O vai e vem da imunização dos rodoviários no Rio e em Niterói

02/06/2021 |

Antecipação foi suspensa pelo STF e rodoviários voltaram para o final da fila

Na fila dos 29 grupos prioritários para receber a vacina contra a Covid-19 no Brasil, estão os 678.224 trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros do Brasil. Eles encontram-se na 23ª posição, de acordo com o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO). A estimativa é que 77.279.644 pessoas façam parte dos grupos prioritários para a imunização.

Antes dos profissionais que atuam no transporte por ônibus estão: pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas, pessoas com deficiência institucionalizadas, povos indígenas vivendo em terras indígenas, trabalhadores de saúde, pessoas de 90 anos ou mais, pessoas de 85 a 89 anos, pessoas de 80 a 84 anos, pessoas de 75 a 79 anos, povos e comunidades tradicionais ribeirinhas, povos e comunidades tradicionais quilombolas, pessoas de 70 a 74 anos, pessoas de 65 a 69 anos, pessoas de 60 a 64 anos, pessoas de 18 a 59 anos com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, pessoas em situação de rua, população privada de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, trabalhadores da educação do ensino básico, trabalhadores da educação do ensino superior, forças de segurança e salvamento e Forças Armadas. E depois estão: trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário, trabalhadores de transporte aéreo, trabalhadores de transporte aquaviário, caminhoneiros, trabalhadores portuários e trabalhadores industriais.

MAIS 62% DE MORTES
De acordo com análise do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Novo Caged, ligado ao Ministério da Economia, motoristas de ônibus tiveram 62% mais mortes na comparação entre janeiro e fevereiro de 2020, antes da pandemia, com os mesmos meses de 2021. O sistema coleta, todo mês, informações sobre contratos formais de emprego, incluindo a razão para os encerramentos, sendo a morte um deles. Mesmo sem o registro oficial da causa das mortes, seu aumento entre motoristas de ônibus, comprovado pelo alto índice do Novo Caged, alerta que a pandemia pode, sim, ter sido o motivo.

O início da vacinação, em 17 de janeiro deste ano, acendeu a esperança de volta à normalidade nos trabalhadores de transporte por ônibus. Na edição número 112 da Revista Ônibus, alguns motoristas falaram sobre suas expectativas com a chegada da vacina. Todos acreditavam que logo seriam imunizados. Marcos Vinício Almeida de Araújo, da Rio Ita, chegou a arriscar o mês de março para o início da vacinação dos rodoviários. No entanto, com a dificuldade na aquisição de vacinas pelo governo brasileiro e a capacidade de produção do Butantan e Fiocruz comprometida, em especial pela dependência de insumo estrangeiro, o processo de vacinação ainda está lento no País. E os trabalhadores do ônibus, serviço essencial, tiveram suas expectativas frustradas.

ANTECIPAÇÃO SUSPENSA
O aumento de casos de infectados e mortos entre os profissionais do transporte coletivo por ônibus, no entanto, motivou a classe a buscar uma solução. Em vários municípios do estado do Rio de Janeiro houve ameaça de greve. Após negociação, as prefeituras das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói resolveram antecipar a imunização dos motoristas, seguindo, porém, o calendário de idade do PNO. Assim, no dia 26 de abril, os rodoviários cariocas começaram a receber a primeira dose da vacina. No dia 3 de maio, o mesmo aconteceu em Niterói.

Luiz Carlos Moreira dos Santos, 57 anos, motorista de ônibus da Viação VG Eireli, foi um dos rodoviários do Rio que já conseguiu ser vacinado. Ele recebeu a primeira dose da Astrazeneca, no sábado, 1º de maio. “Fiquei muito feliz, porque a gente trabalha na linha de frente, atendendo todo mundo. Mesmo tomando todo cuidado, com máscara, álcool em gel, lavando as mãos o tempo todo, a gente fica preocupado; até mesmo com a família que ficou em casa. Estando vacinado, após a segunda dose, vou continuar agindo da mesma forma, mantendo os cuidados, mas vou trabalhar um pouco mais aliviado”, afirmou. Em Niterói, Maurillo Lopes Bogado, da Miramar, comemorou exibindo seu cartão de vacinação, que registrava a primeira dose também da Astrazeneca. “Mais uma conquista da categoria, mais uma vitória, rodoviário sendo vacinado. Feliz da vida, fui imunizado”, disse.

Porém, uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, em ambas as cidades, a antecipação da imunização dos trabalhadores do transporte coletivo rodoviário de passageiros. A decisão do STF entrou em vigor no dia 7 de maio. Com isso, os rodoviários voltaram para o final da fila. Agora, é esperar. E se cuidar.

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