Baixar Mídia Kit

Semove contribui para melhorar mobilidade das cidades fluminenses

Tamoios, em Cabo Frio, é exemplo mais recente do trabalho da equipe técnica da Federação…

Re
Por Redação Revista Ônibus • 19 de setembro de 2025
  • Analisando os pontos principais da matéria...

Tamoios, em Cabo Frio, é exemplo mais recente do trabalho da equipe técnica da Federação

As cidades fluminenses já podem contar com uma ajuda valiosa no seu planejamento de mobilidade urbana. A Semove, Federação das Empresas de Mobilidade do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Diretoria de Mobilidade, presta serviços de cooperação técnica a municípios do Rio de Janeiro com o objetivo de melhorar a mobilidade dessas cidades. É um trabalho de grande importância, de que poucos têm conhecimento.

Uma vez solicitado pela prefeitura e pelo sindicato de empresas de ônibus local, os técnicos da entidade fazem estudos aprofundados, envolvendo trânsito, linhas de transporte coletivo disponíveis, condições de paradas e terminais, desejos de viagens da população e, munidos dessas e outras informações, apresentam projeto para facilitar os deslocamentos e evitar transtornos ­como gargalos de tráfego nas vias, pontos de parada em locais perigosos ou mal iluminados e oferta de transporte em desajuste com a demanda.

Esse trabalho é realizado desde 2012, com serviços prestados para os municípios de Barra Mansa, Cabo Frio, Duque de Caxias, Belford Roxo, Nova Iguaçu, São Gonçalo, Nova Friburgo, Petrópolis, Seropédica e Teresópolis, com impactos positivos para a população. Os acordos são extremamente convenientes e úteis, em especial para cidades de pequeno e médio porte, pois muitas não contam, em suas prefeituras, com equipes técnicas qualificadas para esse tipo de estudo. Assim, o poder público consegue, a um custo mais baixo do que a manutenção, em seus quadros, de equipe de funcionários especializados, atendimento por profissionais capacitados e experientes que, dentro de um tempo predeterminado, analisam a mobilidade dessas cidades, fazem vistoria em campo, com relatório fotográfico, pesquisas de demanda, levantamento dos problemas e oportunidades de melhoria. A equipe apresenta documento com sugestões que poderão melhorar a mobilidade urbana e, consequentemente, facilitar a vida dos cidadãos.

Para citar alguns exemplos, na cidade serrana de Nova Friburgo, houve reestruturação da rede de linhas municipais, com mudança de operação do terminal na região Central: anteriormente fechado, com controle de entrada/saída de passageiros, tornou-se aberto, permitindo que a integração, antes realizada majoritariamente de modo físico, no terminal, passasse a tarifária, possível em qualquer ponto da cidade.

 

Plano de mobilidade de Petrópolis

Na cidade histórica de Petrópolis, foram analisadas algumas regiões, com ênfase na reestruturação da rede de transporte, e em alguns projetos de tráfego, por meio de importante acordo entre Setranspetro (Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Petrópolis) e CPTrans (Companhia Petropolitana de Transportes). Parte dos estudos foi aproveitada no plano de mobilidade do Município. Já em Teresópolis, houve intervenções no tráfego, a fim de otimizar alguns pontos da rede viária do centro da cidade, tais como: adoção de binário, mudança de fluxo de vias, ajustes de sinalização viária e outros. Lá, foi assinado um acordo de cooperação técnica para essas intervenções, e um segundo já está em andamento, visando à melhoria da fluidez do transporte público na região central.

