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Seminário Nacional NTU debate futuro da mobilidade urbana no Brasil

Realizado nos dias 12 e 13 de agosto, no Hotel Royal Tulip, em Brasília, o…

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Por Redação Revista Ônibus • 18 de setembro de 2025
  • Analisando os pontos principais da matéria...

Realizado nos dias 12 e 13 de agosto, no Hotel Royal Tulip, em Brasília, o Seminário Nacional NTU discutiu o futuro da mobilidade urbana no Brasil com foco em sustentabilidade ambiental, inclusão social e governança eficiente, a partir do tema “Rotas para um Transporte Público Mais Sustentável”. O evento reuniu empresários, especialistas representantes das três esferas de governo e de entidades do setor. Paralelamente, foi realizada uma feira de produtos e serviços para o segmento do transporte público urbano.

No primeiro dia, logo pela manhã, em coletiva de imprensa, o diretor executivo da NTU, Francisco Christovam, apresentou o Anuário NTU 2024-2025, que consolida os dados mais importantes do transporte público coletivo por ônibus no Brasil. Em seguida, o presidente do Conselho Diretor da NTU, Edmundo Pinheiro, ao abrir oficialmente o evento, conclamou pela união entre entes federativos, operadores e sociedade para o bem da mobilidade urbana no País. Ainda durante a abertura, o prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, ministrou a palestra master “Por uma Política Nacional de Transporte Público Coletivo”, na qual abordou a necessidade de políticas públicas em todas as esferas de poder, para assegurar o cumprimento do papel do transporte público como direito social e como um serviço essencial, incluindo a garantia de fontes permanentes de financiamento.

 

Tarifa Pública x Remuneração e IA e Gestão de Dados

Os debates técnicos começaram com o painel “Tarifa Pública x Remuneração: como financiar o complemento tarifário”, sobre a modernização das políticas de financiamento e custeio do transporte público coletivo, com separação tarifária e subsídios, visando oferecer acesso universal, continuidade e tarifas módicas para os passageiros, com aumento da qualidade do serviço. A mesa foi mediada pelo diretor de gestão da NTU, Marcos Bicalho, e o tema, defendido pelo secretário de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal, Zeno José Gonçalves, que apresentou um diagnóstico da crise, usando Brasília como estudo de caso.

O segundo painel, “Inteligência Artificial e Gestão por Dados” foi apresentado pelo fundador da consultoria Avex, focada na implementação de IA em empresas, Celso Brandão de Oliveira Filho. Ele destacou que a nova tecnologia que está revolucionando o mundo terá impacto comparável ao da eletricidade, transformando modelos de negócio e influenciando praticamente todas as profissões — 40% delas de forma direta. O palestrante falou sobre os ganhos de produtividade apontados em estudos da Microsoft: até 37% menos tempo para tarefas de escrita, aumento de 40% na qualidade e produtividade dobrada. O painel foi mediado pelo membro do Conselho Diretor da NTU, Murilo Soares Lara.

 

Estudo do BNDES e lançamento do NTU Mulher e Jovem

O terceiro e último painel do primeiro dia de Seminário apresentou o “Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do BNDES”, sobre os projetos de infraestrutura de mobilidade previstos em 21 regiões metropolitanas brasileiras até 2030. A palestra ficou a cargo do representante da área de Soluções para Cidades do Departamento de Mobilidade Urbana do BNDES, Cleverson Aroeira, e teve mediação do presidente executivo da Semove e membro do Conselho Diretor da NTU, Armando Guerra (matéria na página seguinte).

Encerrando o primeiro dia do evento, foram lançados os movimentos “NTU Mulher” e “NTU Jovem”, cujos objetivos são ampliar a diversidade, atrair e engajar novas gerações e valorizar talentos femininos no setor. A diretora de Mobilidade Urbana da Semove, Richele Cabral, e a CEO e fundadora da EKHOA, empresa de promoção de eventos na área de mobilidade, e diretora da Paraty Mobilidade, Luciana Herszkowicz, conduzirão ambas as iniciativas. Após a apresentação dos movimentos, o diretor executivo da NTU, Francisco Christovam, lançou o livro “Transporte Urbano – Origens e Destinos”, que traz um retrato de décadas de trabalho dedicadas ao setor.

Após o encerramento dos trabalhos técnicos do primeiro dia de debates, foi realizada, à noite, a entrega da Medalha do Mérito do Transporte Urbano Brasileiro 2025, que homenageou ­duas personalidades do estado do Rio de Janeiro: João Gouveia Ferrão Neto, na categoria Especial, e o empresário do Rio de Janeiro, Manuel Pereira Teixeira, na categoria In Memorian (matéria na página seguinte).

 

Capacidade de investimento e parceria na redução de emissões

O segundo dia do Seminário começou com o painel “Financiamento: como ampliar a capacidade de investimento no setor”, apresentado pelo superintendente de Infraestrutura do ­BNDES, Felipe Borim Villen, que falou sobre as iniciativas estratégicas conjuntas para o desenvolvimento e fomento a mecanismos regulatórios, legais e contra­tuais fundamentais à estruturação de novos projetos de transporte urbano. Villen também ressaltou que o setor vive um momento histórico, com a iminência da aprovação do marco regulatório e a apresentação do Estudo Nacional de Mobilidade, que “caminham lado a lado para essa revolução na mobilidade”. A mediação foi feita pela vice-presidente da MobiBrasil, Niege R. Chaves.

