Veículos autônomos: O futuro nas ruas

20/01/2020 | Edição nº 108

O futuro imaginado na série de desenho animado “Os Jetsons”, dos anos 60, parece que chegou. Como se não bastassem a Internet, nos conectando em tempo real com qualquer parte do planeta, robôs que identificam nosso estado de humor e que conversam com pessoas, o mundo está chegando à era dos carros autônomos, capazes de se locomover sem um motorista na direção.

Foi a partir de 2008 que a ideia de um carro que anda sozinho foi apresentada por um engenheiro da Google, com o objetivo de reduzir os acidentes de trânsito, causados em sua maioria por falha humana, e a emissão de poluentes, já que o veículo seria elétrico, além de proporcionar mais tempo livre às pessoas. Em 2009, o sistema foi testado pela primeira vez. Em 2012, dois veículos chegaram a percorrer 400 mil km sem acidentes. No final de 2014, foi apresentado o primeiro protótipo, testado em vias públicas no ano seguinte.

Foto: Divulgação / Mercedes-Benz

Google cria a Waymo

Para focar neste tipo de tecnologia, o grupo da Google fundou a Waymo, que em agosto passado começou a operar um veículo autônomo e, em outubro, ofereceu o serviço a usuários, ainda de forma experimental. A Waymo já passou dos 16 milhões de quilômetros rodados com carros que andam sozinhos, nos Estados Unidos. Em Mountain View e São Francisco, na Califórnia, é possível se deparar com um desses veículos circulando. Apesar de ter uma pessoa no banco do motorista, por questões legais, os carros são totalmente autônomos. O CEO da empresa, John Krafcik, afirmou em entrevista recente, ao Neo-Feed, que a ideia é colocar o serviço ao alcance de todos, mas a data para isso ainda é uma incógnita.

Waymo, carro autônomo da Google | Foto: Divulgação / Google

Outras empresas também resolveram investir em pesquisas nessa área. Em 2016, a Tesla anunciou que todos os seus carros sairiam de fábrica com sistema autônomo instalado, porém desativado, com o objetivo de colher dados para saber como o produto se comporta nas ruas. Volvo, BMW, Mercedes-Benz, Ford e Land Rover também já testam seus futuros veículos autônomos. Inclusive Volvo e Ford, juntamente com Uber e Lyft, empresas de transporte por aplicativo, fizeram parceria com a Google, em 2016, para facilitar a entrada desses carros no mercado norte-americano.

Os brasileiros Carina e Iara

No Brasil, a expectativa era que a tecnologia estivesse disponível a partir de 2021. Mas falta investimento, incentivo e uma legislação que permita receber este tipo de inovação. Mesmo assim, já foram produzidos no País dois protótipos: o CaRina (Carro Robótico de Navegação Autônoma), desenvolvido pela equipe do Laboratório de Robótica Móvel da Universidade de São Paulo, em 2010, e testado em 2012, em São Carlos, com sucesso; e o Iara (Intelligent Autonomous Robotic Automobile), criado por pesquisadores do Laboratório de Computação de Alto Desempenho, da Universidade Federal do Espírito Santo, e que realizou uma viagem de 74 km em 2017. Além dos estudos em universidades, o Brasil conta com pelo menos uma empresa, a startup 3DSoft, fundada pelos pesquisadores responsáveis pelo CaRina, voltada exclusivamente para veículos autônomos. O foco é o desenvolvimento de tecnologias que possam levar autonomia a qualquer carro.

Em ranking com os 20 países mais bem preparados para o recebimento de tecnologias automotivas autônomas, o Brasil ocupa o 17º lugar, ganhando apenas da Rússia (18º), México (19º) e Índia (20º). O levantamento levou em consideração: a aceitação, pela população, dos carros autônomos; inovações e tecnologias; infraestrutura; e políticas e legislação. Holanda, Cingapura, Estados Unidos, Suécia e Reino Unido ocupam, respectivamente, as cinco primeiras posições.

Mundo já testa ônibus autônomo

A tecnologia também chegou à indústria de ônibus. Em 2015, Zhengzhou, na China, apresentou um sistema de condução autônoma de ônibus, desenvolvido pela Academia Chinesa de Engenharia. Em 2016, várias cidades fi zeram testes com ônibus autônomos: Sion, na Suíça, começou a operar um miniônibus, para 12 passageiros, fabricado pela francesa Navya; Maryland, nos Estados Unidos, adotou também um miniônibus da IBM, que interage com os passageiros pelo sistema IBM Watson; Amsterdam, na Holanda, fez o primeiro teste do Future Bus, da Mercedes-Benz, com capacidade para 46 passageiros; Paris, na França, optou pelo miniônibus da Easymile, assim como Helsinque, na Finlândia. Em 2017, Las Vegas iniciou a operação de miniônibus produzido pela Navya.

Autonom Shuttle, miniônibus autônomo da Navya | Foto: Divulgação / Navya

Lisboa, em Portugal, Verdun e Estrasburgo, na França, Babcock, nos Estados Unidos, e Sydney, na Austrália, são cidades que também já contam com esses veículos. No início deste ano, Sydney anunciou a intenção de operar com ônibus autônomos grandes a partir de 2022. Estocolmo, na Suécia, pretende usar esses coletivos já no ano que vem. E Cingapura, na China, começou, em março passado, testes com um modelo da Volvo com 12 metros de comprimento e capacidade para 80 passageiros. No Brasil, há negociações para colocar em operação o primeiro ônibus sem motorista no Distrito Federal, para levar passageiros para a Esplanada dos Ministérios.

Enquanto a tecnologia não está disponível para o mercado e as discussões e estudos sobre esse tipo de inteligência artifi cial avançam, o que se oferece são sistemas capazes de dar autonomia a algumas funções do veículo.

Curiosidades

Os veículos autônomos são classificados de acordo com uma escala que vai de um a cinco, sendo as três primeiras com direção assistida, o nível quatro de direção autônoma, mas com a possibilidade de intervenção humana, e o cinco de autonomia total. O carro da Waymo, por exemplo, está na escala quatro. Vários testes com veículos autônomos já resultaram em acidentes, mas a maioria sem consequências graves. No ano passado, porém, um desses carros da Uber atropelou e matou uma mulher, no Arizona (EUA). Constatou-se que a motorista, que deveria assumir o controle em caso de emergência, não estava olhando para a frente na hora da colisão. Após o ocorrido, algumas empresas interromperam temporariamente seus testes.

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