Ônibus não oferecem maior risco que outros ambientes

30/11/2020 |

Estudo da NTU indica que transporte coletivo não está ligado aos casos de Covid-19

Um estudo técnico inédito, elaborado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) e publicado dia 16 de setembro, mostra não haver evidências de que o número de casos de Covid-19 esteja relacionado ao uso do transporte coletivo por ônibus. O levantamento teve como base o período entre 29 de março e 25 de julho e o cruzamento de dados do Sistema Único de Saúde (SUS) com o número de passageiros transportados em 15 sistemas de transportes públicos por ônibus no Brasil (veja no quadro na página ao lado).

Os sistemas de transporte selecionados para o estudo são responsáveis pela operação em 171 municípios, incluindo capitais e as principais regiões metropolitanas do País, e pela realização de mais de 325 milhões de viagens de passageiros por mês, ou 13 milhões de deslocamentos diários de pessoas. Os números correspondem a 32,5% do total de viagens de passageiros realizadas em todos os 2.901 municípios brasileiros atendidos por sistemas organizados de transporte público por ônibus, segundo dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Já os dados do SUS são disponibilizados pelo governo federal e registram os casos confirmados de Covid-19 para as cidades atendidas pelos sistemas de transporte analisados. Eles foram agregados em semanas epidemiológicas, para que fosse estabelecido o mesmo referencial com a demanda de viagens realizadas por passageiros. No total, foram feitos 255 registros contendo os dados coletados.

MEDIDAS PREVENTIVAS
De acordo com o estudo, nas sete primeiras semanas epidemiológicas (14ª a 20ª) e nas cinco últimas (26ª a 30ª) os níveis de utilização do transporte coletivo estiveram consideravelmente acima dos registros de casos de Covid-19. Já no período entre a 21ª e a 25ª semanas, o número de pessoas contaminadas foi superior ao uso do ônibus. Portanto, apesar do senso comum que tem causado nas pessoas a sensação de que o uso dos ônibus expõe a um maior risco de contágio, o levantamento não identificou evidências que possam atribuir a este meio de transporte o papel de foco de disseminação do novo coronavírus. O risco de contágio dentro do transporte público é o mesmo do que em qualquer outro ambiente que reúne pessoas (supermercados, restaurantes, escritórios, etc.) e pode ser reduzido com a adoção de medidas preventivas, como: obrigatoriedade do uso de máscaras, limpeza diária dos veículos; sistema de controle das pessoas sintomáticas, e aumento dos níveis de ventilação.

“O transporte público por ônibus urbano não pode ser apontado como responsável pelo aumento do número de casos, não há uma relação entre uma coisa e outra. Podemos dizer que o transporte público coletivo urbano é seguro se todos tomarem as devidas precauções”, defende o presidente executivo da NTU, Otávio Cunha. E completa: “todos podem e devem contribuir para que ele se torne cada vez mais seguro, tanto quem usa o serviço quanto quem oferta. Se motoristas, cobradores e passageiros usarem máscara dentro do ônibus e nos pontos de parada, se as pessoas lavarem as mãos antes e depois de cada viagem e evitarem conversar e se os veículos trafegarem sempre com janelas abertas, o risco será baixo”. Cunha também falou sobre a atuação das empresas de ônibus durante a pandemia: “posso afirmar que nossas associadas vêm adotando medidas preventivas, como: obrigatoriedade do uso das máscaras a bordo, higienização regular dos veículos e aumento dos níveis de ventilação”.

Os 15 sistemas de transporte analisados
• Belém – PA (municipal e intermunicipal metropolitano);
• Belo Horizonte – MG (municipal);
• Belo Horizonte – MG (intermunicipal metropolitano);
• Curitiba – PR (municipal);
• Curitiba – PR (intermunicipal metropolitano);
• Fortaleza – CE (municipal);
• Goiânia – GO (municipal e intermunicipal metropolitano);
• Macapá – AP (municipal);
• Natal – RN (municipal);
• Porto Alegre – RS (intermunicipal metropolitano);
• Recife – PE (municipal e intermunicipal metropolitano);
• Rio de Janeiro – RJ (municipal);
• Rio de Janeiro – RJ (intermunicipal metropolitano);
• Vitória – ES (municipal);
• Teresina – PI (municipal).

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