Viação Redentor: 75 anos de história marcados por pioneirismo, inovação e resiliência
No dia 24 de junho de 1950, nascia, na Rua Quiririm, na Vila Valqueire, bairro…
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No dia 24 de junho de 1950, nascia, na Rua Quiririm, na Vila Valqueire, bairro da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro (RJ), uma das maiores operadoras de transporte urbano de passageiros do Estado: a Viação Redentor. Fundada por José Maria Antunes e seu irmão Francisco Antunes, a empresa começou a operar com seis ônibus importados (quatro franceses, da Berliet, e dois americanos, da Chevrolet) e menos de 20 funcionários, na linha Cascadura x Deodoro, depois estendida até Mallet, em Realengo.

Rodomoças que atuavam no serviço de atendimento aos passageiros em 1968
Segundo Avelino Antunes, filho de José Maria e sócio da empresa, uma das maiores dificuldades dos primeiros anos da Redentor, período de pós-guerra, era a importação de peças e veículos. “Os seis primeiros ônibus adquiridos cumpriam o objetivo inicial, que era atender a vizinhança que precisava levar os filhos para a escola”, revela. Mas a Viação Redentor foi muito além disso. Em seus 75 anos de história, a empresa superou todas as crises enfrentadas pelo segmento de transporte por ônibus no estado do Rio, como a encampação, o transporte clandestino e a pandemia da Covid-19, e se consolidou por uma trajetória marcada por pioneirismo, inovação e resiliência.
Novos rumos, novos sócios e nova sede
Na época de sua fundação, grande parte do transporte no estado do Rio de Janeiro era realizada pelos chamados lotações, veículos operados individualmente por pessoas físicas. Em 1961, devido ao crescimento indiscriminado desse tipo de transporte, foi criado e regulamentado o sistema de transporte coletivo por ônibus, levando muitos “donos” de lotações a se unirem para formar empresas. Com isso, a Viação Redentor começou a se destacar, pois, desde sua inauguração, era uma empresa de ônibus constituída, nunca tendo atuado como lotação.
Porém, com o afastamento de José Maria Antunes, que após a perda da esposa passou a se dedicar aos outros negócios da família, a operadora experimentou uma fase de estagnação, recuperando-se um tempo depois, com a entrada na administração dos novos sócios: Antônio, Getúlio e Avelino Antunes, João de Carvalho e Evaristo Pinheiro.
Em maio de 1968, a sede da Viação Redentor foi transferida para uma nova garagem, construída na Estrada do Gabinal, em Jacarepaguá, também na Zona Oeste da capital carioca. Ao longo dos anos, o espaço foi sendo ampliado para abrigar uma frota de ônibus e uma equipe de funcionários cada vez maiores. “Atualmente, são 670 ônibus e 2.800 colaboradores no Grupo Redentor, que inclui também as empresas Transportes Barra (criada em 1991) e Transportes Futuro (em 1997). A Litoral Transportes, que integrava o Grupo, deixou a sociedade em 2003 e encerrou as operações em 2018”, explica uma das diretoras, Renata Pinheiro, filha de Avelino Antunes.

Inauguração da nova garagem da Viação Redentor, construída na Estrada do Gabinal, em Jacarepaguá, em junho de 1968
Primeiro computador e “frescão”
Com a mudança para a nova sede, que ofereceu um ambiente de trabalho melhor e mais estruturado, a Viação Redentor deu um salto de inovação importante, em 1973, quando lançou uma grande novidade para a população do Rio: o primeiro ônibus urbano da América do Sul com ar-condicionado e lugares ocupados apenas por passageiros sentados, que ganhou fama entre os cariocas e foi logo apelidado de “frescão”. “Era um veículo com chassis Mercedes-Benz e carroceria Marcopolo, especialmente desenvolvido pela montadora, em parceria com a Thermoking, para a nossa empresa, pois o modelo não existia no Brasil”, lembra Avelino Antunes.

