais ecossistemas de inovação.

Soluções integradas e sob medida – Petras Amaral, Head de Inovação da Marcopolo e responsável pela Marcopolo Next

Revista Ônibus: O que levou a Marcopolo a criar a Next?

Petras Amaral: A mobilidade é um fator crítico, que afeta tanto a nossa qualidade de vida quanto as atividades econômicas e sociais. Queremos atrair as novas gerações e os usuários do transporte individual para a mobilidade coletiva e diminuir o tempo e o custo dos deslocamentos e aumentar significativamente o índice de integração das pessoas nas cidades. Desta forma, também estamos contribuindo para a estruturação das cidades inteligentes.

R.O.: Isso se aplica apenas ao âmbito da mobilidade urbana, ou também nos segmentos rodoviário e de fretamento?

P.A.: As soluções deverão estar integradas a todos os segmentos. Temos o foco de melhorar a qualidade de vida nas cidades com soluções que aproximem as pessoas. Com melhor integração entre os modais, um tempo reduzido entre os pontos A e B. Com isso, nosso foco se volta para a mobilidade.

R.O.: As inovações em mobilidade alteram o funcionamento das cidades e têm uma grande participação do poder público. Como a Marcopolo vai lidar com isso?

P.A.: No caso de mobilidade e novos modais, vamos buscar inovar com base em parcerias que impactem a infraestrutura e a sustentabilidade das cidades. Todos os sistemas de mobilidade do futuro serão muito baseados em parcerias em infraestrutura, material rodante, que é o modal, e de todo o sistema de funcionamento, como o embarque de passageiros. Obviamente o nosso core busines é o ônibus, mas já pensamos que, através destes novos sistemas, podemos evoluir a qualidade do serviço como um todo, com novas propostas para as cidades. Já em serviços de mobilidade, eventualmente alguma solução digital, o foco é atrair as novas gerações do transporte individual para a mobilidade coletiva, diminuindo o tempo de deslocamento e aumentando o índice de integração.

Foto: Divulgação / Marcopolo

R.O.: A Next foi criada há poucos meses, mas já tem alguma Prova de Conceito, Mínimo Produto Viável (MPV) ou portfólio que possa divulgar?

P.A.: Nós temos trabalhado em sigilo, obviamente, mas temos ações já iniciadas em sistemas inteligentes de telemetria, de sensoriamento, capazes de tornar o modal mais inteligente e integrado, e também temos buscado diversificação de modais, ou seja, não atuar somente no ônibus, mas trabalhar também com modais adaptados à necessidade de cada cidade. Como exemplo, temos feito avanços no segmento de trens e criamos a marca Marcopolo Rail, em março deste ano. Focada nesta diversificação de modal, a Next já apresenta diversas soluções, tanto de people mover, que são essas vias elevadas, em que temos parcerias, e também vamos buscar soluções de VLT.

O objetivo é transportar as pessoas, não é fabricar ônibus. Para isso, estudamos cada ecossistema urbano, cada maturidade de cidade, capaz de receber essas soluções. Então vamos fazer um planejamento junto com as cidades, adequando a solução que vamos desenvolver, de preferência com sistemas integrados através de parcerias. Vamos agregar em nosso portfólio, em nosso foco de futuro, novas soluções além das existentes. Vamos continuar evoluindo e continuar inovando também no ônibus, criando soluções de onboarding experiences e trazendo serviços agregados às operações.

R.O.: A Marcopolo atua e tem plantas industriais em vários mercados no mundo, é uma multinacional brasileira, isso facilita a não esperar a tecnologia “chegar”, a pensar o problema para encontrar as soluções?

P.A.: Exatamente. Isso dá a ela condição de escala para inovar entrando em outros mercados, planejando cada um desses projetos de acordo com tendências e necessidades emergentes no Brasil e no mundo.

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