Ônibus elétrico: oportunidades e desafios

06/12/2021 |

A eletromobilidade é uma tendência global, quando a preocupação com as questões ambientais ganha as manchetes dos jornais e as telas das TVs pelo mundo afora, e são alvos de movimentos políticos, com ativistas de todas as idades. Automóveis, ônibus e até aviões movidos a eletricidade já estão em circulação ou em fase de testes, despertando a atenção de técnicos, ambientalistas, mídia e população em geral.

Recentemente, estreia da Rivian, fabricante de carros SUV, picapes e caminhonetes elétricas, na bolsa de Wall Street superou resultados de empresas consolidadas, como Ford e General Motors, mostrando que a aposta nesse tipo de veículo é mundial. No Brasil, entre janeiro e outubro deste ano, foram vendidos 1.805 desses veículos, o que caracteriza aumento de 123% em relação a 2020, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Um dos problemas apontados para a utilização dessa fonte energética, o alto custo das baterias, vem sendo motivo de preocupação dos possíveis adquirentes, em em especial no caso de veículos como os ônibus. Para enfrentar a dificuldade, já estão sendo buscadas pelos fabricantes soluções para o seu barateamento e aumento da vida útil. Pensando na reutilização, as empresas Endesa e Urbaser constroem a primeira usina de reciclagem desses equipamentos na Península Ibérica, em Cubillos del Sil (León). A obra deverá estar pronta até o fim de 2023, e sua capacidade de reciclagem será de 8 mil toneladas/ano.

“Há de se implantar infraestrutura de carregamento de baterias nesses espaços urbanos, definir modelos de financiamento e de subsídios que permitam a aquisição desses veículos e outras providências.”

DESAFIOS
Que a solução é muito interessante para o meio ambiente, não resta dúvida. Quando se pensa no transporte coletivo de passageiros, a adoção de veículos elétricos traria queda significativa de emissões pelo setor. Mas, como tudo tem seus prós e contras, colocar essa mudança em prática traz alguns desafios.

Para o poder público, existe a necessidade de criação das condições para que se tenha ônibus de emissão zero, sem ruído e de tecnologia moderna circulando em nossas cidades. Para isso, há de se implantar infraestrutura de carregamento de baterias nesses espaços urbanos, definir modelos de financiamento e de subsídios que permitam a aquisição desses veículos e outras providências. Os operadores também têm questões a serem superadas: a baixa autonomia dos veículos, a necessidade de uma infraestrutura de carregamento nas garagens, o preço das baterias e da energia elétrica são exemplos das dificuldades a serem enfrentadas.

“Quando se pensa no transporte coletivo de passageiros, a adoção de veículos elétricos traria queda significativa de emissões pelo setor”

EXPERIÊNCIAS
Algumas experiências estão sendo feitas no País, para verificar prós e contras na prática. Em São Paulo, em novembro deste ano, a Higer Bus, fabricante chinesa de ônibus elétricos, a TEVX, representante da marca no Brasil, e a SPTrans, órgão que gerencia os transportes da capital paulista, apresentaram o modelo Azure A12BR. Em parceria com as empresas Transwolff (zona Sul), Sambaíba (zona Norte), e Metrópole Paulista (zona Leste), o veículo vai ser testado, inicialmente, em viagens noturnas, com pesos simulando os passageiros, passando por monitoramento técnico, feito por empresa especializada e contratada pela própria SPTrans. Após os resultados desses testes, serão realizadas viagens com os passageiros. O ônibus em testes tem piso baixo total (de para-choque a para-choque), motor traseiro (e não nas rodas), autonomia entre 250 e 270 km, tempo de carregamento de bateria entre 2h30 e 3h, tecnologia 5G e carregadores de celular nos bancos e nas colunas.

Já na cidade fluminense de Niterói, um ônibus Caio modelo Millenium, disponibilizado pelo fabricante, vai circular durante 60 dias, pelos dois consórcios rodoviários da cidade, para análise da operação no dia a dia. O ônibus promete autonomia de 250 km, piso baixo, carregadores de celular e ar-condicionado. Capacidade para 80 passageiros (26 sentados e 54 em pé). A vida útil útil esperada é de 16 anos, com necessidade de troca de bateria aos 8 anos de uso.

A viagem inaugural foi feita pelo corredor Transoceânica, tendo como passageiros o prefeito Axel Grael e seus secretários de Urbanismo e Mobilidade, Renato Barandier, e do Clima, Ronaldo Paez, e o presidente da NitTrans, Gilson de Souza. A intenção da Prefeitura é testar várias tecnologias, para avaliar qual delas melhor se adapta à topografia da cidade e, em 2022, fazer licitação para compra de 40 ônibus elétricos, o que vai representar 5% da frota, com o objetivo final de chegar a 10%. Segundo o prefeito Grael, isso vai ao encontro de seu compromisso climático com Niterói.

Já a Prefeitura do Rio publicou, em outubro, chamamento público para um programa de experimentação de veículos elétricos ou de baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE). Com o nome de Verão Verde, o projeto pretende fazer testes com veículos ambientalmente menos agressivos, em circuito cultural de cerca de 10 km no bairro de Madureira, durante 90 dias. Durante a experiência, não deverá haver cobrança de tarifa à população, e não haverá repasse de bens e recursos públicos, comodato ou doação aos interessados. As atividades realizadas no âmbito do projeto deverão ser totalmente custeadas pelos eventuais parceiros privados. A meta da PMRJ é de substituir 20% da frota do serviço público de ônibus da cidade por veículos não emissores de GEE, até 2030.

MAIS NOVO ÔNIBUS ELÉTRICO BRASILEIRO
Pensando no aumento da eletromobilidade no mundo todo, a Mercedes-Benz do Brasil lançou, na Lat. Bus & Transpublico 2021, evento realizado por NTU e OTM Editora, em ambiente virtual, em setembro deste ano, o seu ônibus elétrico eO500U. Segundo Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing Ônibus, este é o primeiro veículo comercial elétrico da marca, que foi “criado, está sendo desenvolvido e será produzido em nosso País, tanto para o mercado brasileiro, como também para países da América Latina e Oceania”. O ônibus é modelo Padron 4×2, de piso baixo, para carrocerias de até 13,2 metros. Autonomia de 250 km, sistema de recarga plug-in, levando até 3 horas para recarga total. A empresa vai oferecer consultoria especializada às operadoras e aos gestores de transportes quanto ao funcionamento do veículo, infraestrutura necessária à recarga e à gestão de frota de ônibus elétricos.

EXEMPLO DO CHILE
No Chile, como parte de programa nacional criado para fazer face ao cumprimento dos objetivos estabelecidos pela ONU com relação ao clima, os ministérios da Energia, dos Transportes e do Meio Ambiente criaram metas conjuntas de, até 2050, 40% dos carros particulares e 100% dos veículos de transporte público serem movidos a eletricidade. Os primeiros veículos elétricos começaram a circular em 2017, comprados de duas fábricas chinesas diferentes. Atualmente, já existem cerca de 400 coletivos elétricos em operação (a frota total é de 6,7 mil) e Santiago é a cidade com maior frota elétrica fora da China.

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