 

Deslocamentos mais fáceis = economia de tempo

Dentre as vantagens percebidas pela população dessas cidades pós-implantação de medidas de racionalização da mobilidade urbana, a principal é a economia de tempo. Essa economia é avaliada não só pelos moradores, pois a qualidade da mobilidade é um dos pontos que valorizam uma cidade e influenciam sua escolha por turistas. Afinal, quem quer enfrentar longos deslocamentos e trânsito lento em seus passeios de fim de semana ou férias? À medida que se destacam e atraem visitantes, é preciso que os espaços urbanos se preparem para evitar problemas como congestionamentos, vias ocupadas por veículos estacionados desordenadamente e outros, que acabam por afastar possíveis turistas, importantes para a economia local. Um exemplo de alterações bem-sucedidas na mobilidade de uma cidade é o trabalho que vem sendo feito em Tamoios, distrito de Cabo Frio com mais de 70 mil habitantes.

 

Cabo Frio: mudanças trouxeram mais vida a Tamoios

O projeto implantado no distrito de Tamoios, na cidade litorânea de Cabo Frio (RJ) provocou uma “revolução” na vida dos moradores, segundo descrição de um deles. Até o ano passado, apenas uma linha, com horários restritos, fazia ligação com os outros bairros. As demais ligavam o distrito ao centro. Após os estudos feitos, porém, foram implantadas seis linhas interbairros (346, 355A, 355 B, 361, 363A e 364), com dois ônibus circulando também na área rural.

A política de mobilidade da Prefeitura da cidade tem foco no aumento da abrangência dos deslocamentos da população, com vistas a incrementar o comércio e o desenvolvimento econômico da região. A operação do transporte coletivo por ônibus em Tamoios passou a ser diária, sem interrupções nos fins de semana ou feriados. O intervalo entre os ônibus é hoje de cerca de 8 minutos. Foi adquirida nova frota pela Viação Salineira, concessionária local, composta por 10 veículos tipo micro-ônibus, equipados com ar-condicionado e elevadores para cadeirantes. Com a aquisição, a facilidade de circulação entre os bairros de Tamoios foi acrescida da melhoria da qualidade do transporte. Outra grande vantagem para a população foi o valor da tarifa, que caiu de R$ 5,00 para R$ 3,00.

Segundo o secretário de Mobilidade Urbana do Município, Josias Rocha de Medeiros, o Josias da Swell, “a implantação de novas linhas de ônibus e a significativa redução da tarifa do transporte público em Tamoios não foram fruto de uma única ação, mas sim de uma combinação estratégica de planejamento, legislação inovadora e parcerias eficazes”. O alicerce legal para a transformação foi a Lei Municipal 4.464, que permitiu a concessão de subsídio tarifário para o transporte público coletivo, permitindo a redução da tarifa. Para o secretário, isso tornou o serviço “muito mais democrático e inclusivo”. Ele chama a atenção para o fato de que o objetivo do subsídio “é assegurar a gratuidade para determinados grupos e a modicidade tarifária para a população em geral, preservando o equilíbrio econômico-financeiro da concessão, conforme o artigo 175, parágrafo único, inciso III da Constituição Federal”.

O secretário lembra que o processo requer várias etapas, que “demandam tempo e dedicação”. São feitos diagnósticos detalhados pela equipe, seguidos de planejamento estratégico minucioso e da transformação das ideias aprovadas em ações de melhoria. Ele enfatiza que, “embora o tempo exato possa variar conforme a complexidade das ações e a abrangência dos estudos necessários, a Semmurb (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Cabo Frio) tem trabalhado para que as melhorias sejam implantadas no menor prazo possível”. Essa celeridade advém da convicção do governo municipal de que a mobilidade é importante ferramenta de inclusão social e territorial, incremento ao comércio e à movimentação interna, melhorando a economia e até mesmo desestimulando o uso de veículos particulares, com ganhos para o meio ambiente.

