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Mobilidade urbana da Grande Vitória se torna modelo de integração e tecnologia para o País

Sistema de transporte público foi integrado e renovado, com frota de 1.650 ônibus.

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Por Redação Revista Ônibus • 13 de abril de 2026
  • Região Metropolitana da Grande Vitória registrou 179 milhões de passageiros em 2024.
  • Sistema de transporte público foi integrado e renovado, com frota de 1.650 ônibus.
  • Estado investiu em tecnologia, infraestrutura viária e sistema aquaviário para melhorar mobilidade urbana.

A mobilidade urbana na Região Metropolitana da Grande Vitória é considerada uma das referências em gestão de transporte público no Brasil. O pilar de sua estrutura é a integração total do sistema, unificando as operações dos sete municípios dessa localidade (Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica, Viana, Guarapari e Fundão). A transformação, que também inclui renovação de frota, tecnologia, terminais, modal aquaviário e infraestrutura viária, começou em 2019 e se intensificou nos últimos cinco anos. O resultado foi a recuperação e aumento da demanda de passageiros, que vinha sofrendo perdas significativas desde antes da pandemia, e a satisfação da população.

Diferentemente de muitas regiões que ainda lutam para retomar os níveis de usuários pré-pandemia, a Grande Vitória registrou números de recuperação significativos. Segundo o secretário estadual de Mobilidade e Infraestrutura do Espírito Santo e presidente do Conselho Nacional de Secretários de Transporte e Mobilidade (Consetram), Fabio Damasceno, em 2019, o sistema de ônibus transportava 169 milhões de passageiros anualmente. Em 2023, após as primeiras medidas implementadas, o número subiu para 174 milhões e, no ano seguinte, atingiu sua maior marca, 179 milhões.

Em 2025, no entanto, houve uma oscilação para baixo (170 milhões), atribuída à expansão de serviços de transporte de moto por aplicativo, que impactam a dinâmica de cidades menores da Região Metropolitana. Apesar da queda, a demanda ainda permanece
acima do período pré-covid. “Nossa política pública não foca apenas no volume de passageiros, foca principalmente na percepção da qualidade pelo usuário, porque a opção do passageiro pelo sistema é consequência disso”, ressalta Damasceno.

Os primeiros passos

A primeira resolução tomada pelo Estado foi estabelecer o bilhete único metropolitano nas cidades da Região Metropolitana, preparando terreno para a integração total. “Iniciamos uma integração sistemática de toda nossa mobilidade, de todas as operações de ônibus e, a partir de 2021, encerramos qualquer serviço municipal, inclusive na capital”, explica o secretário. A medida arrojada transformou completamente o sistema de transporte na Grande Vitória, que passou a operar com um serviço metropolitano unificado e uma tarifa única 100% integrada, permitindo que os usuários circulem por todos os municípios e entre eles, pagando apenas R$ 5,10 através do Cartão GV.

A modernização do sistema passou por um investimento maciço também na renovação da frota e na inserção de tecnologias mais modernas. Atualmente, o transporte público coletivo conta com mais de 1.650 ônibus. “Hoje, estamos com 70% da frota renovada, com veículos com ar-condicionado, Wi-Fi e motores Euro 6, menos poluentes”, informa Damasceno. Além disso, segundo o secretário, 100% dos ônibus estão equipados com câmeras, que geram mais segurança, e GPS, que permite aos passageiros, através do aplicativo Ônibus GV, prever o horário de chegada dos coletivos nos pontos e programar melhor sua viagem.

Sistema 100% estadual

O modelo adotado no Espírito Santo conta com dois tipos de integração: física, nos terminais, onde o passageiro pode desembarcar de um ônibus e embarcar em outro pagando apenas uma tarifa, e temporal, em algumas linhas de Vitória e Viana, com tempo de uma hora e meia para o embarque no segundo coletivo. Tudo é operado pelo Transcol, um sistema metropolitano de ônibus, integrado e de estrutura tronco-alimentadora, que interliga os sete municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória através de terminais urbanos, estrategicamente localizados. “O Sistema Transcol é totalmente estadual, sendo parte dele subsidiado pelo Governo do Estado e parte pela tarifa paga pelo usuário. Os municípios, como entes da federação que se preocupam com a população, têm o papel de fiscalizar e cobrar”, explica o secretário.

