Os heróis do transporte estão vacinados

08/09/2021 |

Rodoviários do estado do Rio são imunizados contra Covid-19

A edição de número 110 da Revista Ônibus trouxe como matéria de capa “Os heróis do transporte – como profissionais desse serviço essencial estão enfrentando a pandemia”. Publicada há pouco mais de um ano, em agosto de 2020, a reportagem mostrou a importância dos trabalhadores do transporte público por ônibus nos primeiros meses da pandemia da Covid-19, quando ainda não havia sido descoberta a vacina contra o vírus e os rodoviários do estado do Rio de Janeiro, mesmo com a insegurança e o medo provocados pela doença, enfrentavam o dia a dia do transporte para garantir a continuidade dos serviços essenciais à população fluminense.

Meses depois, em janeiro de 2021, o Brasil iniciou o processo de imunização com base no Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 (PNO), que apresentava 29 grupos prioritários, um total de cerca de 77 milhões de pessoas, entre idosos, indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombolas, população em situação de rua e privada de liberdade, além de pessoas com comorbdades e enfermidades como câncer, diabetes mellitus, pneumopatias graves, doença renal crônica, doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, anemia falciforme, obesidade, dentre outras, bem como algumas classes profissionais. Os cerca de 680 mil trabalhadores do transporte coletivo rodoviário de passageiros foram incluídos nos grupos prioritários, ocupando a 23ª posição na lista.

LOTES EXCLUSIVO
A Revista Ônibus vem acompanhando o processo de vacinação dos rodoviários do estado do Rio desde então. No começo de julho deste ano, o Ministério da Saúde anunciou o início da distribuição de lotes de vacinas contra a Covid-19, voltados para os trabalhadores do transporte coletivo rodoviário de passageiros urbano e de longo curso, metroviário, ferroviário, aquaviário e caminhoneiros. A medida se deu após intensa atuação da CNT (Confederação Nacional do Transporte) junto ao Ministério.

Motoristas de várias cidades do estado do Rio de Janeiro já receberam ao menos a primeira dose da vacina ou a dose única. Cabo Frio, Maricá, Itaboraí, Araruama, Tanguá, Campos dos Goytacazes, Petrópolis, entre outros municípios fizeram, inclusive, mutirão para imunizar os profissionais de transporte por ônibus. Entre os rodoviários do Estado já vacinados estão alguns dos 11 entrevistados na edição 110, que falaram então dos cuidados tomados para evitar o contágio e da expectativa pelo fim da pandemia. A Revista Ônibus conversou novamente com quatro desses trabalhadores. Eles destacaram a importância da imunização para o seu trabalho e contaram sobre a emoção ao receber a vacina. Confira abaixo o que eles disseram:

MARCOS ANTÔNIO SILVEIRA SILVINO, 46 ANOS, MOTORISTA DA AUTO VIAÇÃO SALINEIRA
“Vacinei sim, graças a Deus, e estou muito feliz por isso. A sensação na hora foi de uma grande conquista. A vacina é muito importante pra gente, porque a gente está à frente de tudo. Somos nós que transportamos os passageiros; e ali (no ônibus) entram pessoas que a gente não sabe se estão contaminadas ou não. Então, nós corremos um risco muito grande. Sendo vacinado, é uma vitória muito grande, porque diminui o risco que a gente corre todos os dias.”

NATANAEL MARCELINO, 48 ANOS, MOTORISTA DA VIAÇÃO CIDADE DO AÇO
“Eu estava com muita ansiedade para chegar esse dia. Quando foi feita a matéria da Revista, eu tinha dito que até março nós estaríamos todos vacinados. Mas não aconteceu, e a gente sabe os motivos. Agora, finalmente, estou bem satisfeito. Vacinei por uma iniciativa da prefeitura municipal de Volta Redonda, que permitiu que alguns motoristas recebessem a vacinação e eu pude fazer parte desse grupo. A classe rodoviária está de frente no dia a dia, transportando vidas. Ser vacinado dá um pouco mais de segurança e tranquilidade pra gente. Mas, todas as precauções têm que continuar: usar máscaras, álcool em gel, evitar aglomerações… E assim vamos nós.”

PAULO VICTOR PINHEIRO, 34 ANOS, MOTORISTA DA VIAÇÃO NOSSA SENHORA DE LOURDES
“Eu tomei a primeira dose, graças a Deus. A sensação foi maravilhosa. A preocupação era chegar na hora e não ter a vacina. Mas, a gente tem que continuar usando máscara e álcool em gel da mesma forma. Até porque o vírus não foi erradicado e já estão vindo mutações dele. Vai ser igual à gripe, todo ano vamos ter que vacinar. O que eu espero é que todos se vacinem e a gente fique mais imune contra o vírus e possa viver a vida com tranquilidade, cada um cuidando da sua saúde, da maneira que anda na rua… Claro que, com a vacinação, a gente fica um pouco mais tranquilo. Mas não pode relaxar. Espero que isso acabe, e a gente possa voltar aos 100% e vencer essa luta.”

MARCO AURÉLIO VARGAS GARCIA, 63 ANOS, MOTORISTA DE FRETAMENTO E TURISMO DA BEL-TOUR
“Nosso setor teve atuação permanente em todo o período da pandemia, por ser uma atividade essencial à sociedade. Por isso, creio que estar com as duas doses completas da vacina gera mais segurança em relação à qualidade de vida, à nossa saúde, à saúde dos nossos familiares e clientes, já que estamos em contato direto com eles. De qualquer forma, mesmo após a vacinação, todos os protocolos de segurança devem ser mantidos.”

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