O prefeito de Cabo Frio, Sérgio Luiz Costa Azevedo Filho, o Dr. Serginho, diz que “falar em mobilidade e acesso a transporte de qualidade é falar em dignidade da pessoa humana, em inclusão social”. Ele diz que a criação do programa “Busão de Tamoios” expandiu o serviço até a zona rural “onde as pessoas não tinham acesso a transporte. Caminhavam quilômetros para conseguir chegar num centro urbano”, ressalta. Ele considera que o projeto mudou para melhor a vida dos locais: “Isso é a pessoa viver diferente. É ter qualidade de vida, é ter mais acesso a tudo aquilo que é essencial. É mais acesso à saúde, é mais acesso à educação, é mais acesso a lazer, é mais conforto, mais qualidade…” e conclui, orgulhoso: “a gente tem o maior prazer de ter implementado esse programa de transporte subsidiado em Tamoios e toda a zona rural de Cabo Frio”.

Esse “viver diferente” fica evidenciado no aumento do número de viagens. De 600 passageiros diários antes da implantação do “Integra Tamoios”, o número já chega a 5 mil passageiros/dia. Para Josias da Swell, esses dados comprovam “a enorme demanda reprimida por transporte público de qualidade em Tamoios. Os números são um testemunho inequívoco do sucesso e da necessidade do projeto”, diz.

 

Depoimentos: a visão de rodoviários, moradores e comerciantes

A equipe da Revista Ônibus percorreu alguns pontos de ônibus de Tamoios e ouviu passageiros e rodoviários sobre as novas linhas. No ponto final de Santo Antônio (linha 364), o motorista Cleber da Fonseca, há 7 anos na Salineira, afirma: “O serviço aqui em Tamoios melhorou muito de quatro, cinco meses pra cá. E tem o aplicativo da Salineira, que informa para o passageiro exatamente onde o ônibus está.” Já no ponto final de Chavão, o motorista Robert Abreu, na empresa há 2 anos e meio, diz: “estou nessa linha desde que ela começou, com a prefeitura nova, tem uns 3 ou 4 meses. Já trabalhei em várias outras aqui da região”. Sobre os ônibus utilizados, destaca: “foram adquiridos zero quilômetro, direto com a fábrica”. Sua avaliação é positiva: “com certeza a população está satisfeita, tudo que vem pra somar é primordial para todos”, afirma. E conclui: “somou muito aqui, e a linha tem carregado bastante passageiro, atendendo a necessidade da população. Então, foi bem satisfatório aqui pra Tamoios”.

Ernesto José é frequentador assíduo da localidade conhecida como Chavão. Para o leitor ter uma ideia, Chavão fica mais no interior de Tamoios, distante da praia, cujo acesso se dá pela Estrada do Mico Leão Dourado, não pavimentada, a uns 3 quilômetros do asfalto, por onde se chega ao Parque do Mico Leão Dourado. Ele diz: “Eu tenho uma casa aqui dentro, no Chavão, e uma lá fora. Venho pra cá de vez em quando, para descontrair, né? Antes, tinha uma linha de ônibus até um pedaço, depois que chegou aqui dentro, aí ficou ótimo!”, elogia. Alba Maria, sua esposa, também deu seu depoimento: “Venho aqui no Chavão dia sim, dia não. Atualmente, eu uso o ônibus para vir e voltar todas as vezes. Antes eu usava carona, às vezes de moto, ou então a pé. A pé leva muito tempo pra chegar aqui… mais de uma hora e meia andando por dentro do mato. Essa linha foi importantíssima, não só para mim, como para todos os moradores dessa localidade. Não tenho nada a reclamar. Temos ônibus de 20 em 20 minutos, que raramente atrasam. Motoristas muito educados, atenciosos, calmos e tranquilos”.

