Transparência no sistema de bilhetagem do Rio é tema de reunião do Fórum de Mobilidade

06/12/2021 |

O Fórum Permanente de Mobilidade Urbana da Região Metropolitana do Rio de Janeiro realizou, dia 25 de novembro, reunião on-line da Divisão Técnica de Transporte e Logística do Clube de Engenharia e da Federação das Associações de Moradores do Rio de Janeiro. O tema foi a Transparência dos Dados do Sistema de Bilhetagem e Arrecadação da Riocard Mais, aplicado no sistema de Transporte Público da Região Metropolina. Coube ao diretor executivo da RioPar, Cassiano Rusycki, e ao presidente da Fetranspor e da RioPar, Armando Guerra, falarem sobre o assunto.

Rusycki fez uma breve apresentação sobre a Riocard Mais e destacou o fato do cartão ser aceito em todos os meios de transporte e de sua atuação geográfica, que alcança 70% dos municípios do estado do Rio de Janeiro.

Ainda sobre os números, Rusycki informou que atualmente há 7 milhões de cartões em uso e, entre os 19 mil validadores em funcionamento, 13 mil já são operados on-line. “Hoje, a gente faz a gestão de todos os validadores do Estado, para os sistemas de ônibus, metrô, trem, barcas, VLT, BRT; faz pagamento diário para mais de 150 operadores (desses meios de transporte) e mais de 2.500 permissionários (vans municipais e intermunicipais). São realizadas mais de 6,5 milhões de recargas ou vendas por mês. Além disso, a gente atende a mais de 80 mil empresas compradoras de Vale-Transporte, facilitando a vida do trabalhador”, completou.

O executivo apresentou a gama de produtos oferecidos pela empresa, como o Vale-Transporte, cartão Empresarial, cartão Expresso, pulseira, chaveiro e, mais recentemente, o Cartão Digital, via celular. Também mencionou o cartão destinado a turistas, disponibilizado em vários hotéis do Rio de Janeiro, o Bilhete Único Carioca, para circulação na cidade do Rio de Janeiro, o Bilhete Único Intermunicipal, que possibilita a integração entre as cidades, o Bilhete Único Rio- -Niterói, e as parcerias com o Metrô Rio, entre outras. E enfatizou a responsabilidade da Riocard pelo atendimento das gratuidades. “Hoje, em torno de três mil escolas são atendidas pelo cartão e 700 mil estudantes possuem o Riocard Mais Estudante. Tem também o Riocard Mais Especial, o Vale Social, que é um programa do Estado. São mais de 1,3 milhão de cartões de gratuidade em uso e 34 milhões de viagens realizadas por mês”, afirmou.

O diretor executivo da RioPar informou que são realizados mais de 53 mil atendimentos por mês nas lojas e que as compras e recargas podem ser feitas pelo site, aplicativo, nas lojas e nas máquinas de recarga. “Mais de 1,8 milhão de pessoas já baixaram o aplicativo, através do qual são feitas mais de 806 mil recargas e mais de 300 mil transações por mês. Além disso, é possível ver o saldo pelo telefone (Android), no validador e nas máquinas de recarga. Há uma série de ofertas na internet, no celular, numa estação do Metrô ou do BRT, onde, se você quiser, consegue fazer compra e carga e verificar o saldo. “A Riocard Mais tem seu foco principalmente no cliente do transporte público e seu objetivo é a facilidade no pagamento. É uma empresa tecnológica e não apenas a empresa de um cartão”, disse.

Rusycki falou ainda sobre a padronização e melhoria das lojas para atendimento do cliente; sobre relacionamento através das mídias sociais e do chatbot Tomais, para maior proximidade com o cliente; da parceria com o Moovit, para acompanhamento on-line dos horários dos ônibus e informações sobre como chegar ao destino desejado; do lançamento do Clube de Vantagens, que gera pontos que podem ser trocados pelo cliente por prêmios ou resgates com desconto; do canal direto com o Procon do Rio, para solução imediata de reclamações, e com os municípios e o Estado. Destacou as indicações ao Reclame Aqui, maior prêmio de atendimento brasileiro, nos anos de 2019, 2020 e 2021. “A Riocard Mais é a maior empresa nacional e da América Latina de bilhetagem. É uma referência mundial. Os números são superlativos. A relação de transparência se dá também pela proximidade e isso estamos tentando fazer cada dia mais”, finalizou.

Armando Guerra complementou as informações ressaltando o fato de que o sistema de bilhetagem no Rio de Janeiro é de responsabilidade dos operadores de transporte. “Os operadores não podem incluir na tarifa ou cobrar uma taxa para vender o produto. O custeio desse sistema é realizado pelos operadores pagando uma taxa de administração para a Riocard, uma prestadora de serviço que trabalha para os modais de transportes submetidos ao poder concedente”, disse.

Segundo o presidente da Fetranspor, os dados de todo o transporte intermunicipal são enviados diariamente para a Setrans e o Proderj. Já o Detro, autarquia que cuida do transporte intermunicipal, recebe os dados diretamente do validador dos ônibus. “Ele tem acesso aos dados na mesma velocidade que nós”, disse. Já dos ônibus municipais, as informações são enviadas a cada cinco dias. “Como existe muito transporte de van e eles podem ter alguma dificuldade em transmitir as informações, os dados são enviados após cinco dias”, acrescentou. “Portanto, a disponibilização das informações para o poder concedente é realizada regularmente. Se temos uma determinação do poder concedente sobre aqueles ônibus que são permissionados ou concedidos, podemos fazer essa transferência. Depende simplesmente do desejo de obter essas informações e da capacidade do poder público de processá-las e utilizá-las no planejamento do transporte urbano”, completou.

Sobre o destino do saldo do cartão, o presidente da Fetranspor informou que, em dezembro de 2016, o Estado aprovou uma legislação determinando que o saldo do contrato deveria ser encaminhado ao Fundo Estadual de Transporte. Mas isso foi motivo de ação judicial. A Fetranspor alegou que o recurso ajudava pagar o custo da bilhetagem e o Ministério Público defendeu a tese de que o saldo pertencia ao usuário. Em maio de 2019, em decisão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a tese do Ministério Público prevaleceu. “Esses recursos hoje estão todos alocados nos cartões de transporte do usuário. Não são mais créditos expirados. Ficam de posse do usuário do cartão”, disse Guerra.

Outro ponto bastante frisado pelo presidente da Fetranspor foi a questão da fiscalização e das auditorias. Segundo Guerra, “da mesma maneira que a prefeitura pretende controlar o novo concessionário de bilhetagem, programando uma auditoria, pode utilizar essa mesma auditoria na Riocard Mais. Para a prefeitura, seria muito mais fácil licitar apenas a auditoria prevista no edital do que fazer essa transformação total no sistema, que ela está propondo. Essa licitação traz um risco adicional, pois o edital prevê que, se o concessionário do sistema de bilhetagem tiver um problema financeiro, a responsabilidade será do operador. “Então esse é um discurso vazio. Na hora em que a gente disponibiliza os dados e informações, as pessoas não querem fazer seu trabalho. Desde 2017, estamos fazendo todo o esforço para dar transparência. A disponibilidade para auditar é total. O poder concedente que quiser esse acesso vai tê-lo”, finalizou.

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