Para garantir a sustentabilidade financeira e a continuidade dos serviços em áreas menos povoadas, o Estado alterou a forma de remuneração das empresas operadoras. Em vez de pagar apenas pela passagem coletada, o governo passou a remunerar por quilômetro rodado, assumindo o risco da demanda para manter linhas essenciais para os moradores, mas deficitárias financeiramente. “O que a gente tem que fazer é atender à população e ter uma boa operação, garantindo a mobilidade das pessoas, independentemente se uma linha é viável ou não”, defende Damasceno.

Para o secretário, o segredo de uma mobilidade urbana eficiente e bem avaliada pelos
usuários é o planejamento a longo prazo. “Entre 2011 e 2014, no primeiro mandato do atual governador, começamos a preparação para essa transformação. Deixamos tudo sem dívida e com 1.550 ônibus. Mas, quando voltamos ao governo, em 2019, encontramos uma frota sucateada e uma dívida de R$ 360 milhões e tivemos que retomar todo o processo de reestruturação”, lembra. E completa: “mobilidade não se faz em um mandato”.

Sistema Aquaviário e infraestrutura

A integração na região da Grande Vitória vai além dos ônibus. Em 2023, foi implantado o Sistema Aquaviário, que conecta Vitória, Vila Velha e Cariacica. As barcas, do tipo catamarã, funcionam totalmente integradas à rede de ônibus, permitindo que o passageiro utilize os dois modais com o mesmo pagamento (R$ 5,10), dentro do intervalo de integração temporal de uma hora e meia. Segundo Damasceno, diferentemente dos ônibus, a operação das barcas é remunerada por hora.

A infraestrutura viária também recebeu intervenções fundamentais para priorizar o transporte coletivo. Foi implantado um corredor exclusivo de ônibus na Terceira Ponte, ligando Vitória e Vila Velha, que passou a ter mais faixas, aumentando a capacidade de fluxo em 40%. Em outros importantes eixos viários da capital foram adotadas faixas exclusivas, reduzindo o tempo de viagem em até 20% nos horários mais críticos. “Resolvemos alguns gargalos de congestionamentos e fizemos o direcionamento de rotas para conseguir alcançar esses resultados”, explica o secretário.

BRT e descarbonização da frota

Agora, o foco da gestão se volta para a expansão da infraestrutura. Estão em andamento as obras do Expresso GV, o primeiro BRT da Grande Vitória, que ligará os municípios de Vila Velha e Cariacica. O corredor contará com 7 quilômetros de faixas em concreto e 12 plataformas, na Avenida Carlos Lindenberg. A expectativa é aumentar a velocidade média dos ônibus, integrando com o Sistema Transcol e o Aquaviário. Além disso, também estão entre os investimentos a reforma de terminais de integração, um deles já está quase pronto, e a ampliação das estações do Sistema Aquaviário. Outro ponto que tem merecido atenção especial é a descarbonização da frota. “Já começamos com os veículos Euro 6 e alguns elétricos e devemos incluir os movidos a biometano. Vamos fazer uma nova leva de renovação de frota, já com foco na descarbonização”, revela o secretário.

Damasceno resume sua visão sobre gestão da mobilidade urbana: “como eu disse, o mais importante é passar confiabilidade à população. Temos que investir em frotas novas, corredores e faixas exclusivos, priorização do transporte público, muita tecnologia, muita informação ao usuário e, no nosso caso, temos ainda os terminais. São medidas fundamentais para que a população possa ter confiabilidade e adotar o transporte coletivo como principal opção de deslocamento, deixando de lado automóvel e moto. Com certeza, a partir dessas medidas, a demanda virá, como acontece em outros países, principalmente na Europa. Aqui, na Grande Vitória, a mobilidade já é um processo”

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