A empresa, uma das primeiras a investir na informatização dos processos internos de administração ao adquirir, ainda em 1969, seu primeiro computador, para ajudar no trabalho do Departamento Pessoal com a folha de pagamento, fez história novamente com os “frescões”, adotados depois por várias outras companhias.
Encampação, clandestinos e Covid
Entre os diversos desafios enfrentados pela Viação Redentor ao longo de sua história, um dos mais marcantes foi sua encampação pelo governo estadual, em 1985, e, em especial, o período que se seguiu à devolução da operadora aos sócios. “A gestão pública trouxe problemas graves para as empresas que foram encampadas. Quando a operação voltou para a iniciativa privada, no dia 3 de janeiro de 1988, encontramos a empresa em estado precário, com mais de 50% da frota de 360 ônibus inativa, títulos protestados, dívidas trabalhistas e previdenciárias e sem estoque”, conta Antunes. “Logo depois, enfrentamos um vendaval que danificou o galpão da oficina. Foi um trabalho árduo de reestruturação; um período de muita luta, de muita dificuldade. Mas nós seguimos em frente e nos tornamos esta empresa que somos hoje”, completa Renata.
Os anos 1990 trouxeram nova crise para o setor de ônibus do Rio de Janeiro, com a concorrência desleal de vans e kombis, na época chamadas de transporte clandestino e mais tarde batizadas de transporte alternativo. A atuação desse “novo modal” interferiu diretamente na demanda, gerando dificuldades para as empresas legalmente constituídas, como a Viação Redentor e as demais operadoras do Grupo Redentor. “Enfrentamos muito firmemente a questão das vans e das kombis, que então atuavam de forma predatória sobre o segmento”, afirma a diretora.
Mais recentemente, o período da pandemia da Covid-19 também foi um teste de resiliência, como relata Pinheiro: “todo mundo sofreu, vários setores sofreram… Porém, o setor de transporte não teve apoio; foi uma época muito dura. Mas estamos acostumados a lidar com as adversidades e superar. Então, continuamos trabalhando”. Para a diretora, conseguir atravessar as crises e se manter com o espírito pioneiro e inovador são conquistas diretamente ligadas ao capital humano da empresa. “Temos um grupo de funcionários que é nosso maior patrimônio; são colaboradores que abraçam a luta e se comprometem com o desempenho e que foram fundamentais nos momentos em que mais precisamos”, destaca Renata.

Diretrizes de ESG
Atualmente, as empresas do Grupo Redentor integram o Consórcio Transcarioca, operando linhas que ligam bairros da Zona Oeste do Rio entre si e ao Centro. O Grupo, de característica familiar, tem entre os sócios, além de Avelino Antunes e seus descendentes, os descendentes de Getúlio e Antônio Antunes e de Evaristo e Alberto Pinheiro. As operadoras vêm se destacando por sua atuação nas áreas ambiental e social, buscando o alinhamento com as diretrizes de ESG (Ambiental, Social e Governança), e fazendo investimentos na melhoria do ambiente de trabalho, visando à satisfação de seus colaboradores.

Na esfera ambiental, o Grupo Redentor desenvolve ações cujos objetivos são mitigar os impactos de suas operações. Seu Projeto Linha Verde monitora a pegada de carbono, o consumo de água e a gestão de resíduos, com destaque para a recapagem própria de pneus, iniciativa pioneira na América Latina, e sua reciclagem, que contribuem para reduzir o consumo de energia, as emissões de CO2, o uso de matérias-primas e de descartes na natureza. Além disso, o Grupo promove a reciclagem de baterias e a venda de sucata de ônibus, apoiando a economia circular.
Outra ação de sucesso ligada à gestão de recursos é o reaproveitamento de água, através do sistema de reúso, que gera economia de 70% no custo, estimada anualmente em R$ 1.000.000,00. A venda de óleos é mais uma iniciativa, e evita o descarte incorreto de contaminantes. Além disso, o Grupo utiliza a tecnologia do CoPilot, um módulo eletrônico que auxilia e educa os motoristas, proporcionando de 5% a 10% de economia de combustível e reduzindo a emissão de poluentes. Dentro do Programa Despoluir, que mede e controla as emissões de poluentes pelos ônibus, as empresas possuem índice de 100% de aprovação, garantindo o Selo Verde para toda a frota.
