Biometria facial: tecnologia chega a todos os modais no Rio de Janeiro
Cerca de 70% dos ônibus e 100% das vans já operam com a tecnologia.
- Setram e Mais.Mobi implantam biometria facial em transporte público do Rio.
- Cerca de 70% dos ônibus e 100% das vans já operam com a tecnologia.
- Objetivo é combater fraudes e garantir gestão eficiente do Bilhete Único Intermunicipal.
A mobilidade urbana do Estado do Rio de Janeiro vive um momento de transformação digital com a consolidação da biometria facial em quase todo o sistema de transporte público. O projeto, fruto de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Transportes e Mobilidade Urbana (Setram), incluindo o Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ) no caso das vans, e a Mais.Mobi, empresa de tecnologia e soluções para a bilhetagem, tem como objetivos principais o combate às fraudes e a gestão eficiente do Bilhete Único Intermunicipal (BUI) e dos cartões de gratuidade, bem como do dinheiro público dedicado aos benefícios.
Segundo a coordenadora antifraude da Mais.Mobi, Vanessa Alcântara, o estado do Rio vem se destacando quando o assunto é biometria facial. “A tecnologia já está em operação nos ônibus e nas vans, e também já alcançou os sistemas sobre trilhos e aquaviários, formando uma rede de controle essencial em todos os modais. Dessa forma, o fraudador não encontra brechas nos meios de transporte que ainda não contam com a ferramenta”, explica a especialista.

Cerca de 70% dos ônibus do estado do Rio já estão operando com biometria facial
Implementação nos demais modos de transporte público
Segundo a especialista da Mais.Mobi, MetrôRio, Barcas e SuperVia começaram a implantação da biometria facial recentemente, no final de 2025. Já as vans estão com cobertura total. Em torno de 70% dos cerca de 19 mil ônibus da frota do Estado, tanto do transporte intermunicipal como do municipal das cidades que possuem legislação própria para uso da tecnologia, já operam com a ferramenta; a previsão de finalizar a instalação dos equipamentos nos 30% restantes é até o final deste ano.
O metrô implantou as câmeras nas 11 principais estações com maior movimento, como Del Castilho, Pavuna, Central e Carioca, que representam mais de 50% das transações do modal. Nas barcas, a tecnologia está funcionando, por enquanto, apenas na estação da Praça XV (sentido Rio – Niterói). Mas a empresa já está adquirindo os equipamentos para cumprir o cronograma de instalação em todas as estações até o final de julho deste ano. Na SuperVia, a Central do Brasil tem servido como laboratório para avaliar e garantir que a validação facial seja ágil.
O grande diferencial do estado do Rio frente às outras unidades da Federação se dá com a implantação da biometria facial no transporte complementar operado por vans. “Esse controle no modal van não existia em nenhum lugar do Brasil”, destacou Vanessa, acrescentando que a iniciativa serviu como modelo para outras regiões do País. O Rio foi o primeiro estado brasileiro a implementar a tecnologia em 100% das vans intermunicipais legalizadas. O impacto dessa medida pode ser mensurado em números: somente em 2025, foram identificados e bloqueados 110 mil cadastros do Bilhete Único Intermunicipal por uso irregular.

Metrô já implantou câmeras em 11 estações, entre as de maior movimento
Priorização das vans atendeu necessidade de fiscalização
De acordo com o presidente do Detro-RJ, Raphael Salgado, houve uma decisão de priorizar as cerca de 540 vans que atuam no transporte intermunicipal justamente devido à necessidade de fiscalização mais intensa. O objetivo era o controle mais eficiente da utilização do BUI e da gratuidade nos embarques dos passageiros com direito a esses benefícios. “Nós começamos a entender que havia fraude quando um único veículo registrava volumes de passageiros impossíveis para sua capacidade. Por exemplo, uma van, cuja capacidade máxima são 15 pessoas, estava transportando 70 em menos de duas horas”, destacou. Vanessa informou que o envio mensal de relatório do cartão do BUI pela Mais.Mobi ao Detro, contendo informações de um volume grande de suspeitas de fraude, foi determinante para que o órgão decidisse testar a biometria facial.
Raphael Salgado contou que o processo de implementação desse projeto tecnológico no transporte complementar por van começou com testes em três veículos de modelos diferentes. “A adoção desse tipo de tecnologia nas vans era algo inédito no Brasil. Mas os testes mostraram-se bastante produtivos e indicaram que o sistema funcionava bem. Então, não havia por que retrocedermos. Ao contrário, elaboramos um cronograma de implementação e o publicamos em uma portaria. Com a contribuição da Mais.Mobi, que foi importantíssima desde o início desse processo, e a partir de um estudo realizado pelos engenheiros do Detro, encontramos a melhor forma e o melhor lugar para a instalação das câmeras nos carros. E conseguimos finalizar tudo em outubro do ano passado”, disse.

Vans tem 100% da frota intermunicipal com câmeras instaladas e funcionando
Metas para a frota de ônibus e cruzamento de dados
Embora as vans já estejam totalmente cobertas, o trabalho continua nos demais modais. Quanto aos ônibus, Salgado explica que todas as empresas que operam linhas intermunicipais já foram oficiadas, em especial aquelas cujos itinerários têm destino final no Centro do Rio de Janeiro, que é o foco das linhas provenientes das demais cidades da Região Metropolitana. “A gente acredita que em pouquíssimo tempo todos os ônibus vão estar com a biometria facial em funcionamento”, diz.
A tecnologia de biometria facial permite um cruzamento de dados que vai muito além da simples identificação de uma pessoa através de seu rosto. Segundo Vanessa Alcântara, o sistema é muito importante também para o controle do dinheiro público, que subsidia parte da tarifa do BUI e algumas gratuidades, como a dos idosos. Cabe à Mais.Mobi atuar no monitoramento do uso desses benefícios e encaminhar o relatório com todos os dados referentes à sua utilização. Esse documento possibilita o acompanhamento da demanda de passageiros beneficiados. De acordo com o presidente do Detro-RJ, estudos provenientes desse relatório fornecido pela Mais.Mobi podem ajudar a gerar decisões que beneficiarão os usuários.

Central do Brasil é laboratório de testes da biometria nos trens da Supervia
Biometria como ferramenta de justiça social
O governo estadual concorda que a biometria não é apenas uma ferramenta de fiscalização. Segundo José Antônio Ribeiro, coordenador de Gestão do Bilhete Único Intermunicipal da Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram), trata-se de um instrumento de justiça social. “A biometria no transporte público é uma ferramenta estratégica para o fortalecimento de políticas sociais que impactam positivamente a vida da população. Viabilizada pela evolução da bilhetagem eletrônica, essa tecnologia confere maior inteligência ao sistema, ampliando os níveis de segurança, transparência e equidade, ao assegurar que benefícios e gratuidades sejam utilizados de forma adequada por quem efetivamente tem direito”, afirma José Antônio.
O coordenador revelou que, no caso do BUI, que atende atualmente mais de 1,5 milhão de usuários, os resultados são expressivos. “A implementação da biometria tem sido fundamental para a proteção desse direito, garantindo a correta aplicação do subsídio público, fortalecendo o programa e promovendo uma gestão mais responsável dos recursos, além de reafirmar o compromisso do governo do Estado com a inclusão social e a melhoria contínua do sistema de transportes. Mais do que uma inovação tecnológica, a biometria traduz zelo pelo recurso público e reforça o compromisso com um transporte público mais justo, eficiente e socialmente responsável”.