Momento de reflexão

27/11/2020 |


A vida nos reserva momentos de agir e de pensar; outros, de expressar nossas posições, ou de nos recolhermos. Há horas de falar e de ouvir. Não só em nossas vidas pessoais, como nas organizações empresariais, sociais, esportivas, enfim, como atores nesse imenso espaço/palco que é o planeta em que vivemos, temos de cumprir um enredo para cada ato específico da peça encenada.
O mundo encontra-se em momento de puro espanto, em que um vilão inesperado surpreendeu a todos, paralisando cidades, estados e países. Setores econômicos tiveram suas atividades drasticamente diminuídas ou interrompidas, enquanto algumas organizações saíam em defesa dos atingidos pela doença, dos profissionais de saúde e de outros serviços básicos, por meio de doações, da fabricação de itens necessários à montagem de equipamentos como máscaras especiais ou aparelhos de respiração artificial. Tudo parece mudar à nossa volta, enquanto muitos papeis são trocados, rotinas são alteradas e há uma sensação de estupefação no ar.
Em momentos críticos, é preciso que cada um se questione, não só sobre o seu papel na sociedade, mas também sobre o seu momento: é hora de parar, ou de seguir? De descansar, ou arregaçar mangas? De servir, ou ser servido?

 

“O segmento representado pela Fetranspor sabe que tem um papel fundamental no funcionamento das cidades fluminenses. Tem consciência de que não pode parar, para que os outros setores continuem ativos, e a grande maioria da população possa continuar se deslocando para seus afazeres ou acesso a serviços”
Armando Guerra Júnior, Presidente executivo da Fetranspor

 

Como transportador de pessoas, o segmento representado pela Fetranspor sabe que tem um papel fundamental no funcionamento das cidades fluminenses. Tem consciência de que não pode parar, para que os outros setores continuem ativos, e a grande maioria da população possa continuar se deslocando para seus afazeres ou acesso a serviços. Mas entende que se encontra numa encruzilhada, com imensas dificuldades para cumprir seu papel. Medidas emergenciais precisam ser adotadas, para que, dentro de novas regras e padrões, o serviço prestado possa não só ser mantido, mas evoluir em questões como qualidade e segurança.
O momento é, pois, de se reinventar, de buscar soluções conjuntas com os demais agentes da mobilidade urbana e a sociedade em geral. De rever processos internos, enxugar custos e exercer seu papel de fornecedor de serviço essencial, com disposição, empenho e determinação.
Prestar serviço público não quer dizer abrir mão de direitos, ou trabalhar sem retorno financeiro e, portanto, sem condições de investir em melhorias. Significa, sim, oferecer qualidade e receber por ela, cumprindo sua parte em contrato que ofereça segurança jurídica, sem mudanças nas regras pré-estabelecidas. Trata-se de uma missão importante, que dignifica tanto aqueles que dela fazem parte, como a população, que dela se beneficia.
Em período tão conturbado e difícil, o sistema de transporte público brasileiro precisa ser avaliado de forma justa e contar com mudanças estruturais importantes, como novo modelo de financiamento, contratos que proporcionem segurança jurídica, definição clara, para a sociedade, dos papeis do poder concedente e do operador. Afinal, nos momentos de adversidade é que todos aprendemos a superar obstáculos. Os riscos nos fazem crescer e avaliar melhor o nosso próprio valor, e as ameaças fazem com que criemos coragem para enfrentá-las. Como um transportador de pessoas – ou seja, de almas, sonhos, esperanças e emoções as mais diversas – este segmento tem um caminho definido à sua frente. E seu momento é de reinvenção, de aproveitar as oportunidades que a crise encerra, usando as adversidades como estímulo ao desenvolvimento.

 

“Em período tão conturbado e difícil, o sistema de transporte público brasileiro precisa ser avaliado de forma justa e contar com mudanças estruturais importantes”

 

 

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