Trompete é o seu instrumento e eletricista, sua profissão

25/05/2020 | Edição nº 109

Corpo, chave de água, bomba de afinação, pistões, cotovelos e bocal. Estes são os elementos que compõem o trompete, instrumento musical de sopro da família dos metais. Davi Oliveira Vilanova, 23 anos, auxiliar de elétrica da Expresso São Francisco, é o rodoviário apaixonado por música, que encontrou no trompete sua companhia perfeita. Nascido e criado na cidade de Engenheiro Pedreira, na Baixada Fluminense, Davi descobriu a música aos 12 anos, na igreja que frequentava com seus pais. “Comecei a fazer aula de música num projeto da igreja e ali fui me descobrindo e gostando daquela arte”, conta.

Foto: Divulgação / Davi Vilanova

O interesse e seu processo de desenvolvimento na música foram crescendo, na medida em que aumentava seu conhecimento. “No início, a gente quer aprender tudo que é instrumento. Comecei na bateria e depois fui para o saxofone, que era meu sonho. Mas não dei muito certo neste instrumento. Então, fui para o trompete, bombardino, violão. E me encontrei mesmo no trompete, apesar de tocar bombardino bem também”. A escolha pelo instrumento ideal se deu ao mesmo tempo em que Davi passou a fazer parte do corpo de alunos da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) de Nilópolis, para cujo curso de musicalização entrou após se submeter a uma prova. O curso é dividido por níveis.

Banda da Faetec

O trompetista cursou três anos até se formar, no nível três. E chegou a fazer parte da banda da Faetec, se apresentando, ora no trompete, ora no bombardino, em várias regiões do Brasil, em importantes teatros, co- mo João Caetano e Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro. “Na época, recebíamos uma bolsa de estudo, que era a metade de um salário mínimo. Em troca, tínhamos que participar da banda, o que foi um grande aprendizado pra mim e uma oportunidade de conhecer vários estados através da música”, lembra.

Aos 17 anos, prestes a se formar na Faetec e estudando para se tornar militar, Davi começou a dar aula de música na igreja, no mesmo projeto onde tocou suas primeiras notas. Nesta mesma época, passou a lecionar trompete em casa. “Vários alunos meus hoje tocam muito melhor que eu”, orgulha-se. Além das aulas particulares e na igreja, Davi também se apresentava em eventos, como festas de casamento, aniversários, entre outros. “Toda semana tinha evento pra fazer, principalmente casamento. Eu tocava em duas orquestras”, conta. Nos casamentos, ele toca trompete triunfal, aquele que faz a clarinada, anunciando a entrada da noiva. Sobre o repertório das orquestras, o trompetista conta que os músicos tocam de tudo um pouco; mas, nas festas, o que mais pedem é pop internacional. Já a preferência dele é pelo es- tilo gospel e pela MPB.

Jovem aprendiz

Na vida de rodoviário, Davi iniciou aos 19 anos, como jovem aprendiz, no curso profissionalizante de elétrica veicular, do Sest Senat. Paralelamente fez estágio na Expresso São Francisco e, encerrado o curso, foi logo efetivado. “Resolvi ingressar no curso depois de ter ficado na re- serva na prova do Exército. Eu sabia que era muito importante ter uma profissão. Eu não conhecia ninguém que trabalhasse como rodoviário e não entendia nada de elétrica. Mas abracei aquela oportunidade e, aos poucos, fui me interessando mais e mais pela profissão. Na empresa, me desenvolvi, fiz vários outros cursos, como eletrotécnica, por exemplo, e a cada dia vou melhorando e me sentindo mais seguro. Hoje, sou apaixonado por eletrônica e faço um pouco de tudo lá dentro, nesta área”, conta.

Atualmente, Davi se divide entre seu trabalho como auxiliar de elétrica, a atividade de professor de trompete (dá aulas particulares em casa), apresentações como músico em eventos, apresentações com a banda da Faetec (da qual ainda participa, como convidado), palestras e trabalho com os jovens da igreja (ele também tem um curso de teologia), e desenhos artísticos por encomenda. Sim, além do talento para a música, como eletricista, professor e no ministério da igreja, o rodoviário também é desenhista. Mas, este outro talento ele desenvolveu sozinho, de for- ma autodidata. “Eu via um primo que desenhava muito bem, ficava olhando como ele fazia e queria fazer igual. Foi assim que comecei”, diz. Hoje, seus desenhos são sucesso e se tornaram mais uma fonte de renda. As pessoas fazem a encomenda, enviam a fotografia que querem ver reproduzida e logo recebem o desenho baseado naquela imagem.

Metas para o futuro

Conciliar essas habilidades e atividades não é tarefa das mais fáceis. E Davi quer ainda mais, mui- to mais. “Meu sonho é ser militar, e quero também fazer faculdade de música, de engenharia elétrica e de psicologia”, afirma. Para cada uma das graduações, há uma boa razão, defendida pelo multitalentoso rodoviário. Música e engenharia são suas principais paixões, nem pre- cisa grandes explicações. E psicologia, ele revela que é para ajudá-lo no trabalho com os jovens da igreja. No campo pessoal, Davi conta que está namorando e pretende formar uma família. “Ela também é musicista, se forma este ano em odontologia e professa da mesma fé que eu”, revela.

Foto: Divulgação / Davi Vilanova

Sobre a importância da música em sua vida e na das pessoas, ele é categórico: “sempre aconselho os pais a colocarem seus filhos, desde cedo, em aulas de música, pa- ra aprenderem algum instrumento. A música só nos traz coisas boas”. E completa com a seguinte definição: “música é a arte de manifestar os di- versos afetos de nossa alma, mediante o som”, atribuída a vários músicos, sem se saber ao certo o verdadeiro autor ou autora.

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