Smart Cities no Brasil e no mundo

11/05/2020 | Edição nº 109

A definição das chama- das “cidades inteligentes” ou “smart cities” é algo mais com- plexo do que parece. Quem pensa que se trata apenas de centros altamente tecnológicos es- tá enganado. A tecnologia é importante, sim, mas como meio de solução para problemas urbanos. Re- sumidamente, pode-se dizer que smart city é a cidade com o objetivo de melhorar a qualidade de vi- da de seus moradores, garantindo sustentabilidade econômica, social e ambiental, adotando, para isso, soluções inovadoras e tecnológicas em vários setores, como: infraestrutura, mobilidade urbana, habitação, saneamento, energia, coleta de lixo, combate à poluição ambiental, saúde, educação, oportunidades de emprego e desenvolvimento profissional, entre outros.

O Instituto de Estudos Superiores da Empresa (IESE) Business School, da Universidade de Navarra, na Espanha, criou o Cities Motion Index, um ranking para classificar as cidades, levando em consideração seu nível de inteligência a partir de nove critérios. São eles:

capital humano (cultivo, desenvolvimento e atração de talentos), coesão social (consenso entre os diferentes grupos sociais), economia, meio ambiente, governança, planejamento urbano, alcance internacional, mobilidade e transporte e tecnologia.

Londres é campeã

Foto: Divulgação

De acordo com os professores Pascual Berrone e Joan Enric Ricart, que dirigem o Centro de Globalização e Estratégia do IESE, não existe uma cidade perfeita – são poucas as que conseguem pontuar relativamente bem nas nove categorias avaliadas ou na maioria delas. Mas, é preciso haver o mínimo de harmonia entre os critérios que de- terminam o conceito de smart city para se considerar uma cidade co- mo inteligente. E ela deve se destacar em mais de um desses critérios, pelo menos. O ideal é que consiga oferecer bem-estar e qualidade de vida ao maior número de pessoas com o menor impacto possível. Berrone e Ricart alertam que os gestores municipais devem ter uma visão de longo prazo e que o envolvimento dos cidadãos é fundamental para a construção desses locais.

Na sexta edição do relatório do IESE, publicada ano passado, Londres (Inglaterra) foi a campeã mundial no ranking das cidades inteligentes. Nova Iorque (EUA) ficou com a segunda colocação. Foram analisadas 174 cidades, de 80 países. Na Europa, sete estão entre as dez primeiras posições: além de Londres, Amsterdã (Holanda), em 3o lugar; Paris (França), em 4o; Reykjavik (Islândia), na 5a colocação; Copenhague (Dinamarca), em 8o lugar; Berlim (Alemanha), na 9a posição, e Viena (Áustria), fechando o top 10. Na lista das 10 mais inteligentes estão ainda: Tóquio (Ja- pão), em 6o lugar, e Singapura (considerada cidade-estado, na Ásia), em 7o.

Europa Sustentável

Segundo o relatório, as cidades europeias são as que mais pontuam em termos de qualidade de vida e sustentabilidade, se sobressaindo nos critérios de coesão social, mobilidade e transporte e governança. Entre as 50 primeiras do ranking, o continente europeu possui 28 cidades na lista. Depois vem América do Norte, onde cidades se destacam mais pela força econômica e capital humano, com 13. A América Latina só aparece na 66a posição, com Santiago (Chile), cujo desempenho foi considerado relativa- mente alto.

As cidades brasileiras listadas entre as 174 se classificaram nas 50 últimas posições do ranking: Rio de Janeiro (128a posição); Brasília (130a); São Paulo (132a); Curitiba (140a); Salvador (146a) e Belo Horizonte (151a). Todas apresentaram baixas pontuações, especialmente em capital humano e governança. A avaliação de capital humano inclui indicadores como a proporção da população cursando o ensino médio e superior, além do número de universidades, museus, escolas e teatros. Já a da governança leva em consideração o número de embaixadas, consulados e centros de pesquisa e tecnologia, assim como respeito aos direitos da população e índices de percepção de corrupção.

Ranking brasileiro

O Brasil conta com um relatório próprio de avaliação das cidades brasileiras mais inteligentes e conectadas. O Ranking Connected Smart Cities, elaborado pela consultoria Urban System, elegeu, em 2019, a cidade de Campinas (SP) como líder. Ele analisa os 666 municípios do País com mais de 50 mil habitantes e faz também uma avaliação específica de cidades entre 50 mil e 100 mil habitantes, de 100 mil a 500 mil e acima de 500 mil.

São levados em consideração 70 indicadores, que têm relação com: mobilidade, urbanismo, meio ambiente, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança, empreendedorismo, governança e energia. Na edição de 2019, foram introduzidos novos indicadores, como percentuais de computadores em escolas públicas, de resíduos plásticos recuperados, da população que vive em regiões de baixa e média densidade, do uso de veículos de baixa emissão de poluentes e das forças ocupadas em setores de tecnologia, comunicação, educação e pesquisa.

Campinas é líder

Foto: Reprodução

Campinas se destacou nas áreas de economia, tecnologia e inovação (1o lugar), empreendedorismo (2o), governança (3o) e mobilidade (4o). Em seguida, aparecem São Paulo (SP), Curitiba (PR), Brasília (DF), São Caetano (SP), Santos (SP), Florianópolis (SC), Vitória (ES), Blumenau (SC) e Jundiaí (SP). Na região Nordeste, Recife (PE) aparece na 23a posição. Já na região Norte, a cidade mais inteligente e conectada é Palmas (TO), na 19a posição. Das 100 cidades mais inteligentes e conectadas de 2019, 67 estão no su- deste e 47 no estado de São Pau- lo. Esta foi a primeira vez que o Ranking Connected Smart Cities considerou uma cidade não capital como a mais inteligente e conectada do Brasil. Nos anos anteriores a liderança ficou com Curitiba, em 2018, São Paulo, em 2016 e 2017, e Rio de Janeiro, em 2015.

O conceito de smart cities já faz parte do planejamento de muitas cidades em todo o mundo. Há um consenso entre especialistas, universidades, empresas, instituições, população e go- verno de que é preciso encontrar soluções que promovam a melhoria da qualidade de vida, dos ser- viços públicos e da sustentabilidade, especialmente nas cidades de grande porte. A preocupação torna-se ainda maior quando se sabe que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial chegará a 8,6 bilhões de pessoas até 2030, e aproximadamente 9,8 bilhões de pessoas em 2050. É preciso pensar nas cidades do futuro.

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