Os riscos dos clandestinos

27/11/2020 |

Abrati lança campanha de conscientização sobre transporte irregular nas estradas

Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) lançou, no dia 28 de outubro, em coletiva virtual de imprensa, a campanha de conscientização “Sua Vida Vale Mais. Diga Não ao Transporte Clandestino”, de alerta à população sobre os perigos de viajar em ônibus clandestinos. A campanha aproveitou o feriado de 2 de novembro para lembrar que as mortes nas estradas brasileiras tendem a aumentar em feriados nacionais, devido ao grande fluxo de veículos.
Na coletiva, o presidente da Abrati, Eduardo Tude, e a conselheira da Associação, Letícia Pineschi, apresentaram os riscos de utilização do transporte irregular e os números de apreensões de ônibus clandestinos em todo o País. Foram mais de 930 apreensões e mais de dois mil Autos de Infração, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), com cerca de 28 mil passageiros restituídos ao transporte regular, em 2020. Com base em levantamento do Setpesp (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de São Paulo), a Abrati informou que somente naquele Estado são realizadas 6.801 viagens ilegais por mês (81.612 por ano), com 42,5% feitas apenas por um aplicativo. O número de passageiros que colocam suas vidas em perigo é alarmante: mais de 684 mil pessoas.


MOTORISTAS E VEÍCULOS
Um dos graves problemas destacados pela Associação são os motoristas que dirigem ônibus não autorizados pela ANTT. A Abrati alerta que podem ser condutores: sem verificação de antecedentes criminais; sem treinamento para direção noturna ou de longa distância, bem como para veículos tipo leito ou double deck; sem descanso adequado por falta de alojamentos, e sem testagem toxicológica, aferição alcóolica ou de outros medicamentos pré-jornada. “Toda essa irresponsabilidade não apenas coloca em risco a vida de milhões de passageiros em todo o Brasil, mas também ceifa milhares de vidas de outros viajantes que circulam nas rodovias”, afirma Eduardo Tude.
As condições dos ônibus ilegais devem ser outra grande preocupação para os passageiros, pois esses veículos não são autorizados e não passam por vistorias técnicas, conforme exigem as regras da ANTT. Por isso, quando fiscalizados, são apreendidos e deixam os passageiros na estrada. Além disso, os clandestinos não cumprem os protocolos sanitários, comprometendo a saúde dos viajantes, o que é agravado em um momento de pandemia. “É um tiro no escuro. Você entra no clandestino e não faz ideia se o ônibus pode quebrar e causar algum acidente, não sabe se o motorista está preparado para aquele trajeto. A segurança é zero”, afirma Letícia Pineschi.

RIO DE JANEIRO
No Estado do Rio, o combate ao transporte clandestino apresenta números surpreendentes. As autoridades estaduais responsáveis pela fiscalização já apreenderam, somente este ano, 1.300 veículos irregulares, que foram retirados de circulação por fazer transporte de passageiros sem autorização. Esse número é 108% maior que as apreensões registradas em 2019. Somente em setembro, foram 141 veículos irregulares e 346 infrações. Já a ANTT contabiliza, este ano, 72 veículos apreendidos somente nas estradas fluminenses, ou seja, um a cada quatro dias.
Entre as irregularidades encontradas estão má conservação dos veículos, falta de autorização para exercer o transporte de passageiros, documentação irregular, excesso de lotação e ausência de protocolos sanitários contra a disseminação do coronavírus.

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