Antes do último painel do evento, o coordenador do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Insper, Sérgio Avelleda, apresentou o “Estudo Completo da Coalizão dos Transportes – Como Tornar o Setor de Transportes um Contribuidor Ativo para a Redução das Emissões Brasileiras”. Logo em seguida, foi debatido o tema “Inovação Tecnológica Veicular e Transição Rea­lista”, que teve como mediador o membro do Conselho Diretor da NTU e presidente do Sindiônibus de Fortaleza, Dimas Ferreira. Nesse painel, o consultor especialista em transportes, ex-diretor da CNT, Bruno Batista, abordou os caminhos para a redução de emissões da frota nacional e etapas a serem vencidas para uma transição energética rea­lista, frente aos desafios e oportunidades de cada região do País.

 

Encontro de colégios e eventos paralelos

Ao final do Seminário, foi rea­lizado o Encontro dos Colégios de Advogados, de Comunicação e Marketing e Técnico da NTU, exclusivo para associados à entidade. Além disso, ainda no dia 13, aconteceram eventos paralelos, como a Reunião Extraor­dinária do Fórum Nacional de Secretários, Secretárias e Dirigentes de Mobilidade Urbana, o painel sobre tramitação do PL 3287 (Marco Legal do Transporte Público Coletivo), a apresentação do Portal de Boas Práticas em Mobilidade Urbana ANTP, e o Encontro Nacional de Mobilidade e Infraestrutura, juntamente com a 32a Reunião do Consetram. Foram discutidos os temas: “O Papel dos Governos Estaduais na Governança Metropolitana para Transporte Público”, “Infraestrutura Sustentável e Descarbonização do Transporte Coletivo no Brasil”, e “Plano Nacional de Logística”.

 

Armando Guerra media painel sobre estudo de mobilidade urbana do BNDES

O presidente executivo da Semove, Armando Guerra, mediou o painel “Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do ­BNDES”, apresentado durante o Seminário Nacional NTU 2025, dia 12 de agosto, em Brasília. Guerra abriu o debate destacando que a perda média de 40% na demanda nacional de passageiros no transporte por ônibus, que chega a 60% em alguns casos, se deve a fatores como: motorização crescente, impacto da pandemia, concorrência de aplicativos de transporte e ausência de investimentos consistentes em infraestrutura. Ele também ressaltou o aumento dos congestionamentos e dos impactos ambientais, bem como o custo por passageiro, apontando para a necessidade de subsídios. “Sem um diagnóstico con­fiável, não há como priorizar investimentos nem estabelecer um plano de longo prazo que incorpore benefícios sociais à análise econômica”, afirmou.

O levantamento realizado pelo BNDES, em parceria com diversas empresas, foi apresentado pelo representante da área de Soluções para Cidades do Departamento de Mobilidade Urbana do BNDES, Cleverson Aroeira. Foram mapeados mais de 400 planos de investimento já existentes, cruzando informações de matrizes origem-destino, bilhetagem, telefonia celular e simulações de demanda para 30 anos. Isso resultou em 194 projetos prioritários, incluindo BRTs, metrôs e VLTs, que somam 2.400 km de novos corredores e representariam um crescimento de 120% da rede atual.

 

Investimentos de R$ 500 bilhões até 1055

De acordo com o estudo, serão necessários mais de R$ 500 bilhões em investimentos até 2055 para ampliar o transporte público coletivo de média e alta capacidade no Brasil, atingindo 21 regiões metropolitanas com população total acima de 1 milhão de habitantes. A proposta prevê 2.400 km de novos eixos estruturais, cobertura de 40% da população e prioridade para áreas de menor renda. Segundo Aroeira, a etapa seguinte ao diagnóstico é selecionar de 30 a 40 projetos para início de execução em 2026. As projeções indicam que, apenas com a implantação da nova rede, o número de passageiros aumentaria em média 100%. Se forem adotadas medidas como tarifa única, integração modal, redução de custos operacionais e desincentivo ao transporte individual, a expansão pode chegar a 136%. No Rio de Janeiro, subiria de 4,6 para 5,9 milhões/dia.

Para Wagner Colombini Martins, CEO da Logit Engenharia Consultiva, a governança e a transparência serão determinantes para acessar recursos e atrair investidores. Ele destacou que a base de dados do estudo será disponibilizada em plataforma georreferenciada, acessível a governos, universidades e sociedade, e que o uso de inteligência artificial pode ampliar a eficiência operacional. Fábio Damasceno, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Transporte e Mobilidade, alertou para a necessidade de preservar e aprimorar contratos já vigentes.

Ao final, os debatedores concordaram que o “Estudo Nacional de Mobilidade Urbana do ­BNDES” não é apenas um retrato do presente, mas um roteiro para as próximas décadas. Sua execução dependerá de articulação política, segurança jurídica, integração regional e de um compromisso federativo para colocar o transporte coletivo como prioridade central no planejamento das cidades brasileiras.

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