“Moro em Tamoios tem cinco anos, pego ônibus todo dia para ir à escola, lá pra Aquários (perto da ponte que vai para Barra de São João), e voltar. Salto aqui (em frente ao Shopping Unapark) na volta pra casa. Agora, com os novos micros, é mais rápido para pegar o ônibus. Antes demorava até uma hora”, diz o estudante Rafael de Souza, 18 anos. O aposentado Paulo Cezar da Silva também aprova as novas linhas, mas sente falta de um trajeto mais fácil para Cabo Frio. Segundo ele, é mais rápido chegar a Rio das Ostras. Ocorre que o centro de Tamoios fica realmente mais perto da área central de Rio das Ostras (25 km) do que da de Cabo Frio (31km), e o acesso é mais direto – uma reta na Av. Amaral Peixoto. Para o centro de Cabo Frio, passa-se por várias comunidades dentro do Município. A outra opção é contornar pela Av. Amaral Peixoto até São Pedro da Aldeia, o que, apesar de poder ser mesmo mais rápido, vai fazer o percurso ultrapassar os 40 quilômetros. Destaque-se que, numa segunda fase, o estudo da Semove busca exatamente entender a demanda das linhas municipais para fazer novas propostas, visando à melhoria da oferta e a mais facilidades de integração.

A comerciante Rosiana Cypriano faz sua avaliação: “Sou lojista há dois anos aqui em Tamoios, mas a “Rosi Modas” já tem sete anos. Com relação à comodidade da população, e à minha também, pois não moro aqui perto e utilizo às vezes o transporte, eu vejo que teve essa melhoria na qualidade do serviço do ônibus, porque tem horário fixo e eles não atrasam, são muito pontuais, e com relação a ter esta disponibilidade, pois a gente não tinha. Ficávamos muito à mercê das lotadas, que nem sempre são um transporte seguro”, afirma. Juan Miguel, barbeiro, sócio da “Barba Negra”, na Av. da Independência, percebe clara diferença no movimento: “Sou barbeiro há três anos aqui em Tamoios, as novas linhas de ônibus estão facilitando bastante a clientela e os barbeiros a chegarem. Está dando um movimento maior. Pra mim, melhorou bastante, mesmo na baixa temporada deu pra sentir, pois está melhor o acesso pra quem mora no “retão” e nos condomínios”, diz.
Segundo o secretário de Mobilidade, “a abordagem adotada pela Semove é pautada em análises baseadas em dados, combinadas com sua vasta experiência em projetos de mobilidade urbana. Essa metodologia tem resultado em propostas que estão alinhadas com as melhores práticas do setor. A Semmurb reconhece e valoriza profundamente a qualidade do trabalho que tem sido apresentado, considerando-o fundamental para o avanço de iniciativas de mobilidade no município de Cabo Frio.” Para a diretora de Mobilidade Urbana da Federação, Richele Cabral, “apoiar tecnicamente os municípios na qualificação do transporte público e da mobilidade urbana tem sido uma missão essencial da Semove. Cada cidade tem seus próprios desafios e, por meio desses acordos de cooperação, conseguimos oferecer soluções customizadas, viáveis e sustentáveis. É gratificante ver como intervenções bem planejadas, mesmo de baixo custo, podem transformar significativamente a vida das pessoas e tornar o sistema mais eficiente e acessível para todos.”

Soluções como as que trouxeram tantos benefícios a Tamoios e a outras localidades passam por adoção de medidas como a concessão de subsídio ao transporte coletivo, o planejamento integrado, a integração entre os modos de transporte, o incentivo ao transporte não motorizado e ao transporte público coletivo de passageiros, de forma a permitir a este último a assunção do papel de espinha dorsal da mobilidade das cidades, contribuindo para deslocamentos mais seguros, confortáveis, pontuais e para cidades mais amigáveis. Esses são pontos defendidos pela Semove, resultado de estudos aprofundados sobre a mobilidade das cidades brasileiras e, em especial, as fluminenses. E, dentro da realidade do nosso País, em que poucos municípios têm condições de trabalhar a mobilidade urbana como um todo, é uma forma inteligente e eficaz olhar em primeiro lugar para localidades como pequenos distritos e bairros mais afastados, onde a dificuldade de deslocamento é maior, e ir resolvendo os problemas de uma forma sequencial e constante.

Anuncie Agora